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Windows 11: sistema promove reforma visual, mas avanços são tímidos

Inspirada em telefones celulares, plataforma ainda não transforma o uso de PCs

29 nov 2021 05h04
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Windows 11 é a nova versão do sistema operacional da Microsoft 
Windows 11 é a nova versão do sistema operacional da Microsoft
Foto: Microsoft/Divulgação / Estadão

Seis anos depois do Windows 10, o sistema operacional da Microsoft ganhou nova versão - desde o dia 5 de outubro é possível baixar gratuitamente o Windows 11. Segundo a empresa criada por Bill Gates, o objetivo da nova plataforma é colocar o usuário no centro da experiência por meio de uma interface mais amigável - ainda que isso não acrescente ganhos de performance das máquinas.

Considerando que o Windows estabeleceu uma certa tradição de alternar edições boas e ruins, o Estadão testou o Windows 11 nas últimas semanas em dois computadores de configurações diferentes para ver se a troca vale a pena - em tese, o Windows 11 faria parte da geração "ruim", já que o Windows 10 foi elogiado.

Uma das máquinas já contava com o Windows 11 de fábrica e a outra foi atualizada manualmente, pois cumpria os requisitos mínimos para receber a nova interface. Antes de tudo, vale lembrar: o sistema acabou de ser lançado e, como normalmente acontece nessas situações, pode sofrer com alguns bugs.

Como instalar

Entre as exigências da Microsoft para atualizar o Windows 11 estão um processador dual-core de 1GHz, 4 GB de memória, 64 GB de armazenamento interno e compatibilidade com o TPM 2.0. TPM é a sigla para Trusted Platfrom Mode, um equipamento interno do computador que gerencia a comunicação entre hardware e software de forma confiável.

Apesar de a presença de um processador dual core de 1GB ser um requisito considerado básico e presente até mesmo em computadores de entrada, máquinas não tão antigas já não apresentaram compatibilidade com o Windows 11. É possível verificar se seu computador possui os pré-requisitos básicos utilizando o aplicativo PC Health Check, da Microsoft.

Para as máquinas que atendem as exigências da fabricante, o processo é simples: bastou baixar o arquivo do Windows 11 no próprio site da Microsoft e o assistente de instalação trabalha de forma automática.

Já na instalação, o visual do Windows 11 é mais amigável - as coisas não ficam mais tão aglutinadas como na versão anterior, que tinha a Cortana como elemento central do processo. A assistente virtual da Microsoft, aliás, é uma das ausências mais notáveis no Windows 11. Ela não vem habilitada por padrão, embora seja possível acioná-la com um longo caminho. Essa ausência é um sinal claro de que a companhia não pretende seguir na disputa por assistentes de voz, deixando o caminho mais aberto para Google, Apple e Amazon.

Teams recebe atenção especial

Enquanto a Apple tem o Facetime e o Google aposta no Meet, a Microsoft decidiu empoderar o Teams. Talvez, a atenção maior dada a seu mensageiro seja um dos maiores legados da mudança de uso de apps de conversa na pandemia - a aposta é que as reuniões e bate-papo virtuais sigam sendo muito utilizadas tanto no modo pessoal como no corporativo.

Assim, o acesso ao app foi muito facilitado por meio de um ícone na barra de tarefas. Ele abre como uma pequena barra e mostra, no topo, os contatos favoritos e, acima deles, dois botões de ação - reunir-se e chat. Se precisar pesquisar por outros contatos, basta utilizar a barra de rolagem. Quando você clica no contato que deseja chamar, abre uma janela de bate-papo e a conexão será solicitada.

O Teams é uma ferramenta corporativa, mas a intenção no Windows 11 é torná-lo um programa de uso pessoal - isso pode justificar a ausência das principais ferramentas empresariais do programa. Porém, seria mais interessante ver a integração desses recursos.

Assim, a integração facilitou para quem usa, mas é ainda mais fácil continuar usando o WhatsApp ou Facetime. A Microsoft ainda vai precisar trabalhar na ferramenta.

Experiência de celular

Visualmente, é difícil não notar a inspiração do Windows 11 em outros sistemas operacionais, como o MacOS e o ChromeOS - as semelhanças estão nos ícones da barra de tarefas centralizados, na barra de widgets que ganhou um redesenho e no botão de acesso a informações de conectividade. Contudo, o que o Windows 11 traz de principal característica é aproximar usuários da experiência de uso de smartphones, diminuindo o fosso que sempre separou os sistemas de PCs daqueles presentes em celulares.

Há um motivo para isso: ficando mais próximo de sistemas operacionais móveis, o Windows absorve melhor pessoas cujo primeiro contato com a tecnologia é feito na tela do celular, diferentemente de gerações anteriores que migraram do computador para o smartphone. Tornar o sistema mais amigável para os mais jovens é fundamental para manter mais usuários para a plataforma.

A primeira visão ao abrir a tela inicial do Windows é a centralização da barra de tarefas, e essa talvez seja a mais impactante de todo o sistema. Mas calma: para quem prefere o design das versões anteriores, é possível voltar para o alinhamento à esquerda clicando com o botão direito sobre a barra.

Novos menus

Ao clicar no botão Windows vem a segunda grande mudança: a reorganização do menu Iniciar, com as recomendações e o novo modo de desligamento do computador. No Windows 10 bastava usar a barra de rolagem para chegar ao programa desejado. Agora, é possível fixar as aplicações mais utilizadas e, se precisar de mais, os programas restantes ficam disponíveis ao clicar em "Todos os aplicativos". Num nível abaixo ficam as recomendações, seja de apps ou documentos e, por fim, a opção pessoas e o painel de desligar.

