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Para a Qualcomm, transição dos PCs para ARM é inevitável

Qualcomm considera que mudança do x86 para ARM é um caminho sem volta, e busca se colocar à frente de Intel, AMD e Apple no mercado de PCs

22 nov 2021 10h45
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A Qualcomm está entrando de cabeça na briga pelo mercado de PCs. Desde 2017, a companhia investe na área de forma tímida, com processadores voltados a equipamentos direcionados e de nicho, sendo componentes mais próximos de chips para dispositivos móveis.

Agora, a Qualcomm considera que a migração de arquitetura em desktops e laptops, do x86-64/IA-32 para ARM, é um processo irreversível, e é sua missão se tornar o principal fornecedor de chips do setor, deixando Intel, AMD e Apple para trás.

Os Snapdragon estão entre os melhores processadores ARM do mercado
Os Snapdragon estão entre os melhores processadores ARM do mercado
Foto: Divulgação/Qualcomm / Meio Bit

Na última terça-feira (16), durante uma apresentação pública voltada para acionistas, o brasileiro Cristiano Amon, que assumiu o cargo de CEO da Qualcomm em julho de 2021, delineou os esforços da companhia em assegurar o lugar de liderança em PCs, graças à aquisição da Nuvia meses antes. Esta startup, que nunca lançou um produto comercial, foi fundada por um ex-designer de chips da Apple, e especulava-se que estaria desenvolvendo processadores ARM para datacenters.

Amon afirma que a Nuvia será a responsável por uma nova geração de processadores da Qualcomm de alta performance, voltados para o mercado de computadores pessoais, independente do nicho em performance, se para o usuário médio que só navega e lê e-mails, para a Glorious PC Gamer Master Race, ou mesmo para ambientes de produção de alto nível, que exigem estações verdadeiramente parrudas.

Compreensivelmente, todos esses processadores usarão a arquitetura ARM, e serão posicionados como concorrentes diretos tanto das novas gerações de chips x86-64 da Intel e AMD, quanto a linha M1 Pro e Max da Apple, exclusiva dos Macs. A Qualcomm deu a entender que seus componentes são tão, ou mais, poderosos que o Apple M1 Max, e especula-se que eles serão impressos em 5 nanômetros, o mesmo processo de litografia atualmente usado pela maçã, e já empregado na linha Snapdragon mais recente, para mobile.

Acredita-se que o Snapdragon 898, o próximo chip premium para celulares da Qualcomm, que será revelado no dia 30 de novembro, seja impresso em 4 nm, mas há quem diga que a Nuvia possa chutar o balde com a linha para PCs, imprimindo-os direto em 3 nm, um processo que a companhia declarou antes que seria adotado a partir do 2º semestre de 2022.

Durante apresentação, CEO da Qualcomm Cristiano Amon fala sobre os planos futuros da empresa para PCs
Durante apresentação, CEO da Qualcomm Cristiano Amon fala sobre os planos futuros da empresa para PCs
Foto: Reprodução/Cool3c.com / Meio Bit

A parcela de processadores ARM no mercado de PCs é bem tímida, com a Qualcomm sendo uma das companhias que investem no formato desde 2017, quando a Microsoft tentou emplacar o Windows 10 S para bater de frente com a linha Chromebook. A investida não foi para a frente, o SO dedicado virou um modo do Windows 10, mas o interesse da fabricante permaneceu.

Quando a Apple chutou a Intel para escanteio, não demorou muito para a ARM introduzir o novo núcleo Cortex-A78C, um design voltado para ser usado em computadores de arquitetura x86-64/IA-32, que rodam Windows e Linux, já que os da maçã são exclusivos.

Usando a arquitetura Big Core que usa apenas núcleos de alto desempenho, diferente da big.LITTLE voltada para celulares, aliada a suporte de memória cache L3 de até 8 MB e uma banda de até 60 GB/s, com foco em multithreading, a fabricante definiu um design que bate de frente em performance com processadores da Intel e AMD, e se aproxima do da Apple.

A Qualcomm, como companhia que usa os designs da ARM em seus processadores, deverá contar com a Nuvia para implementar o processo do Cortex-A78C em seus núcleos Kryo para PCs, a fim de introduzir uma linha de chips com mais performance e melhor consumo energético do que os tradicionais x86-64, sem falar que o atual avanço no processo de litografia em ARM está mais avançado.

Basta lembrar de como a Intel vem se atrapalhando para refinar seus processos, e o Alder Lake ainda está na casa dos 10 nm. O processo da AMD, por sua vez, é híbrido 7 nm/14 nm, embora haja uma certa divergência entre as medidas de 1 nm usadas pelas rivais. Empresas que implementam chips ARM, como Apple, Qualcomm, Samsung, MediaTek, Broadcom e outras, têm bem menos problemas desse tipo.

Para a Qualcomm, fica evidente que quando a Apple trocou a Intel pela ARM, deu início a um processo de migração irreversível, em que cada vez mais companhias buscarão refinar os designs para fornecer chips que vão além de equipar celulares, TVs e outros dispositivos, e sejam enfim poderosos o bastante para assumirem o lugar de destaque no mercado de PCs. Sua meta, nessa nova guerra, é ficar na frente de todas as demais, incluindo a Apple.

Essa mudança de paradigma afetará não só o mercado de processadores, mas também o de GPUs. A integrada no processador Apple M1 Max, por exemplo, consegue entregar uma performance gráfica próxima a de uma GeForce RTX 3060 da Nvidia, e mesmo ficando atrás, é preciso lembrar que esta é uma comparação feita entre uma GPU integrada e outra dedicada, com diferenças relevantes em arquitetura e SO.

Vale lembrar que como Macs não focam em jogos (algo que talvez a maçã reconsidere um dia), a Apple não tem muito mais motivos para manter a parceria com a AMD em GPUs, exceto em um futuro Mac Pro com M1 se a empresa considerar a continuidade de uso da linha Radeon Pro, com seus módulos MPX proprietários caríssimos.

Para o usuário doméstico, por sua vez, as integradas já são boas o bastante.

Enquanto Qualcomm, Samsung, MediaTek e outras empresas muito provavelmente começarão a brigar por mais espaço no mercado de PCs, Intel e AMD deverão fazer por onde a fim de se manterem no topo com seus designs. A primeira inclusive imprime hoje chips ARM e RISC-V para terceiros, e poderia muito bem dar um passo além e criar uma linha própria.

A menos que Intel e AMD prefiram ser vítimas do atropelamento mais lerdo do mundo.

Fonte: Tom's Hardware, ExtremeTech

Para a Qualcomm, transição dos PCs para ARM é inevitável

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