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Zuckerberg queria punir Trump, mas depois mudou regras

Reportagem mostra que rede social abriu espaço para a retórica problemática do presidente americano

30 jun 2020
05h12
atualizado às 08h15
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Horas após fazer um post incendiário no Facebook sobre enviar o Exército para acabar com os protestos em Minnesota, em maio, o presidente americano Donald Trump ligou para Mark Zuckerberg. O post colocou a companhia em uma posição difícil, disse Zuckerberg a Trump, segundo pessoas a par das discussões. A mesma mensagem foi retirada do ar pelo Twitter, o ato mais forte jamais adotado contra uma mensagem presidencial.

Presidente do Facebook, Mark Zuckerberg. 23/10/2019. REUTERS/Erin Scott
Presidente do Facebook, Mark Zuckerberg. 23/10/2019. REUTERS/Erin Scott
Foto: Reuters

Para os executivos do Facebook em Washington, a mensagem aparentemente não infringe a sua política, que permite que os líderes enviem mensagens que falam do emprego da força pelo governo quando a mensagem quer alertar o público - mas o sentido foi exatamente aquele. Os executivos do Facebook já haviam entrado em contato com a Casa Branca naquele dia com um pedido urgente no sentido de que fosse emendada a linguagem do post ou simplesmente ele fosse deletado, disseram as fontes.

Trump enviou mais uma mensagem, afirmando que os seus comentários pretendiam ser apenas uma advertência. Zuckerberg então, de forma online, explicou o motivo para manter o post, observando que a explicação subsequente de Trump o ajudara a tomar a decisão.

O frenético puxa-e-empurra foi o mais recente incidente na luta que o Facebook vem travando há cinco anos para dar espaço à linguagem provocadora de Trump. O presidente não modificou a sua retórica desde a época em que era candidato, mas a companhia foi alterando continuamente suas normas e os seus produtos de modo a se preservar para durante a sua presidência.

O Facebook intensificou seus esforços contra notícias falsas e enganosas, adotou uma política explicitamente permitindo que os políticos mentissem e até alterou seu algoritmo de feed de notícias para neutralizar as alegações de que era tendencioso contra editores conservadores, de acordo com mais de uma dúzia de ex-funcionários atuais e antigos, e com documentos não declarados obtidos pelo The Washington Post. Um dos documentos mostra que tudo começou em 2015, quando o candidato Trump postou um vídeo pedindo a proibição do ingresso de muçulmanos nos Estados Unidos. Executivos do Facebook não quiseram exclui-lo, criando uma exceção para o discurso político.

As concessões feitas a Trump levaram a uma transformação do campo de batalha da informação mundial. E prepararam o caminho para uma lista cada vez maior de políticos espertos em matéria digital que repetidamente divulgaram desinformação e linguagem política inflamatória para bilhões de pessoas. Com isto, o público teve dificuldade para compreender os principais acontecimentos como a pandemia do coronavírus e o movimento de protesto, enquanto as mensagens contribuíam para a polarização.

E à medida que o poder de Trump crescia, o medo da ira do presidente levou o Facebook a adotar um comportamento mais diferenciado para com o seu crescente número de usuários de direita, mudando o equilíbrio do noticiário que o pessoal de imprensa vê na rede, segundo antigos e atuais funcionários da companhia.

O Facebook atualmente enfrenta um boicote de anunciantes, o que provocou a queda do preço de suas ações porque as companhias exigem a adoção de normas mais rigorosas contra o discurso do ódio - em um grupo que já inclui marcas como Unilever, Ford, Starbucks, Coca-Cola e Verizon.

O Facebook também enfrenta uma longa crise de cunho moral, depois da denúncia de mais de 5 mil dos seus funcionários sobre a decisão da companhia de permitir o post de Trump que dizia: "Quando o saque começar, os tiros vão começar".

Cedendo a estas pressões na sexta-feira, Zuckerberg anunciou medidas que visam a um maior policiamento do conteúdo do site. Isto inclui a colocação de rótulos em alguns posts que violam a norma sobre o discurso do ódio e outras - inclusive os posts de líderes políticos. Mas a companhia afirmou que o post não estaria entre estes.

