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Microsoft, pilhas para o Xbox e a liberdade de escolha

Polêmica sobre por que os controles dos consoles Xbox ainda usam pilhas levantam a pergunta: é vantajoso sempre ter opções de escolha?

12 jan 2021
15h48 atualizado em 4/2/2021 às 09h29
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15h48 atualizado em 4/2/2021 às 09h29
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Na última semana, uma entrevista concedida por um executivo da Duracell deu uma possível explicação do por que a Microsoft continua fazendo com que os controles Xbox funcionem com pilhas, ao invés de adotar uma bateria interna. A companhia desmentiu a existência de um acordo entre as partes, e reafirmou seu compromisso de oferecer liberdade de escolha aos consumidores.

Essa questão divide jogadores a muito tempo. Há quem ache legal, há quem não goste, mas quem tem razão? Todo mundo, na verdade.

Controle do Xbox Series X|S
Controle do Xbox Series X|S
Foto: Divulgação/Microsoft / Meio Bit

Quando a Microsoft introduziu o Xbox 360 em 2005, ela foi a primeira companhia a lançar um console de mesa que usava controles sem fio, que se comunicavam com o console através de um protocolo proprietário, usado até o Xbox One original. Hoje a companhia faz como a Sony, e seus controles usam Bluetooth.

Se a forma de comunicação entre o controle e o console mudou, o mesmo não pode ser dito da alimentação dos mesmos. Desde o início e até hoje, com os controles para Xbox Series X|S, a Microsoft adota as boas e velhas duas pilhas AA, de preferência alcalinas, para uma maior durabilidade. A empresa se guia pela lógica de que todo mundo tem que comprar pilhas para os controles remotos de TVs e outros aparelhos, logo, por que não mais um?

Só que um ano depois, a Sony apresentou o PlayStation 3 com controles DualShock 3 também sem fio, mas sem a opção de pilhas. Em seu lugar, o jogador conecta fisicamente o acessório ao console, ou a um PC, com um cabo USB, para carregar a bateria embutida interna.

Assim como a concorrente, a Sony nunca cogitou mudar esse formato e o mantém até hoje, com os novos controles DualSense do PS5.

Sony optou por controles recarregáveis, do DualShock 3 ao DualSense
Sony optou por controles recarregáveis, do DualShock 3 ao DualSense
Foto: Ronaldo Gogoni/Meio Bit / Meio Bit

A "Guerra dos Controles"

Como fanboy é um bicho muito estranho, essa diferenciação bastou para defensores do Xbox 360 e do PS3 se digladiarem por anos, em defesa da solução adotada por seu console de estimação como "a melhor", e esse arranca-rabo perdurou durante o ciclo de vida do Xbox One e do PS4.

É certo que os mais xiitas continuam brigando na atual geração de consoles. Do lado da Nintendo, o Wiimote também usava pilhas AA, enquanto que o Gamepad do Wii U dependia de uma bateria proprietária. No Switch, os Joy-cons são carregados pelo console ou pelo Charging Grip, quando conectados ao dock do modelo original.

A Microsoft nunca deu maiores explicações sobre por que opta por pilhas ao invés de baterias internas, se limitando a defender a liberdade de escolha do cliente. No entanto, em entrevista ao site Stealth Optional, o gerente de marketing da Duracell para o Reino Unido Luke Anderson disse que sua empresa e Redmond possuem um acordo de parceria de longa data.

Não tem Xbox na Matrix (o primeiro console foi lançado em 2002), mas Duracell, com certeza (
Não tem Xbox na Matrix (o primeiro console foi lançado em 2002), mas Duracell, com certeza (
Foto: Reprodução/Warner Bros. / Meio Bit

A Microsoft nega, e diz que o motivo é outro:

"Nós (a Microsoft) oferecemos intencionalmente a opção de escolha para os consumidores, sobre qual solução de alimentação usar com os controles sem fio Xbox. Isso inclui pilhas AA de qualquer marca, a bateria recarregável Xbox, soluções de recarga de nossos parceiros, ou um cabo USB-C, que pode fornecer energia ao controle quando conectado ao console ou PC (para o caso de não usar pilhas ou baterias)."

