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'Queremos apps brasileiros no nosso sistema', diz executivo da KaiOS

Segundo executivo, ter conteúdo local é essencial para que sistema operacional faça sucesso no mercado brasileiro

8 set 2019
05h10
atualizado em 10/9/2019 às 19h54
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*Atualizado às 19h41 do dia 10 de setembro para clarificar declarações do executivo

Fundada no fim de 2016, a KaiOS Tech é uma empresa modesta para os padrões do Vale do Silício: hoje, cerca de 270 funcionários trabalham para desenvolver o sistema que quer conectar as 3 bilhões de pessoas no mundo que hoje não têm acesso à internet. Um deles é David Bang, responsável por fazer a plataforma deslanchar nas Américas - não só atraindo usuários, mas também fabricantes, operadoras e desenvolvedores para seu ecossistema.

"É importante termos conteúdo local. Queremos que os apps brasileiros populares estejam nos celulares com KaiOS", diz. Ao Estado, o executivo explica que sua plataforma ainda não prioriza faturamento, revela os planos para a operação brasileira e aposta no assistente de voz do Google como diferencial. "É das tecnologias mais fáceis de serem usadas."

Qual é o diferencial do celular com o sistema KaiOS?

É fácil entender: ele permite deixar para trás um mundo em que só há chamadas de voz e mensagens de texto para o da internet. Hoje, há 3 bilhões de pessoas desconectadas. Precisamos dar a elas acesso a ferramentas como mapas, YouTube e WhatsApp, que hoje só estão disponíveis num smartphone, a custo bem baixo.

Como a KaiOS Tech fatura?

Hoje, nosso foco não está em faturar: queremos é crescer e alcançar bilhões de pessoas. Não somos muito diferentes do que era o Android no início: providenciamos licenças do sistema para operadoras, fabricantes e desenvolvedores de forma gratuita. No futuro, encontraremos formas de monetização, talvez via publicidade ou cobrando comissão pelo download de apps.

Por que o Brasil importa?

É o mercado nas Américas, o mais importante que temos depois dos EUA. Os brasileiros são aficionados por internet e muitos deles já têm um smartphone na mão. Mas a experiência que um usuário tem com um celular Android de baixo custo é bem ruim: são aparelhos lentos e as baterias acabam rápido. O KaiOS pode ser útil para quem tem pouco dinheiro e não pode gastar muito para estar conectado.

Além de Positivo e Multilaser, já há parcerias com outras empresas brasileiras?

Por enquanto, só as duas, mas não vamos nos limitar a elas. Queremos expandir nosso alcance, com operadoras e varejistas. Também é importante termos conteúdo local. Queremos que os apps brasileiros populares estejam nos celulares com o nosso sistema. No futuro, devemos ter executivos locais e até um escritório por aí.

No Brasil, a diferença de preço entre um celular com KaiOS e um smartphone de entrada é de menos de R$ 100. Como convencer o consumidor?

Apostamos na experiência. O Android é um sistema pesado para um celular com configurações mínimas, os aplicativos também. Já os apps do KaiOS são baseados em HTML5, que é uma linguagem leve. Nossa experiência é mais fluida, agradável. Além disso, vamos além de celulares simples. Na Europa, por exemplo, já há aparelhos do tipo "flip", com design refinado.

Algumas funções do KaiOS, como assistente de voz, são bem avançadas. É um contrassenso?

Não, pelo contrário. O assistente do voz do Google tem uma tecnologia sofisticada para perceber o usuário está falando. Por outro lado, é uma das tecnologias mais fáceis de serem usadas, porque requer apenas a voz. Para usuários como eu, que foram treinados a digitar nos últimos dez anos, talvez seja mais fácil usar a tela sensível a toque do que só apertar um botão e falar. Mas, em um dispositivo com teclado alfanumérico, é difícil digitar, de maneira que usar a voz faz sentido e é mais confortável.

Há quem veja os celulares básicos como forma de se manter conectado com o essencial - evitando a hiperconexão dos smartphones. O que o sr. acha disso?

Nos EUA, na Europa e no Brasil, vejo pessoas buscando um estilo de vida mais minimalista, sem precisar interagir tanto com tecnologia. A hiperconexão é um problema sim, mas nosso foco é oferecer conectividade para quem não está online. É um equilíbrio fino.

Estadão
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