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Peso de gigantes de tecnologia sobre S&P 500 pode sinalizar preocupação mais ampla

12 fev 2020
16h58
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A excessiva alta das ações da Apple e da Microsoft significa que os papeis das duas gigantes da tecnologia atingiram um status incomum: um peso combinado de 10% do índice S&P 500.

Logotipos de Google, Amazon, Facebook, Apple e Netflix. 3/12/2019. REUTERS/Regis Duvignau
Logotipos de Google, Amazon, Facebook, Apple e Netflix. 3/12/2019. REUTERS/Regis Duvignau
Foto: Reuters

Para alguns agentes do mercado, este é um exemplo preocupante de concentração que pode minar a tendência de alta recorde de Wall Street. O S&P 500, que muitos usam como referência para o mercado geral, é um índice ponderado de capitalização de mercado, o que significa que as ações de grandes empresas exercem mais peso.

A última vez que um ano terminou com duas ações exercendo peso de pelo menos um décimo do S&P 500 foi em 1982, de acordo com dados de Howard Silverblatt, analista sênior de índices do S&P Dow Jones Indices, quando IBM e AT&T chegaram a ter cerca de 10,9% do índice.

No fechamento de segunda-feira, a Microsoft representava 5,183% do índice, com a Apple em 4,835%, totalizando 10,018%, segundo dados da Refinitiv. Seu peso cada vez mais maior é estimulado por seu forte desempenho: desde o final de 2018 o preço das ações da Apple dobrou e o da Microsoft subiu 80%, enquanto o S&P 500 subiu cerca de 35%.

Apple e Microsoft juntas têm um peso maior no S&P 500 do que sete de seus 11 setores da indústria, incluindo os de bens de consumo não essenciais e o setor industrial.

"Um pequeno número de empresas está alimentando uma grande parte desse rali", disse Matt Maley, estrategista-chefe de mercado da Miller Tabak, acrescentando que esse "mercado restrito" é vulnerável a uma retração de 7% a 10%.

"Isso apenas mostra que as pessoas estão comprando e se concentrando nas ações do momento, em vez de comprar o mercado geral por causa de uma economia forte", disse Maley.

De fato, quatro ações -Amazon e Alphabet, juntamente com Apple e Microsoft - foram responsáveis por dois terços dos ganhos do S&P 500 até agora em 2020, informou a DataTrek Research. O índice subiu 4,4% no acumulado do ano.

"Isso não é sustentável", disse Tim Hayes, estrategista-chefe de investimentos globais da Ned Davis Research.

O risco, disse Hayes, é "que, em algum momento, essas ações não estarão mais sustentando o mercado, mas sim pesando negativamente".

"Isso aconteceria nos EUA e depois os EUA seriam um peso negativo na tendência global", afirmou Hayes.

As ações que exercem maior peso no mercado vão além da Apple e da Microsoft. As 10 principais ações do S&P 500 representavam 24,2% do peso do índice; isso seria maior do que qualquer marca de fim de ano desde 2001, de acordo com o S&P Dow Jones Indices.

"Normalmente, as ações que voam alto no final de um período de alta podem cair mais", disse Lindsey Bell, estrategista-chefe de investimentos da Ally Invest.

Nem todos os investidores estão preocupados. Art Hogan, estrategista-chefe de mercado da National Securities, disse que esse peso no topo do S&P 500 é historicamente comum com o índice ponderado de capitalização de mercado.

"São apenas empresas diferentes", disse Hogan.

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