Já o menu de contexto, aquele que é aberto ao clicar com o botão direito do mouse sobre um arquivo, foi bastante modificado. Ele perdeu o ar sisudo das versões anteriores, com um empilhado de opções em texto sob uma caixa cinza. Os comandos de recortar, copiar, colar, renomear, compartilhar e excluir ficam acima das demais opções, representadas por ícones e mais próximas do cursor do mouse. As demais opções também contam com desenhos representativos, que facilitam a experiência e a memorização.

Já a zona de ações rápidas, que fica alocada no canto inferior direito da barra de tarefas, lembra muito o painel de controle do Android ou mesmo do iOS. O acesso a esses menus era mais difícil no Windows 10, especialmente para notebooks com tela sensível ao toque, já que o uso sem caneta requer mais precisão. Agora, é só clicar em um dos três ícones representativos - Wi-Fi, som e bateria - que você tem acesso a todas as ações rápidas.

Para deixar o sistema ainda mais parecido com a experiência móvel, a Microsoft aprimorou o painel de calendário e notificações - que é acessado ao clicar sobre data e hora. Agora, há também um ícone que dá acesso direto aos widgets, que lembra bastante o feed do Google Discover, ou a própria página de widgets do iOS 15. Até então, os widgets não tinham um espaço próprio no sistema.

Mudanças nos ícones e esquema de navegação

O redesenho dos ícones e a proposta de uma navegação com menos texto passa pelo Explorador de arquivos e pela loja da Microsoft. No primeiro caso, houve uma grande redução na quantidade de opções visíveis no menu superior. O espaçamento entre as linhas parece maior, e dá para ver uma renovação nos ícones também, mas nada que mude o comportamento do programa. O mesmo vale para o campo de pesquisa na tela inicial do sistema, que se aproveita do design de cantos arredondados.

Já a loja de apps do Windows passou por uma mudança leve de layout, mas ainda sofre com problemas de curadoria, que acabam misturando aplicativos úteis com outros pagos que não têm grande usabilidade. Por exemplo, há um guia para o Firefox, por R$ 22,45, enquanto o navegador em si não está por lá.

Android no Windows, mas não agora

A Microsoft promete trazer apps do Android para o Windows, mas esse recurso ainda não está liberado. Quando isso acontecer, ele esbarrará em um problema de concorrência. Como o Android pertence ao Google, os apps estarão disponíveis para download na Amazon App Store, obrigando os usuários a ter também uma conta na empresa de Jeff Bezos.

O painel de controle também foi remodelado, mas o resultado não foi bom. A parte de configurações ganhou novo design. Mas algumas funções não estão ali - por sorte, o "velho" Painel de Controle ainda está disponível na busca do sistema. A necessidade de melhorias fica clara na função Programas, para desinstalar ou reparar um aplicativo: ela ainda tem um CD como imagem representativa.

Produtividade turbinada

Para quem precisa de mais produtividade, a Microsoft ajudou a vida de quem usa mais de um programa ao mesmo tempo. Antes, para adequar um programa a uma fração da tela, você precisava utilizar atalhos do sistema. Agora, é só repousar o mouse no comando maximizar e o próprio Windows se encarrega de sugerir um espaço. Porém, esse comando não funciona bem com mensageiros, por exemplo.

O recurso de desktops virtuais, que permite ter áreas de trabalho distintas para diferentes perfis de uso, também foi remodelado de olho na produtividade. Logo depois do menu Iniciar e da Pesquisa, há um ícone com janelas sobrepostas. Basta passar o mouse sobre ele e já aparecem as opções de área de trabalho. Com a interface visualmente mais atraente, a utilização de diferentes áreas de trabalho fica mais fácil.

Entre todas as mudanças, uma que decepcionou foi o modo escuro. Várias aplicações do próprio sistema, como o Paint, ainda não possuem suporte a essa opção. A empresa precisará fazer atualizações para que ele, de fato, seja funcional.

Faz diferença atualizar?

O Windows 11 lapidou algumas melhorias visuais no sistema já trazidas pela versão anterior e buscou diminuir o abismo entre a experiência de PCs e celulares. Seu principal foco é se tornar atrativo para quem usa mais dispositivos móveis.

Porém, as melhorias visuais - ainda incompletas, vale dizer - não se refletiram em ganhos de performance. Testes de benchmark para comparar o Windows 10 e o Windows 11 mostram um empate técnico entre as plataformas. Claro que a pontuação de cada avaliação leva em conta a máquina em que o teste é feito, mas os resultados mostram que quem atualizar seu PC não terá no sistema operacional um aliado pelo melhor desempenho em jogos ou no uso geral.

O Windows 11, no estágio atual, guarda mais características da versão anterior do que o Windows 10 tinha das versões 7 e 8. Ou seja: daria até para chamá-lo de "Windows 10s". O momento ideal da atualização será o da chegada do suporte aos apps de Android e do DirectStorage - API da família DirectX que leva a um carregamento mais rápido de jogos graças a uma leitura veloz de dados. Ainda não há data divulgada para que isso ocorra.

As mudanças promovidas pelo 11 são mais visuais e, como a atualização é gratuita, não há motivo para não atualizar. Contudo, se a sua máquina não cumpre os requisitos mínimos, também não há motivos para correr atrás de um novo equipamento. A Microsoft oferecerá suporte ao Windows 10 até 2025.

Estadão
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