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'Não temos pressa para expandir', diz presidente da Amazon no Brasil

Alex Szapiro se mostra despreocupado com o avanço supostamente lento no mercado nacional

30 ago 2019
15h20
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Ter toda a variedade de produtos, oferecê-los da maneira mais rápida possível, com conveniência, mas sem pressa de crescer: essa é a estratégia da Amazon no Brasil, de acordo com o presidente da operação local, Alex Szapiro. Ele se mostra despreocupado com o avanço sentido como mais lento pelos concorrentes no mercado brasileiro. "Não acho que estamos indo com cautela. Estamos fazendo as coisas na velocidade que sentimos que tem de fazer", afirma Szapiro.

A companhia não revela os números de crescimento da operação nacional, mas o capital social declarado passou de quase R$ 5 milhões em 2012, quando chegou ao Brasil, para mais de R$ 800 milhões neste ano.

Por aqui, pode-se dizer que a Amazon foi, basicamente, uma livraria hi-tech até dois anos atrás, quando lançou seu marketplace. Agora, dezenas de milhares de revendedores brasileiros utilizam a plataforma da gigante americana para ofertar todo tipo de produto. Na operação mundial, são mais de 2 milhões de revendedores.

A Amazon também expandiu sua oferta direta ao inaugurar um centro de distribuição de 47 mil metros quadrados em Cajamar, na Grande São Paulo, em janeiro deste ano. Os produtos variam entre mais de 20 categorias, incluindo itens de vestuário, CDs, discos de vinil, casa e jardim, esportes e, claro, livros. Estes já superam a marca de 13 milhões, entre títulos nacionais e importados. "A gente quer vender de A a Z, não importa se é um segmento grande ou pequeno", declarou o executivo.

Um dos fatores apontados por concorrentes como entraves para que a Amazon amplie sua operação no Brasil são as dificuldades com os impostos. Reformar o sistema tributário para juntar vários impostos em uma alíquota única, como tem sido discutido no Congresso, seria uma decisão benéfica "não só para a Amazon, mas para todo o varejo", disse Szapiro. "No Brasil, as empresas têm um número muito grande de pessoas gastando muito tempo fazendo toda a questão tributária. Simplificar, eu acho que ajudaria qualquer ser humano brasileiro".

De acordo com Szapiro, a premissa da empresa não foca em números de vendas ou margens, mas em soluções para problemas de clientes. "Queremos fazer bem feito, do ponto de vista de sistemas, ter certeza de que vamos conseguir entregar. Acho que nosso acionista tem uma expectativa de que a Amazon seja uma empresa de longo prazo. E isso nos dá o luxo de trabalhar com foco no input", disse o presidente.

Além de uma comerciante de manufaturados, a Amazon vende tecnologia. São serviços de computação e armazenamento em nuvem até streaming, como o Prime Video, que no Brasil opera desde dezembro de 2016. Até o fim do ano, deverá acontecer o lançamento da assistente virtual Alexa em português. Hoje, ela está disponível em aplicativos para iOS e Android e também nos dispositivos da própria Amazon, como os tablets Kindle Fire, mas em outros seis idiomas (alemão, espanhol, francês, inglês, italiano e japonês).

Ainda na seara de serviços, nos EUA a companhia operou durante alguns anos a Amazon Restaurants, que entregava comida a assinantes do Amazon Prime, mas a iniciativa foi encerrada em junho deste ano. A possibilidade de fazer parcerias com Rappi ou Uber Eats no Brasil não está descartada, mas é improvável. "A gente geralmente foca na nossa própria tecnologia, até por uma questão de segurança. Para avaliar um terceiro, tem que gastar muita energia. Agora, se tiver alguma coisa que resolva o problema do cliente, vamos olhar".

Estadão
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