2 eventos ao vivo

Startup de hospedagem Oyo demite 1,8 mil pessoas na China e na Índia

É mais uma startup ligada ao grupo japonês SoftBank a fazer cortes nas últimas semanas

10 jan 2020
19h37
atualizado às 19h46
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

A startup de hospedagem Oyo demitiu 1,8 mil pessoas em seus escritórios na China e na Índia. Segundo a Bloomberg, a empresa indiana eliminará 5% dos seus 12 mil postos na China e 12% dos 10 mil funcionários na Índia. Segundo a reportagem, o obejtivo dos cortes é eliminar redundâncias de cargos entre os dois países e também dispensar funcionários com performance tidas como ruim. Em nota, a Oyo disse: "continuamos a ser um dos melhores lugares para trabalhar, e uma das razões principais é a nossa capacidade de consistentemente premiar e reconhecer as performances individuais de maneira meritocrática".

Fundada em 2013 pelo indiano Ritesh Agarwal, a Oyo funciona de forma diferente às principais startups de hospedagem do mundo. Em vez de oferecer comparações de preços (como fazem Booking e Trivago, por exemplo) ou habitações de pessoas comuns (como o Airbnb), a companhia tem como estratégia fazer parcerias com hotéis já existentes em grandes e pequenas cidades do mundo todo.

Ao entrar na rede da Oyo, os estabelecimentos entram em um "padrão de qualidade" mínimo da empresa e passam a aceitar reservas apenas dentro do site e do aplicativo da startup. No ano passado, ao receber uma rodada de aportes de US$ 1,5 bilhões liderada pelo SoftBank, a empresa foi avaliada em US$ 10 bilhões, sendo considerada um "decacórnio" - apelido dado a empresas que superam a cotação de US$ 10 bilhões no mercado privado.

Pouco após a rodada, a empresa fez seu maior investimento nos Estados Unidos até aqui, comprando por US$ 135 milhões o hotel Hooters Cassino, um dos mais tradicionais de Las Vegas, em parceria com a empresa de imóveis americana Highgate.

No entanto, ao mesmo tempo em que a empresa tem expandido suas operações pelo mundo, ela também tem sido criticada por fazer falsas promessas a donos de hotéis ao redor do mundo - reportagem recente do The New York Times mostrou, por exemplo, estabelecimentos hoteleiros à beira da falência após a parceria com a Oyo não entregar os resultados esperados.

Assim como o ocorreu com a Rappi nesta quinta, 9, os cortes na Oyo acontecem num contexto global de reestruturação do grupo japonês SoftBank, que em novembro do ano passado registrou o primeiro prejuízo trimestral em 14 anos após o fracasso da abertura de capital do WeWork - o SoftBank foi forçado a gastar em outubro passado mais de US$ 10 bilhões para resgatar a startup de compartilhamento de escritórios.

Reestruturação

Nas últimas semanas, uma série de startups que receberam aportes do grupo japonês fizeram demissõe ou mudaram o modelo de negócios. Nesta semana, por exemplo, a americana Zume, startup de robôs pizzaiolos e que levou US$ 375 milhões do SoftBank, demitiu 80% dos funcionários. A Getaround mandou embora 25% dos funcionários. Entre os nomes menos conhecidos, Wag Labs, Fair e Brandless também fizeram cortes ou ajustes nos modelos. Em novembro, o WeWork anunciou que mandaria embora 2,4 mil pessoas.

Na quinta, a Rappi anunciou que fará um corte de 6% em todo o mundo, incluindo demissões no Brasil. Procurado pelo Estado, o SoftBank não se pronunciou sua ligação nos cortes - apenas no caso da Rappi, a startup afirmou que o grupo não tem participação na decisão.

Paralelamente às startups, o SoftBank também tem tido dores de cabeça com empresas que já abriram capital. A empresa ainda tem ações do Uber, que promoveu rodadas de demissões durante 2019. Mais de 1,5 mil postos foram cortados para remediar o fracasso da abertura de capital e dos prejuízos seguidos.

Veja também:

Veja como funciona a Bixby, assistente de voz da Samsung
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade