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Quanto Google paga à Apple para ser a busca padrão do iPhone?

Processo pretende revelar, de uma vez por todas, quanto o Google paga anualmente à Apple para que seu motor de busca seja o padrão do Safari

14 jan 2022 16h55
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Não é novidade que Apple e Google mantém, há pelo menos uma década, um acordo em que a companhia de Mountain View paga um enorme montante todos os anos, a fim de garantir que o Google Search continue como o motor de busca padrão do navegador Safari, no iPhone, iPad e Mac.

Ambas empresas nunca confirmaram o acordo ou comentaram valores, e a única evidência existente é uma menção em 2016, no processo movido pela Oracle contra o Google, de que a gigante das buscas havia pago US$ 1 bilhão à maçã dois anos antes, quanto esta ameaçou novamente abrir a concorrência da opção padrão para outros motores.

Dramática reconstituição de Tim Cook recebendo o pagamento anual do Google
Dramática reconstituição de Tim Cook recebendo o pagamento anual do Google
Foto: Reprodução/Disney / Meio Bit

No princípio, a não manutenção do acordo prejudicaria mais a Apple do que o Google, com a primeira deixando de fazer caixa com uma grana garantida todos os anos, enquanto que o Google Search, também presente como padrão no Android e sendo o motor mais usado em computadores Windows e Linux, perderia uma renda de aproximadamente US$ 350 milhões, o que para ela, não era nada.

No entanto, a evolução dos dispositivos móveis acabou favorecendo muito mais a Apple. Consumidores que usam o PC para navegar, ler e-mails, ver vídeos, ler artigos e livros e etc, começaram a trocar seus desktops e laptops por smartphones e tablets, e a grande parcela deles, considerando o cenário global, preferia iPhones e iPads. E isso teve um efeito nada agradável para o Google.

Em 2012, os dispositivos da Apple já respondiam por 30% da arrecadação do Google com anúncios, que todo mundo sabe, respondem por mais 90% da receita bruta da empresa. Em 2017, essa porcentagem já havia saltado para 50%, e em 2021... Hoje, 68% de todos os cliques em anúncios do Google são feitos em celulares, e iGadgets representam 71% desse montante.

Colocando em termos simples: o Google depende da Apple, que muito sabiamente, fez a rival de refém. Primeiro, os termos do acordo hoje incluiriam um arranjo de que desde que Mountain View continue depositando a grana todos os anos, Cupertino não irá desenvolver um motor de busca próprio, o que analistas acreditam ser enfim, a "opção termonuclear" que Steve Jobs tanto queria usar contra a gigante das buscas.

Segundo, o valor do acordo é violentamente reajustado ano a ano. O Google teria pago US$ 9 bilhões em 2018 e US$ 12 bilhões em 2019; o último pagamento, em 2021, teria chegado a US$ 15 bilhões, e estima-se que o de 2022 alcance a absurda cifra de US$ 20 bilhões.

E Mountain View paga mesmo assim, pois entende que precisa gastar dinheiro para lucrar muito mais.

iPhone com Busca do Google aberta no navegador Safari
iPhone com Busca do Google aberta no navegador Safari
Foto: Ronaldo Gogoni/Meio Bit / apple / Meio Bit

O grande problema é que o acordo entre Google e Apple, em que de certa forma a primeira paga por tratamento diferenciado na plataforma da segunda, é mais uma das várias práticas anti-competitivas que reguladores vêm combatendo nos últimos anos, contra ambas companhias citadas, e outras como Amazon, Facebook, Microsoft e etc.

Um novo processo, aberto recentemente contra Apple, Google e seus respectivos CEOs, Tim Cook e Sundar Pichai, acusa o grupo de infringir as leis antitruste dos Estados Unidos, tanto na parte do acordo que impede a maçã de competir diretamente no mercado de motores de busca, quanto a medidas tomadas pela maçã para frear o alcance de concorrentes, como Microsoft Bing, Yahoo! Search e DuckDuckGo, entre outros, a fim de promover e priorizar com destaque o cliente pagante, o Google Search, inclusive levando a aquisições de players menores por qualquer uma das empresas.

O processo exige uma série de medidas, algumas improváveis de acontecer nos EUA (pelo menos, não por enquanto), como o desmembramento do Google e da Apple em empresas menores, de modo a separar seus diferentes negócios, e mais interessante, jogar para a torcida o acordo anual e revelar quanto a gigante das buscas paga a Cupertino por ano, e quantas vezes isso já aconteceu.

O fato é que mesmo não sendo reconhecido oficialmente, autoridades sabem que o acordo existe. Em 2020, as autoridades reguladoras do Reino Unido começaram a investigar maneiras de lidar com a parceria no rigor das leis antitruste locais, e até onde se sabe, a Comissão Europeia também está averiguando o caso, entre os muitos processos que já martela na cabeça de ambas gigantes tech.

Como de praxe, Apple e Google não fizeram comentários a respeito do processo.

Fonte: PR Newswire, MacRumors

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