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Windows 10X e o acerto da Apple em não unificar SOs

Possível cancelamento do Windows 10X justifica decisão da Apple, que se recusou a fundir o macOS e o iPadOS em seus dispositivos

12 mai 2021 12h17
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O Windows 10X deveria ser uma versão do SO da Microsoft voltada a laptops de entrada e intermediários, ou dispositivos de duas telas, mirando especificamente no Google Chrome OS e a linha Chromebook. "Deveria", porque ao que tudo indica, o produto foi cancelado antes mesmo de dar as caras.

A estratégia de oferecer um mesmo sistema para vários dispositivos, importando vícios embarcados do Windows, contrasta com a decisão da Apple em negar veementemente a possibilidade de um dia fundir o macOS aos seus sistemas móveis, em especial o iPadOS.

Surface Neo pode nem dar as caras afinal
Surface Neo pode nem dar as caras afinal
Foto: Divulgação/Microsoft / Meio Bit

A Microsoft nunca explicou o que o Windows 10X viria a ser, mas a princípio  ele deveria ser voltado à execução em dispositivos de duas telas, como o  Surface Neo, em que ele deveria ser introduzido. O sistema operacional rodaria apenas apps UWP (Universal Windows Platform), os distribuídos pela Microsoft Store, mas eventualmente receberia uma atualização que adicionaria o suporte a programas Win32/x86 tradicionais.

De  resto, o software vinha sendo planejado para ser uma versão mais simples e leve do Windows 10, mirando o mercado de dispositivos de baixo custo, em que a linha Chromebook se destaca, principalmente por hoje em dia suportar a instalação de apps e jogos do Android, via Google Play Store.

O Surface Neo poderia ser usado de dois modos, sendo um com suporte a teclado e mouse físicos, e outro como um laptop comum,  com a segunda tela habilitando teclado e trackpad virtuais, teclado de emojis, atalhos para vídeos e fotos, menus de contexto e etc, de forma similar à Touch Bar do MacBook Pro.

O Windows 10X teria passado por uma série de ajustes por parte da Microsoft, o que vinha atrasando o lançamento do Surface Neo cada vez mais. Agora, segundo um relatório do site Petri publicado na última sexta-feira (7), a companhia teria decidido por matar a versão do SO de uma vez, passando algumas de suas características, como um Menu Iniciar remodelado e modificações no Explorador de Arquivos, para a atualização Sun Valley (21H2) do Windows 10, que deverá ser lançada até o fim de 2021.

O Surface Neo, por sua vez, deverá ser lançado com o Windows 10 mesmo, ou mais provável, ser cancelado em definitivo.

Características do Windows 10X deverão ser absorvidas pela versão tradicional
Características do Windows 10X deverão ser absorvidas pela versão tradicional
Foto: Divulgação/Microsoft / Meio Bit

Esta não é a primeira vez que a Microsoft tenta "resumir" o Windows para implementar o sistema em outros dispositivos. A lista inclui o Windows Phone ao Windows 10 Mobile, sistemas para dispositivos móveis que sofreram com uma estratégia desastrada de atualizações, e também o Windows RT, voltado para computadores com processadores ARM, como o Surface RT. Este desagradou o público por não suportar apps x86, apenas os da Microsoft Store.

O que a Microsoft nunca entendeu, é que consumidores de computadores esperam que o Windows, independente da versão, sempre rode apps tradicionais, ao invés de depender apenas dos distribuídos pela loja digital, e dessa forma, a estratégia de limar os softwares x86 foi muito mal recebida.

A empresa continua com planos de manter a compatibilidade do Windows 10 com  dispositivos ARM, dada a parceria com a Qualcomm, mas muito provavelmente, a compatibilidade com apps x86 não vai ser jogada fora tão cedo por mais que tentem, simplesmente porque o consumidor  sabe o que esperar de um Windows.

A associação por parte do público levou o Google a implementar o Chrome OS em computadores de entrada, mesmo podendo ter usado o Android para isso desde o início, de modo a dar o recado de que "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". A compatibilidade implementada inicialmente  com o Linux, e posteriormente com a Play Store, se deu para resolver os problemas de falta de apps que o sistema carecia.

A Apple, por sua vez, mantém a estratégia do Jardim Murado mesmo entre seus dispositivos. De um lado há o iOS, iPadOS e tvOS, sistemas respectivamente do iPhone, iPad (apenas modelos mais recentes) e Apple TV, que compartilham da maioria dos apps, salvo raras exceções. Do outro há o macOS, que só recentemente se tornou capaz de executar apps móveis, ainda que com restrições.

O contrário não se aplica, apps de macOS não são compatíveis com os demais gadgets, e ninguém em sã consciência questiona tal decisão, porque a Apple sempre deixou claro que cada caso de uso é separado. Reclamações dos usuários que gostariam que o iPad passasse a rodar o macOS foram completamente ignoradas, mesmo com o tablet hoje, especialmente a  linha iPad Pro, se aproximando muito dos MacBooks.

A estratégia "cada macaco no seu galho" da Apple pode ser a mais acertada
A estratégia "cada macaco no seu galho" da Apple pode ser a mais acertada
Foto: Divulgação/Apple / Meio Bit

Há de levar em conta também a percepção dos usuários, o que implica diretamente na escolha dos nomes para os sistemas. A Microsoft nunca conseguiu acertar completamente por conta do nome "Windows", que carrega toda a experiência de uso da versão para desktops, em que todo mundo espera que as demais versões se comportem como tal, independente se rodando em notebooks ARM ou tablets.

A Apple não se deu ao trabalho de cultivar  tais expectativas, ao invés disso, tratou de incutir a ideia da segmentação completa, em que o consumidor decide qual produto é o mais adequado para sua realidade de uso, e deverá a partir dali lidar com sua escolha.

De forma resumida, todo mundo espera que o Windows seja sempre um pato, que nada, voa e anda, e muitas vezes não alcança a excelência em nenhum dos aspectos, mas que funciona de forma satisfatória e atende às expectativas. Os problemas começaram quando Redmond decidiu portar o pato com funções a menos para outras plataformas, algo que a Apple sempre soube ser uma roubada.

Fonte: ExtremeTech

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