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Receita e lucro da Microsoft aumentam 20%, mas ações despencam

Companhia teve mais um trimestre de crescimento, mas papéis tiveram queda influenciada pela alta dos juros nos EUA e pela desaceleração da divisão de serviços em nuvem

25 jan 2022 19h03
| atualizado às 19h17
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Depois de se favorecer da digitalização trazida pela pandemia, a Microsoft segue sustentando um ritmo acelerado de crescimento. Segundo relatório financeiro divulgado nesta terça-feira, 25, a empresa registrou receita de US$ 51,7 bilhões no trimestre encerrado em dezembro, um aumento de 20% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O lucro líquido ficou em US$ 18,8 bilhões, uma alta de 21%.

Analistas do mercado esperavam receita de US$ 50,8 bilhões. Apesar de ter superado as expectativas, a performance da Microsoft no trimestre, porém, não empolgou o mercado. Após o fechamento, as ações da empresa chegaram a cair 5%.

"Houve um movimento de vendas de ações da empresa, pois o crescimento do serviço de nuvem, de 46%, ficou abaixo da expectativa de 48% de alguns agentes do mercado - mesmo superando as projeções de 45%", escreveu em nota Dan Ives, analista da consultoria Wedbush Securities.

Ainda assim, Ives considera que a companhia teve performance robusta por conta da procura por serviços em nuvem. O que ajuda também a explicar a queda é o derretimento dos papéis das empresas de tecnologia nos EUA, em meio à expectativa pela alta de juros nos EUA. Todas as empresas de tecnologia tinham queda nesta terça, mas os papéis da empresa do Windows registravam mais perdas.

Durante o trimestre, a Microsoft também teve boa performance no mercado de computadores, que segue colhendo bons frutos do home office - 340 milhões de PCs foram vendidos em 2021 globalmente, de acordo com a consultoria Gartner. A receita do Windows OEM, que vem pré-instalado nos computadores, cresceu 25% no período - é o segundo trimestre da empresa após o lançamento do Windows 11. Além disso, a receita dos produtos comerciais e dos serviços de nuvem do Windows aumentaram 13%.

A receita do a rede social corporativa LinkedIn também aumentou 37% ano contra ano, em decorrência da forte demanda por publicidade - a Microsoft diz que os acessos à plataforma cresceram 22%, com "engajamento recorde".

Games bombaram

Depois de ter batido recorde de US$ 3,6 bilhões no trimestre anterior, a receita total da Microsoft vinda dos games aumentou 8%. Além disso, o faturamento de hardware da empresa aumentou 4% no trimestre, impulsionada pelos consoles Xbox Series X e Series S, que estão à venda há mais de um ano. A receita de conteúdo e serviços do Xbox também aumentou 10% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

A divisão de games tem se tornado cada vez mais uma peça importante para a Microsoft. No último dia 18 de janeiro, a companhia comprou a Activision Blizzard por US$ 68,7 bilhões - o acordo entrou para a história como o maior negócio do setor de tecnologia em valores nominais. Com a aquisição, a Microsoft quis acelerar o crescimento da sua frente de games em dispositivos móveis, computadores, consoles e nuvem, tornando-se a terceira maior companhia do setor do mundo, atrás apenas da Tencent e da Sony.

A Microsoft tem apostado em aquisições para avançar na área de games nos últimos anos. Em 2014, a empresa comprou a Mojang, desenvolvedora do Minecraft, por US$ 2,5 bilhões. No ano passado, fechou a aquisição da empresa de jogos Bethesda, em um acordo de US$ 7,5 bilhões.

Estadão
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