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Para tentar superar crise, SoftBank deve assumir controle do WeWork

Grupo japonês deve injetar entre US$ 4 bi e US$ 5 bi para reter cerca de 70% das ações da empresa de escritórios compartilhados; fracasso do modelo faz valor de mercado da startup cair de US$ 48 bi para cerca de US$ 8 bi em alguns meses

21 out 2019
18h20
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O grupo japonês SoftBank deve assumir, a partir desta terça-feira, 22, o controle da empresa de escritórios compartilhados WeWork, disseram fontes próximas ao assunto à emissora americana CNBC. Segundo as pessoas, a companhia liderada pelo bilionário Masayoshi Son deve injetar entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para ficar com cerca de 70% das ações do WeWork, avaliando a startup em algo em torno de US$ 8 bilhões - uma fração dos US$ 48 bilhões em que a empresa foi avaliada há alguns meses, após receber rodadas polpudas de investimento.

O investimento deve ser anunciado nesta terça-feira, disseram as fontes. A injeção de capital do SoftBank no WeWork é uma tática da japonesa para salvar um de seus investimentos mais agressivos, nos quais já injetou US$ 10,65 bilhões. Nas últimas semanas, o WeWork tem passado por uma crise de descrédito no mercado, depois que seu plano para abrir capital (IPO, na sigla em inglês) nos EUA foi recebido com desinteresse por potenciais investidores. Não era algo à toa: apesar dos aportes polpudos, a empresa fundada por Adam Neumann tinha números ruins, chegando a ter prejuízo de mais de US$ 900 milhões no 1º semestre de 2019, e práticas de governança preocupantes. Tamanho o desinteresse, o plano de IPO foi adiado e deflagrou uma crise na empresa.

O aporte vai reduzir a participação do cofundador do WeWork, o americano Adam Neumann, que deixou no mês passado o posto de presidente executivo da startup. Ele deve manter pouco mais de 10% dos papéis da empresa, reduzindo seu poder de interferência na empresa. Neumann foi bastante criticado nas últimas semanas, por práticas como cobrar aluguel do WeWork pelo uso de propriedades que estavam em seu nome.

Segundo as fontes da CNBC, parte dos novos recursos será injetado em contratos de garantias que estavam sendo expirados. Ainda de acordo com a publicação americana, um dos principais executivos do "novo" WeWork será o boliviano-americano Marcelo Claure. Ele é diretor de operações do SoftBank e um dos chefes do fundo latino que o grupo japonês abriu para investir US$ 5 bilhões na América Latina.

Espera-se ainda que o WeWork demita cerca de 2 mil pessoas (13% de sua força de trabalho) em breve, com parte dos esforços para cortar gastos. Na semana passada, o jornal inglês The Guardian chegou a publicar que os cortes não devem parar por aí, citando funcionários que não quiseram se identificar. Hoje, o WeWork tem cerca de 15 mil funcionários em todo o mundo.

Estadão
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