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iPhone 15 anos: como a Apple mudou o mundo para sempre

Acompanhe a história de origem do iPhone, o gadget de Steve Jobs que revolucionou tudo, da telefonia móvel ao consumo de conteúdo

14 jan 2022 16h55
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O iPhone completou 15 anos neste domingo (9). O smartphone e principal produto da Apple, ainda que abocanhe um market share de apenas 29,24% entre os sistemas móveis, contra 70,01% do Android (dados de dez/2021), ele e o iPad respondem por três quartos dos lucros do setor, deixando Google e suas fabricantes parceiras comendo poeira.

O "iPod and a Phone", como Steve Jobs o apresentou em janeiro de 2007, foi eleito em 2016 pela revista TIME "o gadget mais influente da história", tanto por quebrar o paradigma do que um telefone celular poderia ser, quanto por mudar completamente a telefonia móvel e as formas de se consumir conteúdo.

9 de janeiro de 2007: Steve Jobs apresenta o iPhone ao mundo
9 de janeiro de 2007: Steve Jobs apresenta o iPhone ao mundo
Foto: David Paul Morris/Getty Images / Meio Bit

Vamos dar uma olhada em como o iPhone veio a ser e por que ele foi tão revolucionário, embora muitos discordem, mas não tenham como desmentir o fato.

No princípio havia... o Newton MessagePad

Oficialmente, o desenvolvimento tanto do iPhone quanto do iPad começou em 2004, quando Steve Jobs colocou quase a mesma equipe do iPod, sendo o engenheiro Tony Fadell, o ex-SVP de Design Jony Ive e o VP de Marketing Phil Schiller, para trabalharem com o ex-VP de Software Scott Forstall e o SVP de Serviços Eddy Cue, em um empreendimento secreto conhecido como "Project Purple".

Haviam dois times distintos, para trabalharem nos respectivos produtos em paralelo, mas justiça seja feita, o embrião do iPad era mais antigo: em 1991, quando Ive entrou para a companhia, ele apresentou um projeto chamado "Macintosh Folio", que seria um tablet para ser operado com uma caneta stylus.

Dois anos depois, a Apple introduziu no mercado o Newton MessagePad, uma variante dos PDAs da maçã que era quase que completamente desprovido de botões. Jobs teria vislumbrado neste design, ainda que o produto original não tenha sido popular, a chave para permitir a Apple revolucionar a telefonia celular.

Newton MessagePad, em exibição no Museu Suíço da Ciência da Computação, Cultura Digital e Videogames, em Lausanne, Suíça
Newton MessagePad, em exibição no Museu Suíço da Ciência da Computação, Cultura Digital e Videogames, em Lausanne, Suíça
Foto: Rama/Musée Bolo / Meio Bit

Jony Ive proveria uma solução, tanto para o iPhone quanto para o iPad, em que o usuário navegaria sem depender de botões, tocando e movendo os dedos diretamente sobre a tela touch, visto que a stylus também não seria uma opção elegante para o então CEO.

Inicialmente, Jobs não queria entrar nesse mercado, mas em 2002, depois de lançar o iPod, ele entendeu que não teria como evitar a mudança. Em 2004, celulares começaram a embarcar recursos dos players de música digitais, e era preciso garantir um meio de manter a Apple à frente da concorrência.

Para Jobs, introduzir um celular sem botões era essencial para atrair a atenção do público, e para distanciar o seu produto do que todos entendiam como o smartphone ideal, que eram os modelos da RIM, posteriormente BlackBerry. Então sinônimos de computadores de bolso funcionais, eles contavam com teclado físico e a tela era normal, sem touch.

Mais importante, os smartphones BlackBerry eram produtos com forte apelo ao usuário corporativo, o símbolo de status do homem de negócios bem-sucedido. Jobs, por outro lado, queria que o iPhone fosse adotado por todo mundo.

Até meados dos anos 2000, quando alguém dizia "smartphone", era nisto que todos pensavam
Até meados dos anos 2000, quando alguém dizia "smartphone", era nisto que todos pensavam
Foto: Reprodução/acervo internet / Meio Bit

Jobs, Ive, Fadell e cia. definiram o iPhone como um iPod com telefone, abarcando todas as soluções do player de música, com o acesso à iTunes Store garantido via redes móveis, Wi-Fi e/ou cabo, ligado a um Mac ou PC. Novas tecnologias, como melhores baterias de íons de lítio, menores e mais eficientes, a evolução de displays multi-touch, melhores processadores ARM, redes móveis mais potentes e em expansão, e melhorias na navegação móvel (céus, ninguém merece o WAP), privilegiaram bastante o desenvolvimento do gadget.

