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Samsung apresenta tela de smartphone dobrável

Componente é feito de polímero flexível e deve aparecer em aparelhos a partir de 2019

7 nov 2018
18h16
atualizado em 8/11/2018 às 11h04
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A Samsung revelou ontem a sua primeira tela dobrável para smartphones. O dispositivo, que lembra um livro, foi apresentado durante a conferência para desenvolvedores da companhia, em São Francisco. A fabricante não deu previsão de quando vai lançar os primeiros celulares com a tecnologia, mas disse que a fabricação em massa da tela começará nos próximos meses.

À primeira vista, quando está fechada, a Infinity Flex Display (visor de tela infinita) é semelhante à usada em um smartphone tradicional. Isso porque a parte dobrável da tela está apenas no centro do aparelho, que passa a adotar uma visão estendida quando é aberta.

Feita de polímero flexível, a novidade permite que a Samsung ganhe mais espaço: quando aberto, o aparelho passa a ter uma tela de 7,3 polegadas - o iPhone XS Max, maior e mais recente modelo premium lançado pela Apple, tem uma tela de 6,5 polegadas.

De acordo com a Samsung, a tela maior era uma exigência dos consumidores. O problema, diz a empresa, é que o design de aparelhos tradicionais estava no limite do seu tamanho e não permitiam mais a expansão. A solução foi criar um novo tipo de aparelho.

Renato Franzin, professor da USP, acredita que, se a tecnologia der certo, permitirá a criação de novos dispositivos. "Até agora nos contentávamos com telas menores ou com modelos Notes e tablets, que eram mais difíceis de carregar. Telas maiores e que cabem no bolso abrem um enorme leque de opções para os engenheiros", diz.

O especialista, no entanto, é cético em relação a durabilidade das telas flexíveis. Franzin lembra que a tecnologia não é recente e que a própria Samsung tem documentado patentes do gênero há anos. Os atrasos no lançamento das telas dobráveis para smartphones eram justificados pela falta de viabilidade de construir dispositivos flexíveis que suportassem serem aberto várias vezes ao dia.

"Desconheço materiais que aguentem o uso frequente de uma tela flexível de 90° ou mais. Entendo que abrir uma tela desse tipo em um smartphone uma vez ao dia, por um ano, é o limite hoje", frisa Franzin.

Lançamento. A apresentação do dispositivo foi feita por Justin Denis, responsável pelo marketing de aparelhos móveis da empresa. O executivo garantiu que o aparelho apresentado não será vendido pela companhia. O design rudimentar em volta da tela, diz Denis, foi propositalmente colocado para esconder as novidades nas quais a empresa trabalha.

O executivo, porém, disse que usuários do mundo inteiro poderão ver a tecnologia de tela entrar em ação no próximo Unpacked - evento reservado apara apresentações de aparelhos importantes da empresa, como o Galaxy S e o Galaxy Note. A próxima edição, que deverá ser dedicada à família S, deve acontecer entre fevereiro e março de 2019 - a empresa não revelou datas. Além disso, a sul-coreana também divulgou que vai investir US$ 22 bilhões em inteligência artificial até 2020, reforçando outro setor que deve se tornar predominante na competição pela ponta do mercado de smartphones no futuro.

Momento. A tela dobrável não foi uma surpresa para o mercado, tendo em vista que executivos de alto escalão da Samsung dizem, desde o ano passado, que lançariam smartphones com essa tecnologia neste ano.

A coreana também não será a primeira empresa do mundo a lançar um smartphone dobrável. A startup chinesa Royole anunciou na semana passada a pré-venda de seu modelo FlexPai - um celular que se fecha como uma carteira. O modelo já está em pré-venda na China por US$ 1,3 mil.

Ontem, paralelamente ao anúncio da Samsung, o Google também anunciou que as próximas versões do Android devem dar suporte às telas flexíveis. O anúncio foi visto como benéfico pelo mercado, uma vez que outras marcas que usam o sistema, como Huawei e LG, trabalham no desenvolvimento de smartphones dobráveis.

Estadão Conteúdo

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