Permissividade dada a Trump pode virar vantagem eleitoral

À medida que os Estados Unidos caminham para mais uma eleição presidencial em meio à pandemia e à agitação civil, a permissividade concedida a Trump representará uma vantagem para ele. Nos últimos meses, ele usou o Facebook e outras plataformas para promover informações enganosas sobre um tratamento contra o coronavírus, fraudes nas eleições e os motivos dos manifestantes, referindo-se frequentemente a um movimento de esquerda como causa da violência sem citar as provas.

Isto coloca o Facebook em frequente conflito com seus congêneres no Vale do Silício. O Twitter rotulou vários tuites presidenciais como abusivos e enganadores, e o Snapchat reduziu o alcance da conta do presidente. "O valor do favor de pessoas que estão no poder é superior a quase todas as outras preocupações para a Facebook", disse David Thiel, um engenheiro de segurança da Facebook que se demitiu em março depois dos seus colegas se recusarem a retirar um post que ele julgou um "discurso desumanizante" do presidente do Brasil.

O Facebook afirma que o emprego de uma linguagem populista incendiária é anterior ao surgimento da rede social. Nick Clegg, vice-presidente da Facebook de negócios e comunicações globais, disse em um documento que o populismo não foi inventado no Vale do Silício, referindo-se aos séculos de história antes da existência das companhias de mídia social.

"Da Primavera Árabe aos candidatos locais que desafiam os políticos no cargo, a mídias sociais também contribuíram para a abertura da política, sem favorecer um ou outro lado", acrescentou. "Estudos mostraram que o que impulsiona o populismo é algo complexo e não pode ser reduzido ao uso da rede social, na realidade a polarização política caiu em muitos países em que o uso da internet é muito difundido".

O Facebook não quis que Zuckerberg fosse ouvido em uma entrevista, ressaltando que ele se opôs a Trump quando sua proibição da imigração de muçulmanos entrou em vigor. A Casa Branca não quis comentar o fato.

Zuckerberg já quis ter adotado medidas contra Trump

Zuckerberg fala frequentemente sobre escolhas que resistem ao teste do tempo, preservando os valores do Facebook e das subsidiárias WhatsApp e Instagram para todos os seus quase 3 bilhões de usuários mensais por muitos anos no futuro - mesmo que estas decisões sejam impopulares e controversas.

Entretanto, a certa altura ele adotou uma abordagem diferente com Trump. Antes das eleições de 2016, a companhia observou o seu papel na política como um flerte com os líderes políticos para a compra de anúncios e a transmissão das suas posições, segundo pessoas a par da filosofia da empresa.

Mas tudo isto começou a mudar quando a candidatura de Trump começou a ganhar impulso em 2015. Em dezembro daquele ano, ele postou um vídeo em que dizia que queria proibir o ingresso de todos os muçulmanos nos Estados Unidos. O vídeo viralizou no Facebook e foi uma primeira indicação do tom da sua candidatura.

A revolta contra o vídeo levou a uma reunião de toda a companhia em que os funcionários condenaram o vídeo como um discurso de ódio que violava a política da companhia. E em reuniões sobre o tema, líderes de alto escalão e especialistas em política afirmaram que o vídeo continha um discurso de ódio, segundo três antigos funcionários que não quiseram ser identificados. Zuckerberg afirmou em vários encontros que pessoalmente repudiava este tipo de linguagem e queria que o vídeo fosse retirado, afirmaram as fontes. Alguns destes detalhes foram divulgados anteriormente.

Em uma das reuniões, Monika Bickert, vice-presidente de política do Facebook, elaborou um documento em que falava do vídeo e o compartilhou com a chefia, inclusive com a diretora de operações Sheryl Sandberg, e o vice-presidente de política global, Joel Kaplan, o republicano mais importante da companhia.

O documento, que não foi divulgado anteriormente e foi obtido pelo The Post, apresentava quatro opções. São elas: a retirada do post por violações das normas sobre discurso do ódio, permitir uma única exceção a ele, criando uma isenção para o discurso político e até mesmo o enfraquecimento das diretrizes da companhia sobre comunidade para todos, permitindo comentários como "Proibido para pretos" e "Expulsem os gays de San Francisco".

O porta-voz do Facebook, Tucker Bounds, disse que a última opção nunca foi levada muito a sério. O documento também apresentava uma lista possível de "Relações Públicas de Risco" de cada uma delas. Por exemplo, baixar o nível em geral levantaria questões como: "Será que o Facebook daria uma plataforma a Hitler?", escreveu Bickert. Uma abertura do discurso político em geral, por outro lado, corria o risco de escancarar as comportas para comentários ainda mais odiosos de imitadores.

Por fim, Zuckerberg foi convencido, em parte por Kaplan, a abandonar o seu desejo de retirar o post, segundo as fontes. Ao contrário, os executivos criaram a permissão para que um discurso político interessante seja levado em conta ao tomar decisões sobre a possibilidade de certos posts violarem as diretrizes da comunidade.

Tal permissão não foi formalmente anexada às políticas, embora faça parte do processo de decisão específico sobre discurso político para os próximos anos, segundo as fontes. Quando uma política relativa ao interesse da notícia foi anunciada em outubro de 2016, em um blog de Kaplan, a companhia não discutiu o papel de Trump na sua redação.

Em uma entrevista, Bickert disse que a companhia acabou fazendo um apelo para manter a proibição do vídeo de Trump sobre os muçulmanos porque os executivos interpretaram ao comentário do presidente como se o então candidato não se referisse a todos os muçulmanos, mas defendesse uma posição política sobre a imigração como parte de um debate político de interesse. Ela afirmou que não lembrava do documento em que foram apresentadas as opções.

Bounds, do Facebook, acrescentou que a política "de interesse para a notícia" foi acrescentada em 2016, depois que os revisores de conteúdo retiraram a fotografia de uma menina nua fugindo de um ataque com napalm, durante a Guerra do Vietnã. "O nosso objetivo era reconhecer o benefício essencial para o público da preservação de conteúdo que em outros contextos não seria permitido", afirmou Bounds. "No caso de funcionários eleitos, também garante que eles sejam levados em consideração por aquilo que afirmam," para que as pessoas possam julgar por si.

Na primavera de 2016 (abril a junho), Zuckerberg foi convencido a abandonar o seu desejo de escrever um post condenando especificamente Trump por seus apelos para a construção de um muro entre os Estados Unidos e o México, depois que os assessores em Washington alertaram que isto poderia ser entendido como se ele estivesse tomando partido, segundo Dex Torricke-Barton, um dos ex- redatores dos discursos de Zuckerberg.

A permissão do discurso político acabou preparando o terreno para a maneira como a companhia deveria tratar não só Trump mas também os líderes populistas de todo o mundo que postaram conteúdo que testava estes limites, como Rodrigo Duterte nas Filipinas, Jair Bolsonaro no Brasil e Narendra Modi na Índia.

"Embora tenham criticado a desinformação, os influenciadores mais problemáticos são os políticos", disse Claire Wardle, diretora da First Draft para os EUA, organização que se dedica ao combate da desinformação, parceira do Facebook em artigos sobre a verificação dos fatos. "Você pode fazer toda a verificação dos fatos do mundo, mas estes influenciadores acabam produzindo um impacto desproporcional."

Trump apresentou um único desafio, ela acrescentou. "Até então, ninguém teria considerado um presidente que dissesse este tipo de coisas."

Depois da eleição, ficou claro que a Rússia havia usado a rede social para semear notícias falsas. O Facebook logo em seguida se tornou alvo mais frequente da ira do presidente. Ele tuitou que a rede social era "anti-Trump" e tentava solapar a sua vitória.

Ao mesmo tempo, os líderes do partido republicano intensificaram as críticas segundo as quais plataformas como Facebook e Twitter, cujas direções repletas de liberais tentavam limitar o alcance das vozes de tendência direitista. "Não há nenhuma pesquisa digna de confiança que apoie a afirmação de Trump de que as plataformas sociais suprimem o conteúdo conservador, mas mesmo assim conseguiu fazer com que elas revisassem suas normas para satisfazê-lo", disse o antigo porta-voz do Facebook, Nu Wexler, que saiu da companhia e 2018.

