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Mineração de bitcoin e outras moedas causa crise de energia em mais um país

Cazaquistão recebeu muito mineradores de bitcoin nos últimos meses, mas o consumo elevado de energia da atividade está contribuindo para apagões

29 nov 2021 20h39
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O Cazaquistão está enfrentando uma séria crise energética generalizada. Uma das principais razões? A mineração de bitcoin (BTC) e de outras criptomoedas no país, é claro. Um novo levantamento do Financial Times aponta que a chegada em massa de mineradores da China após as últimas repressões de Pequim sobre a atividade no meio do ano elevaram drasticamente o consumo de eletricidade.

Mineração de bitcoin consome muita energia elétrica
Mineração de bitcoin consome muita energia elétrica
Foto: Consulting 24/Flickr / Tecnoblog

Antes de qualquer coisa, é necessário esclarecer que o Cazaquistão já estava passando por problemas no fornecimento de energia. Ainda que apagões não eram comuns, o crescimento anual médio no gasto energético da nação girava em torno de 2%, enquanto rede de usinas de eletricidade não era atualizada ou expandida. Além disso, é inverno e as temperaturas são realmente frias no país, aumentando o uso de energia conforme as pessoas ficam mais tempo em casa e o uso de aquecedores dispara.

Estamos falando de um país movido principalmente à energia fóssil, à queima de carvão mais especificamente. Portanto, elevar a geração de eletricidade não é uma tarefa tão simples, pois requer também combustível para ser queimado. Por outro lado, é inegável o impacto da chegada de milhares de mineradores no país, acelerando e evidenciando uma crise que ainda não havia eclodido por completo.

Mineração de bitcoin e a crise energética no Cazaquistão

De acordo com o Financial Times, a demanda por eletricidade do Cazaquistão aumentou cerca de 8% desde o início de 2021, um aumento acentuado em relação ao crescimento anual de 1% ou 2% que o país experimentou nos últimos anos. A pesquisa também estima que mais de 87.849 instalações de mineração de criptomoedas com "uso intensivo de energia" foram transferidos da China para o Cazaquistão nos últimos meses.

China vem tomando medidas contra bitcoin e outras criptomoedas
China vem tomando medidas contra bitcoin e outras criptomoedas
Foto: RABAUZ/Pixabay / Tecnoblog

O país agora ocupa o segundo lugar, atrás apenas dos Estados Unidos, como um dos mais novos líderes mundiais na mineração de bitcoin, de acordo com dados da Universidade de Cambridge.

No mês passado, três das usinas termoelétricas movidas a carvão mais importantes do Cazaquistão enfrentaram paralisações de emergência. Diante das interrupções, o Ministério da Energia do país iria começar a restringir novas fazendas de mineração de usar mais de 100 megawatts (MW) ao longo de dois anos, mas depois voltou atrás nessa limitação para mineradores regulamentados

Governo cazaque quer reprimir mineradores ilegais

Mas não se engane, mesmo diante de um problema energético, o Cazaquistão não quer reprimir a atividade no país como a China fez alguns meses atrás. O governo cazaque entende que a mineração de criptomoedas é uma grande oportunidade para a economia do país. Além disso, a proximidade com a China e a oferta de energia barata faz da nação uma escolha perfeita para os mineradores.

Por isso, as autoridades cazaques tomaram algumas decisões. Para ajudar a mitigar quedas de energia, a Companhia Operacional de Rede Elétrica do Cazaquistão (KEGOC) também alertou que começará a racionar energia para mineradores regulamentados pelo governo, conforme apurado pelo Financial Times.

O problema não seriam essas instalações, que pagam suas contas e ajudam a economia local, mas sim os chamados "mineradores cinzentos", ou mineradores não regulamentados pelo governo do Cazaquistão e que realizam a atividade ilegalmente no país. Especialistas ouvidos pelo Financial Times estimam que essas instalações são responsáveis pelo consumo de 1.200 megawatts (MW) da rede elétrica do país.

Energia fóssil e barata atrai mineradores de criptomoedas
Energia fóssil e barata atrai mineradores de criptomoedas
Foto: metropole ruhr/Flickr / Tecnoblog

Por isso, a partir do ano que vem o governo cazaque vai fazer com que os mineradores legítimos paguem, tanto para ajudar a distinguir os regulamentados dos "cinzentos", como para ajudar a amenizar a escassez de energia. Um parte da solução é cobrar mais das instalações legalizadas por kWh consumido.

A Xive é uma empresa de mineração de criptomoedas que concentra suas operações na região sul do Cazaquistão, a mais afetada pela crise energética por ter menos usinas. Essa foi uma das companhias que, mesmo regulamentada no país, se viu forçada a desligar mais de 2.500 máquinas de mineração pela escassez de eletricidade.

Irã também enfrenta crise energética

Além do Cazaquistão, o Irã é outro país que também tem um sistema para mineradores licenciados e não licenciados. O governo iraniano se viu sem alternativas se não proibir a mineração de criptomoedas por quatro meses em maio como uma tentativa de evitar apagões.

Enquanto isso, os mineradores de criptomoedas estão migrando em massa para o Texas, graças aos custos de energia baratos e às regulamentações flexíveis. No entanto, esse estado americano também enfrentou um apagão há pouco tempo, então é bem possível que um problema energético também apareça para os mineradores de lá.

Com informações: The Verge, Financial Times

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