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YouTube e Spotify são a próxima fronteira para o combate às fake news

Agências de checagem publicam cartas pedindo que YouTube e Spotify adotem medidas mais eficazes contra notícias falsas

13 jan 2022 16h20
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Cientistas e médicos do mundo todo travam batalhas diariamente para combater a desinformação sobre a COVID-19. O problema é tão sério que plataformas como Facebook e Twitter implementaram políticas para coibir fake news sobre o assunto. Mas agências de checagem de fatos indicam que há plataformas que ainda falham em tratar do problema, com destaque para o YouTube e o Spotify.

Aplicativo do YouTube
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Foto: Hello I'm Nik/Unsplash / Tecnoblog

Não que notícias falsas se limitem aos acontecimentos relacionados à pandemia. Elas também seguem motivações políticas, sociais e religiosas, por exemplo. Mas a desinformação sobre a COVID-19 tem um agravante óbvio: pode dificultar o combate à doença e, consequentemente, causar mortes.

Por meio de parcerias com agências de checagem de fatos e mudanças em algoritmos, Facebook e Twitter tentam diminuir o alcance de fake news em suas plataformas. Essas medidas não são totalmente eficazes — para você ter ideia, o Twitter foi questionado recentemente pelo Ministério Público Federal sobre fake news no Brasil —, mas representam algum esforço.

Agências de checagem enviam carta ao YouTube

No YouTube, a situação é mais preocupante. Uma carta aberta assinada por mais de 80 agências de checagem de fatos acusa a plataforma de hospedar conteúdo de grupos que espalham desinformação sobre a COVID-19.

Sim, o YouTube também tem políticas de combate a notícias falsas, mas as agências as consideram insuficientes. Direcionada a Susan Wojcicki, CEO da plataforma, a carta informa o seguinte:

A plataforma da sua empresa tem enquadrado discussões sobre desinformação como uma falsa dicotomia entre apagar ou não apagar conteúdo. Ao fazer isso, o YouTube está evitando a possibilidade de executar o que comprovadamente funciona: nossa experiência com checagem de fatos junto a evidências acadêmicas nos mostra que trazer à tona informações verificadas é mais eficaz do que excluir conteúdo.

De modo geral, os grupos pedem que o YouTube adote quatro medidas:

  • Assuma o compromisso de apoiar pesquisas independentes contra campanhas de desinformação na plataforma;
  • Disponibilize recursos para que vídeos com desinformação possam ser refutados;
  • Ajuste o algoritmo da plataforma para evitar que infratores reincidentes tenham seu conteúdo promovido;
  • Se esforce para combater notícias falsas em vídeos com idioma diferente do inglês.

Spotify também está na mira

O Spotify também recebeu uma carta aberta recentemente, esta assinada por um grupo com cerca de 270 médicos, enfermeiros, cientistas e educadores. Eles pedem que o serviço assuma a "responsabilidade de mitigar o espalhamento de desinformação".

Aplicativo do Spotify
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Foto: Mildly Useful/Unsplash / Tecnoblog

A carta tem relação com um podcast publicado no Spotify em 31 de dezembro de 2021. Nele, Joe Rogan — um podcaster com mais de 11 milhões de ouvintes — entrevistou Robert Malone, um cientista que afirma ser criador da tecnologia de mRNA (não há comprovação sobre isso), mas agora é cético sobre as vacinas que a utilizam.

No episódio, Malone fez alegações infundadas sobre a COVID-19, entre elas, a de que o presidente Joe Biden ocultou informações de que a ivermectina é válida no tratamento da doença (não é).

Um trecho da carta diz o seguinte:

Ao permitir a propagação de afirmações falsas e socialmente nocivas, o Spotify possibilita que as mídias hospedadas prejudiquem a confiança do público sobre a pesquisa científica e semeie dúvidas sobre a credibilidade das orientações baseadas em dados oferecidos por profissionais da saúde.

Em vez da eliminação imediata do episódio em questão, a carta pede ao Spotify para estabelecer uma política oficial de combate a fake news que, como tal, responsabiliza os criadores de podcasts pelo conteúdo de seus episódios.

O posicionamento do YouTube

O YouTube não deixou claro se irá implementar as medidas requisitadas na carta, mas informou que trabalha com editores internacionais para adicionar painéis informativos em vídeos controversos e que pretende expandir essa abordagem.

O serviço também declarou que já possui políticas de combate a notícias falsas sobre COVID-19. Ainda de acordo com a plataforma, as medidas adotadas fizeram o consumo de conteúdo com desinformação ser inferior a 1% sobre todas as visualizações de vídeos no YouTube.

Já o Spotify não respondeu aos pedidos para comentar o assunto, mas o The Guardian lembra que, em ocasiões anteriores, a plataforma removeu episódios de podcasts com informações falsas sobre COVID-19.

Com informações: CNET, The Guardian, Mashable.

YouTube e Spotify são a próxima fronteira para o combate às fake news

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