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Sorteios de dinheiro viram a nova onda do Instagram nos EUA

Influenciadores prometem quantias em torno de US$ 5 mil a fãs; tática é nova forma de contas ficarem populares

2 mai 2020
05h11
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Em 18 de março, enquanto os Estados Unidos começavam a mandar trabalhadores de serviços não essenciais para casa e as empresas já se preparavam para cortes de custo e demissões, a influenciadora fitness Paige Hathway postou uma mensagem para seus 4 milhões de seguidores no Instagram. "Sei que a vida é difícil com a quarentena, principalmente para os que não podem trabalhar, por isso eu quis dar um presente a alguém que irá receber US$ 5.000", ela escreveu. Deletado do Instagram após a publicação desta reportagem, o post mostrava Paige distribuindo uma pilha de notas de US$ 100.

Seus fãs começaram a indicar amigos, comentando que precisam desesperadamente de dinheiro. "Eu poderia usar um milagre neste minuto," escreveu uma mulher. Vários usuários enviaram emojis de oração. Enquanto o coronavírus continua destruindo vidas e empregos americanos, o Instagram está sendo inundado de presentes em dinheiro vivo como o de Paige. Astros de reality shows, influenciadoras e até rappers estão entrando na onda.

Para os mais de 26 americanos residentes que solicitaram salário-desemprego nas últimas cinco semanas e outros milhões que lutam para cobrir custos imprevisíveis, como contas para tratamento de saúde e semanas de compras de alimentos de uma só vez, este dinheiro poderia ser uma salvação. Mas embora sejam considerados esmolas, estes presentes fazem parte de um modelo de crescimento que invadiu o Instagram.

Paige, por exemplo, recebeu milhares de dólares pela empresa de marketing na rede social Social Stance para promover as doações no seu blog. Participantes em potencial foram instruídos a seguir uma lista de cerca de 70 contas que a Social Stance estava promovendo. A companhia cobrou US$ 900 por uma vaga na lista. Quem adquiriu vagas de "patrocinadores" poderiam ganhar milhares de novos seguidores da noite para o dia.

"Se você conta para as pessoas que elas podem ganhar 50 mil seguidores em três dias, elas irão fazer isto", disse Nathan Johnson, de 19 anos, que ajuda astros do YouTube e do TikTok a organizar distribuições de dinheiro. O negócio que ele dirige com seu amigo Carter, de 16 anos, é simples: eles pagam um grande influenciador uma determinada quantia adiantada para "hospedar" uma distribuição de dinheiro, depois viram para o outro lado e vendem vagas de listas seguintes para lucrar.

"Os empreendedores compram vagas para ganhar seguidores a fim de vender os seus produtos ou e-books", disse Johnson. "Modelos fazem isto para ganhar seguidores a fim de aumentar os contratos e cobrar mais para negócios com marcas. Os médicos adotaram isto para obter credibilidade e promover sua marca pessoal".

As distribuições de dinheiro pelo Instagram existem há anos. Surgiram por volta de 2016, quando pequenas empresas e blogueiros começaram a hospedar doações "em looping". Para entrar, você teria de seguir um grupo de pessoas, ou "loop", e depois voltar para a página da pessoa original e comentar. As distribuições em looping frequentemente não têm patrocinadores e existe uma colaboração entre influenciadores.

Mas no verão do ano passado, começou a surgir a primeira grande onda de distribuições com patrocinador. Na época, a maioria das estrelas dava coisas como bolsas Louis Vuitton, mas agora todo mundo está doando dinheiro. "Na realidade, as pessoas precisam mais de dinheiro do que de bolsas, e em termos logísticos é mais difícil tirar uma foto com a celebridade e a bolsa quando todo mundo está trancado em casa", comentou Warwick.

Com muitos acordos com marcas e viagens patrocinadas parados por causa do vírus, as doações proporcionaram aos grandes influenciadores uma maneira de ganhar pesado. "Se você fica sabendo que pode ganhar US$ 20 mil postando uma distribuição de dinheiro no Instagram, provavelmente fará isto", disse Johnson.

A compra de vagas de patrocinadores nas distribuições também se tornaram a maneira mais rápida e mais barata de crescer no Instagram. "De repente, você consegue este monte de seguidores", disse Thomas Connelly, dentista cosmético que adquiriu vagas em distribuições das Kardashian. "O que fazem estas campanhas de distribuição é forçar a exposição aos seres humanos ao vivo. Depois, estas pessoas podem escolher se querem continuar seguindo".

Jordan Lintz, fundador da HighKey Clout, uma das maiores companhias de distribuições do Instagram, disse que não gosta de rotular isto de compra de seguidores. "É como patrocinar um evento na internet", afirmou. As próximas distribuições são anunciadas na sua página verificada do Instagram, enquanto vencedores passados e resultados de campanhas são mostrados principalmente no site da companhia.

Nem todas as distribuições são conduzidas com o mesmo grau de transparência. "Muitas páginas de memes fazem falsas distribuições neste momento", disse Johnson. "Alguns influenciadores também". Johnson afirmou que uma distribuição legítima anunciará sempre e indicará um vencedor. Liraz Roxy, influenciadora digital de Los Angeles, disse que se recusou a participar de distribuições patrocinadas. "É uma coisa meio obscura," afirmou.

Um porta-voz do Facebook, dono do Instagram, alertou que muitas distribuições de dinheiro podem infringir as diretrizes da comunidade de uma companhia. "Este não é o tipo de experiência que queremos criar no Instagram", afirmou o porta-voz por e-mail.

Além disso, segundo Robert Freund, advogado que oferece cursos de treinamento em direito para influenciadores, muitos destes eventos poderiam infringir as leis referentes a concursos de um estado. "Há muitas leis estaduais, federais e municipais que regulam o espaço promocional dos concursos e há considerações especiais quando você faz promoções online com influenciadores". / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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Estadão
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