1 evento ao vivo

Tire suas dúvidas sobre o imbróglio entre Huawei e os EUA

Após ordem de Trump, fabricante chinesa pode ficar sem ter como usar serviços do Google ou chips de empresas americanas; entenda como isso afeta a sua vida e o mercado

21 mai 2019
15h25
  • separator
  • comentários

Há uma nova intriga no ar no mundo da tecnologia: sua protagonista é a Huawei, fabricante chinesa de smartphones e equipamentos de telecomunicações. Acusada há tempos de praticar espionagem pró-Pequim, algo que a empresa nega veementemente, a Huawei foi afetada por uma ordem publicada por Donald Trump na semana passada - o decreto não permite que companhias americanas comprem equipamentos de empresas que ameacem a "segurança nacional dos EUA", onde a Huawei se enquadra. O decreto já parece ter consequências: o Google e fabricantes de chips, por exemplo, já anunciaram restrições em suas parcerias com a chinesa.

Abaixo, entenda as principais questões sobre o caso.

Qual é o problema em que a Huawei está envolvida?

Na última quinta-feira, 16, o governo de Donald Trump publicou um decreto que restringe que empresas americanas façam negócios com companhias que "ameacem a segurança nacional" dos EUA. Há algum tempo o governo americano afirma que os produtos da Huawei são usados pelo governo chinês para espionagem. A fabricante chinesa nega veementemente todas as acusações. Essa história é um dos capítulos da guerra comercial que EUA e China vivem hoje - os dois países têm trocado imposições de tarifas a produtos dos outros.

O que o Google fez?

O Google decidiu desfazer seus laços com a Huawei. A gigante de tecnologia suspendeu negócios com a fabricante chinesa que exigem a transferência de produtos de hardware e software. Na prática, isso significa que a Huawei terá direito a usar a versão de código aberto do sistema operacional Android, mas não terá acesso aos serviços do Google como o Maps, o Gmail e a loja de aplicativos Google Play. Atualizações também estão comprometidas. O Google também anunciou que deixará de fornecer suporte técnico e colaboração para a Huawei.

Por que o Google fez isso?

A gigante de tecnologia está seguindo as restrições comercial anunciadas por Donald Trump na semana passada. Um porta-voz do Google disse que a empresa está "cumprindo a ordem e analisando as implicações".

Por que essa decisão prejudica a Huawei?

Sem poder utilizar o Android em sua plenitude, com os aplicativos do Google e a loja da empresa, a Play Store, a Huawei fica "manca" no mercado global. Na China, vale lembrar, onde o Google não pode entrar, a empresa usa uma versão simplificada do Android, apenas com o sistema operacional, mas sem os serviços da gigante americana. Segundo analistas, utilizar algo semelhante em mercados como Europa e Índia, por exemplo, deixaria a Huawei em desvantagem. Usar seu próprio sistema - algo que a chinesa tem desenvolvido nos últimos tempos - também não é uma boa estratégia, ao menos a curto prazo. Se a ordem de Trump prevalecer por muito tempo, a Huawei pode ter de se limitar apenas a vender seus celulares na China, onde hoje estão 50% de suas vendas.

Comprei um celular da Huawei. Vou ficar sem Gmail?

O Google disse que a medida não afeta os smartphones da Huawei existentes: eles continuarão a ter os serviços do Google, inclusive a loja de aplicativos Google Play. O problema que o celular pode ter é não receber mais atualizações, uma vez que toda mudança depende de aprovação do Google. É algo especialmente sensível, uma vez que muitas atualizações de sistemas são feitas por questões de segurança. Ainda não está claro como Google e Huawei vão agir nesse caso.

Os novos modelos de celulares da Huawei terão serviços do Google?

O futuro dos smartphones da Huawei é incerto: a empresa afirma que continuará vendendo seus aparelhos, mas não deu detalhes sobre como funcionarão os dispositivos. Entretanto, para os celulares terem acesso a serviços do Google, a fabricante chinesa terá que obter uma licença especial. Já ferramentas próprias dos celulares da Huawei, como a câmera potente do modelo P30 Pro, recentemente lançado no Brasil, não serão afetadas pela decisão do Google.

Como a decisão do Google afeta o mercado global de smartphones?

A Huawei é hoje a segunda maior fabricante de smartphones do mundo - fica atrás apenas da Samsung. Na China, a empresa é líder na venda de celulares: lá, a Huawei usa a versão livre do Android, porque os serviços do Google são proibidos. Contudo, o alcance global da marca é decisivo para Huawei passar a Samsung e liderar o mercado de smartphones no mundo. Quase metade dos 208 milhões de telefones que a Huawei vendeu em 2018 foi para fora da China continental: a Europa é o mercado externo mais importante, com 29% de participação no mercado no primeiro trimestre de 2019, segundo a consultoria IDC. Resta saber qual é o plano da Huawei para sustentar esse mercado sem os serviços do Google. Na visão de analistas, empresas chinesas como Xiaomi e One Plus podem se dar bem no mercado internacional, caso a Huawei tenha de bater em retirada. Aqui no Brasil, a tendência é que Samsung e Lenovo, que concentram mais de 70% do mercado nacional, sigam na ponta.

As fabricantes de chips norte-americanas também devem cortar relações com a Huawei. Como isso impacta o mercado?

A Huawei depende bastante dos chips norte-americanos e será bastante prejudicada com essa proibição comercial. As fabricantes de chips norte-americanas também serão afetadas: a Intel é a principal fornecedora de chips para a Huawei, e a Qualcomm oferece seus processadores para vários smartphones da fabricante chinesa. Nesta segunda-feira, 20, as ações das principais empresas de chips do planeta operaram em queda.

Como a ordem de Donald Trump pode afetar o desenvolvimento da tecnologia 5G?

Hoje, a Huawei é considerada a empresa que está mais avançada no desenvolvimento da tecnologia de 5G, à frente de marcas europeias como Nokia e Ericsson, por exemplo. Sem poder comprar equipamentos da chinesa, as operadoras americanas podem ter atrasos no desenvolvimento do 5G. Além disso, o governo de Donald Trump tem exercido pressão internacional para que outros países, como o Reino Unido e os membros da União Europeia, também proíbam o uso de equipamentos da Huawei por questões de segurança. Se isso acontecer, é bastante possível que os planos de desenvolvimento do 5G sejam afetados. Há ainda quem justifique que a perseguição de Trump à Huawei tem motivos geopolíticos: ele não quer que os EUA fiquem para trás da China no desenvolvimento da tecnologia 5G, o que poderia afetar a economia do país.

Estadão
  • separator
  • comentários
publicidade