De qualquer forma, a Duracell de fato veicula comerciais onde destaca a vantagem de seus produtos, ao serem usados nos controles Xbox, citando inclusive o serviço Xbox Game Pass:

Pilhas, baterias e outras opções

A defesa da liberdade de escolha pela Microsoft tem seus motivos. Por um lado, usar pilhas comuns com o controle significa que o usuário terá que adquirir novas de tempos em tempos, e correr o risco de ficar sem energia no meio de uma partida. Além disso, há o lance de que as pilhas não são produtos ecologicamente corretos para os tempos atuais.

A própria Microsoft oferece uma opção alternativa, na forma do Xbox Play & Charge. Trata-se de um kit com uma bateria recarregável e um cabo USB (lembrando, os consoles Xbox não enviam um, pois o usuário a princípio deve usar pilhas), para que ela possa ser recarregada mantendo o controle conectado ao console ou ao PC.

É um acessório opcional que representa um custo extra, se comparado à bateria embutida de um controle DualShock/DualSense, mas é uma boa para quem prefere evitar ter de comprar pilhas frequentemente. Por fim, a bateria do Xbox One também serve nos controles Xbox Series, com exceção do cabo. Enquanto o controle da geração anterior possui uma porta microUSB, os novos contam com uma USB-C.

Xbox Play & Charge, kit com bateria e cabo USB é opcional
Xbox Play & Charge, kit com bateria e cabo USB é opcional
Foto: Ronaldo Gogoni/Meio Bit / Meio Bit

Outra opção, que pode ser vantajosa para alguns usuários, é usar pilhas recarregáveis ao invés das alcalinas comuns. O investimento costuma ser um pouco alto (o preço gira em torno do valor de um kit Play & Charge), fora a necessidade de adquirir o carregador, mas a versatilidade é um ponto positivo.

Para aqueles que usam outros eletrônicos movidos a pilha, contar com uma quantidade de pilhas recarregáveis pode representar uma boa economia de capital a médio prazo, antes de trocá-las por novas. Em geral, uma pilha do tipo dura até 3 anos.

Sim, a Duracell também vende pilhas recarregáveis
Sim, a Duracell também vende pilhas recarregáveis
Foto: Divulgação/Duracell / Meio Bit

Por outro lado, alguns fabricantes estão aos poucos abrindo mão de pilhas em acessórios fora do mercado gamer, falando especificamente de controles remotos. A primeira a pular fora, para variar, foi a Apple com o Siri Remote, o controle da Apple TV.

O modelo original usava uma bateria CR2032 comum, aquela que parece uma moeda e alimenta vários tipos de eletrônicos, principalmente relógios. O controle remodelado passou a usar carregamento via porta Lightning, ao conectar o acessório a um computador ou à caixinha da maçã.

Apple Siri Remote: controle remoto com carregamento via porta Lighting
Apple Siri Remote: controle remoto com carregamento via porta Lighting
Foto: Divulgação/Apple / Meio Bit

A Samsung está entrando agora na onda, com seu novo controle remoto que pode ser carregado por energia solar ou via USB, abrindo mão das pilhas. Não se sabe, no entanto, se esse modelo será reservado às TVs mais caras da empresa, como foi nos anos anteriores, ou se ele será universal, e virá incluído também nos modelos de entrada.

A Sony tem um ponto por oferecer uma solução de simples uso, que não depende do consumidor correr no mercado para comprar pilhas. Basta tirar o PS5 da caixa, ligar e jogar, já que o controle DualSense vem com uma pré-carga. Por outro lado, qualquer problema na bateria praticamente inutiliza o joystick, e se isso acontecer fora da garantia, o consumidor terá que gastar R$ 499 para comprar outro.

Por um lado, a decisão da Microsoft de se manter agarrado às pilha parece anacrônica, mas o consumidor pode optar por usar uma bateria recarregável, seja oficial ou não, comprar pilhas recarregáveis ou mesmo nada disso, preferindo jogar com o cabo conectado.

Nesse ponto, Redmond reforça sua decisão democrática, em que o jogador decide como usar seu próprio controle Xbox.

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