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Sistema de votação do BBB 21 ajuda a fortalecer inteligência artificial

Recurso do captcha utiliza votos do público para reconhecer objetos e treinar IA

4 mar 2021
17h01
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Ao colocar milhões de pessoas votando nos paredões, inteligência artificial é fortalecida no reconhecimento de imagens
Ao colocar milhões de pessoas votando nos paredões, inteligência artificial é fortalecida no reconhecimento de imagens
Foto: Reprodução/Globo / Estadão

Para muita gente, o Big Brother Brasil não engrandece a inteligência humana. Mas, certamente, depois de paredões com centenas de milhões de votos (ou até um bilhão, como no ano passado), o programa pelo menos deixará a inteligência artificial (IA) mais afiada.

"Reconheça as bicicletas nas imagens". Quem já votou no BBB 21 sabe: o sistema pede que você faça tarefas um tanto quanto tediosas para comprovar que não é um robô, o que ajuda a prevenir distorções nas votações dos paredões da casa mais vigiada do País. O nome disso é captcha, acrônimo em inglês para teste de diferenciação de humanos e máquinas — uma versão automatizada do Teste de Turing, inventado pelo pai da computação após a 2.ª Guerra Mundial.

"Para provar que você é uma pessoa, o captcha usa coisas típicas de um humano, como saber ler ou reconhecer objetos em imagens", explica o professor da Universidade de São Paulo em São Carlos (USP) Fernando Osório, membro do Centro de Inteligência Artificial da USP.

Formas de captchas comuns na internet são decodificar letras invertidas ou distorcidas, resolver operações matemáticas ou reconhecer objetos em imagens, tarefas que máquinas não conseguem realizar hoje. É isso que o BBB usa para impedir que o público coloque máquinas para inflar os números dos paredões.

O captcha é uma forma de diferenciar máquinas e humanos
O captcha é uma forma de diferenciar máquinas e humanos
Foto: Reprodução/Wikicommons / Estadão

Já que as máquinas não têm a capacidade de realizar bem essas tarefas, empresas de IA tentam treinar os sistemas para que consigam superar essas defasagens. E o melhor treinamento é colocar pessoas para supervisionar o aprendizado da IA, que precisa de centenas de milhões de processos idênticos para entender o que é uma bicicleta, um barco, um semáforo, uma bola ou um copo, por exemplo. "Para provar que é humano, você tem que reconhecer objetos. Mas, ao mesmo tempo, você vira professor de uma IA que um dia vai substituir você nessa tarefa", afirma Osório.

Esse processo, no entanto, é custoso porque exige uma grande quantidade de participantes. Exemplo disso é o Amazon Mechanical Turk, da gigante varejista, cujo modelo de negócio é pagar humanos para fazer processos para os quais os computadores não são capazes, como moderar conteúdo de redes sociais ou categorizar objetos. No pacote mais básico de contratação do serviço, o pagamento mínimo sai por US$ 0,01 por tarefa realizada.

O Google, por outro lado, achou uma maneira mais eficiente: usar o próprio captcha para treinar a IA. O seu produto, o reCAPTCHA, é oferecido para empresas que precisam impedir a entrada de robôs em formulários, bases de dados e outros acessos. E aí está o pulo do gato: as próprias pessoas ajudam a categorizar esses conteúdos. Tudo, claro, sem remuneração nenhuma para quem realiza a atividade.

"O Google criou o reCAPTCHA com o objetivo de diferenciar humano de máquina, mas eles estão usando pessoas para treinar a IA para fazer o que o humano hoje faz", afirma Osório. Ou seja, conforme a IA vai superando barreiras do captcha, a ferramenta tem de ficar cada vez mais refinada para cumprir sua única tarefa, que é diferenciar humanos de máquinas. No BBB, o sistema usado é o hCaptcha, da empresa americana de mesmo nome, que funciona de maneira parecida com o sistema do Google.

"Quando você faz uma campanha para o BBB usando um captcha, você ganha um belo dinheiro porque economizou ao deixar de pagar pessoas para melhorarem o seu sistema de inteligência artificial", acrescenta o professor da USP.

No fim das contas, a diversão e correria para votar no BBB pode colocar os humanos no paredão. Talvez, seja a hora de ler um livro.

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Estadão
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