Enquanto o Facebook tratava de corrigir a interferência e a desinformação vindas de fora, seus executivos na capital do país afirmavam que a cautela e a deferência eram necessárias para sobreviver no novo ambiente político, segundo três pessoas a par da filosofia da companhia.

Os engenheiros de segurança da Facebook em dezembro de 2016 apresentaram as conclusões de uma ampla investigação interna, conhecida como Projeto P, para os membros dos escalões mais altos da companhia sobre como notícias falsas e enganadoras se espalharam de maneira tão viral durante as eleições. Quando a equipe de segurança do Facebook destacou dezenas de páginas que haviam espalhado notícias falsas, os altos funcionários em Washington, incluindo Kaplan, se opuseram ao seu fechamento imediato, afirmando que, fazendo isto, os conservadores seriam afetados de maneira desproporcional, segundo pessoas que conhecem a filosofia da empresa. No fim, a companhia fechou muito menos páginas do que havia sido proposto originalmente, embora começasse a desenvolver uma política para atacar estas questões.

Um ano mais tarde, o Facebook considerou a revisão dos seus feed de notícias, a tela que a maioria dos usuários vê quando abre o site. Como parte da mudança para ajudar a coibir a desinformação, mudou seu algoritmo de feed de notícias para se concentrar mais nos posts de amigos e familiares em vez dos publishers.

Nas reuniões sobre a mudança, Kaplan questionou se o algoritmo modificado afetaria mais os publishers de direita do que os outros, segundo três pessoas a par da filosofia da companhia que não quiseram ser identificadas. Quando os dados mostraram que isto aconteceria - a companhia descobriu que veículos conservadores publicavam mais conteúdo que violava sua política - ele pediu a introdução de mudanças para tornar o novo algoritmo o mais equilibrado em seu impacto, disseram as fontes.

Com as eleições de 2020 no horizonte, o Facebook e a estratégia de não interferência de Zuckerberg à liberdade de expressão o deixaram cada vez mais isolado no Vale do Silício.

Em maio de 2019, Zuckerberg, falando da liberdade de expressão, recusou retirar um vídeo editado da presidente da Câmara, Nancy Pelosi, democrata pela Califórnia, que fazia com que ela parecesse embriagada.

Naquele verão, os diretores da companhia fizeram uma reunião para rever sua exceção do interesse da notícia, que até então havia sido determinada caso a caso, com os apelos mais controvertidos de Zuckerberg. Internamente, alguns não viam com clareza até onde ia a margem de manobra, segundo duas das fontes.

Clegg, o novo diretor de negócios e comunicações globais da companhia, anunciou o resultado daquela reunião em um discurso em Washington, em setembro de 2019. Além dos discursos instigadores de violência ou de perigo para o mundo real, o Facebook permitiria que os políticos se expressassem virtualmente sem ser controle nenhum na mídia social. A rede de verificadores de fatos independentes do Facebook, que havia sido criada como um elemento fundamental da resposta da companhia à desinformação, não avaliou seus apelos, e as diretrizes para a comunidade não se aplicariam em geral aos políticos.

O Facebook não quis ser o árbitro da verdade no debate político, afirmou, reiterando a posição costumeira de Zuckerberg. O discurso irritou alguns funcionários, fazendo com que mais de 250 deles assinassem uma petição discordando da decisão porque a consideraram a concessão de liberdade aos políticos.

Um ex-executivo, Yael Eisenstat, que trabalhou para melhorar o processo de anúncios políticos, escreveu no Post que a controvérsia era "o maior teste para saber se colocaria de fato a sociedade e a democracia à frente do lucro e da ideologia".

Ela afirmou que notara frequentemente que os esforços da companhia para manter a própria integridade eram minados pelas "poucas vozes que decidiam no final o rumo geral da companhia".

Ao mesmo tempo, em outubro, quando o Facebook enfrentou uma carga maior de possíveis regulamentações e de problemas políticos, Zuckerberg e sua esposa Priscilla Chan foram convidados para um jantar privado com Trump na Casa Branca, como parte dos esforços do principal executivo de cultivar relações pessoais em Washington.

Frase de Bolsonaro levou a pedido de demissão de engenheiro

Quando a pandemia e a agitação civil dominaram o primeiro semestre de 2020, Trump continuou recorrendo às plataformas da rede social para espalhar a desinformação. Ele exaltou a droga hidroxicloroquina, ainda não testada como possível cura para o coronavírus, e declarou sem apresentar provas que o movimento antifa de extrema esquerda estava por trás da violência dos protestos no caso do assassinato de George Floyd.

Ao mesmo tempo, os funcionários do Facebook começaram a contestar as decisões da companhia. Dois meses antes do post de Trump sobre os saques, o presidente brasileiro postou uma mensagem sobre a população indígena do seu país, afirmando: "Não há dúvida de que os índios estão mudando. Cada vez mais estão se tornando seres humanos como nós".

Thiel, o engenheiro de segurança da companhia, e outros funcionários afirmaram internamente que isto violava as diretrizes internas da companhia contra o "discurso desumanizante". Eles estavam se referindo às próprias palavras de Zuckerberg, quando testemunhou no Congresso em outubro, e disse que o discurso desumanizante "é o primeiro passo para a incitação" à violência. Na correspondência interna, Thiel fala que isso não podia ser uma referência positiva para a integração. Thiel saiu enojado.

Em maio, depois de anos de debates internos, o Twitter optou por ir na direção oposta. Ele rotulou dois tuítes enganadores de Trump sobre o voto por e-mail com o rótulo de fato a ser verificado. Trump respondeu dois dias mais tarde com um decreto que prejudicaria as companhias da rede social, retirando a exceção fundamental que limita sua responsabilidade pelo conteúdo postado em seus sites.

No dia seguinte, Trump tuitou sobre os protestos em Minnesota. O Twitter rapidamente rotulou o tuite por violação das normas sobre a exaltação da violência, e o Snapchat parou de promover a conta de Trump na semana seguinte. O YouTube disse ao Post que considera que os políticos devem obedecer às mesmas normas de qualquer outra pessoa.

O Facebook, por outro lado, preferiu romper com a Casa Branca, pedindo a eliminação ou uma mudança, disseram as fontes. Axios foi a primeira a noticiar o pedido, o que foi confirmado ao The Post por Bounds, do Facebook.

Enquanto os funcionários brigavam nos conselhos de mensagens internas e externas no Twitter, Zuckerberg disse à sua equipe que a política do Facebook poderá mudar novamente em função do post de Trump. A companhia tem regras que permitem que "o estado use a força", ele disse, mas elas são vagas e não incluem a possibilidade de que tais pronunciamentos assinalarem agressão.

A equipe de Bickert planejou encontros sobre política para as semanas seguintes. Em junho, o Facebook tirou os anúncios de campanha de Trump com simbolismo nazista depois que uma primeira avaliação interna concluiu que os anúncios não infringiram a política da companhia, segundo documentos vistos pelo Post. Nas reuniões, executivos de alto escalão afirmaram que se não fossem retirados dariam a entender que a companhia estava correspondendo excessivamente aos interesses do presidente, segundo uma pessoa a par das discussões.

Na semana passada, o boicote dos anunciantes aumentou. Hershey, Verizon, Unilever, Coca-Cola e outras companhias disseram que estavam retirando temporariamente os seus anúncios.

Na sexta-feira, Zuckerberg disse aos funcionários em um pronunciamento ao vivo que estava mudando a política da companhia e rotularia como conteúdo de interesse problemático quando violasse as normas da companhia como o Twitter faz, uma considerável concessão em meio às críticas crescentes. Ele disse também em seus termos mais explícitos até o momento, que a companhia retirará os posts de políticos que incitam à violência e a supressão da votação. Mesmo assim, os líderes dos direitos civis afirmaram que suas declarações não foram tão longe quanto deveriam. "Não há nenhuma exceção para os políticos em qualquer uma das normas que anunciei hoje", afirmou Zuckerberg. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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Estadão
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