Assim, o iPhone seria um computador de bolso realmente poderoso, fácil de usar, intuitivo, com grande eficiência energética, com acesso ao iTunes e relativamente acessível. Por fim, Jobs bateu o pé com as operadoras e garantiu que todas as atualizações de sistema seriam geridas pela Apple, nenhum bloatware viria pré-instalado, e nenhum recurso seria capado mediante contrato de planos específicos.

iPhone de 1ª geração, chamado popularmente de iPhone 2G
iPhone de 1ª geração, chamado popularmente de iPhone 2G
Foto: Divulgação/Apple / Meio Bit

Com o iPhone, as pedradas

Quando o iPhone foi apresentado durante o keynote da MacWorld 2007, Steve Jobs sabia muito bem o que aconteceria a seguir. Em um primeiro momento, todo mundo desceu o malho no produto, que esteticamente era muito parecido com o iPod Touch, principalmente por contar com conectividade apenas 2G/EDGE, em uma época em que o 3G já estava bem difundido.

A Apple no início focou em fazer o produto se conectar a qualquer rede já estabelecida, e verdade seja dita, a primeira geração era bem limitada, pois não possuía... apps. A App Store só seria introduzida em 2008, junto com o iPhone 3G, a segunda geração do gadget.

O único app de terceiros incluído no iPhone 2G era o do YouTube, que sequer era apresentado com o ícone padrão; ao invés disso, a Apple o ligou à imagem de uma TV velha, com todo o esqueumorfismo provido por Scott Forstall, por imposição de Jobs, este defensor do estilo visual; após sua morte e a partida de Forstall da empresa, o design flat, ao qual Jony Ive era mais favorável, se tornou dominante.

A RIM pagou muito caro não apenas por não considerar que o iPhone ganharia espaço entre usuários corporativos, mas também pela colossal arrogância de seus CEOs, desde o co-fundador da empresa Jim Balsillie dizer que "as pessoas vão às lojas atrás do iPhone e saem com um BlackBerry", e que "a qualidade das ligações é precária", a Mike Lazaridis dizer em 2008, que o grande diferencial de seu produto era o teclado QWERTY.

E claro, teve a antológica declaração de Steve Ballmer, o então CEO da Microsoft, que na época promovia seus celulares com Windows Mobile 6.0 e os players de música Zune:

De fato, US$ 499 por um celular apenas 2G parecia um absurdo, mas Steve Jobs já havia demonstrado, vez após outra, que convencer mercados inteiros a aceitarem a sua visão era um de seus passatempos favoritos, e suas ideias quase sempre colavam.

Para desespero de todo mundo, entre o lançamento oficial nas lojas no dia 29 de junho de 2007, e o fim da disponibilidade oficial em 15 de julho de 2008, o iPhone 2G vendeu 6.124.000 unidades; o iPhone 3G, 1 milhão de unidades no primeiro fim de semana.

O segundo modelo introduziu os apps e a Apple App Store, onde usuários podem adquirir aplicações das mais diversas, de lazer e consumo de conteúdo, como jogos e serviços de streaming, a ferramentas de produtividade, que o iPhone sempre deu conta apesar da tela diminuta; o conceito de computador de bolso completo, ainda um tanto alienígena, foi algo que os concorrentes tiveram que correr atrás para equiparar seus produtos à maçã.

Android volta para a prancheta

O Google também foi duramente impactado pela apresentação do iPhone, isso porque na época, a companhia já estava com o desenvolvimento do Android bem adiantado. Andy Rubin, que originalmente desenvolveu um sistema para ser usado em câmeras digitais, teve sua companhia Android Inc. adquirida pela gigante das buscas, e o projeto movido para telefonia móvel.

Rubin e sua equipe estavam trabalhando em algo que era essencialmente um BlackBerry do Google, sem tela touch e totalmente dependente de um teclado físico. Segundo relatos, Rubin disse após assistir o keynote que o Google "não mais iria lançar aquele telefone", e de fato, o projeto foi para o lixo e recomeçou praticamente do zero.

O HTC Dream, o primeiro celular lançado rodando Android, só deu as caras em setembro de 2008, quando o iPhone 3G já estava mais do que estabelecido; o Google no entanto, preferiu fechar parcerias com diversas fabricantes, a fim de que estas lançassem produtos dos mais diversos modelos, para vários públicos e de categorias consumidoras diferentes.

Versão francesa do HTC Dream, o primeiro celular Android; note o teclado AZERTY
Versão francesa do HTC Dream, o primeiro celular Android; note o teclado AZERTY
Foto: Akela NDE/Wikimedia Commons / Meio Bit

Os primeiros produtos considerados premium a rodar Android, e que tiveram grande apelo junto ao público, foram o Motorola DROID/Milestone (2009), que ainda contava com um teclado QWERTY, e o Galaxy S (2010), este bem mais próximo do iPhone, ao ponto de render uma guerra judicial entre a Apple e a Samsung, que se arrastou por anos, que incluiu versões subsequentes de ambas marcas na pendenga.

Hoje, o Android responde por 70% do market share da telefonia móvel, dividido entre todas as marcas que trabalham com o sistema, mas a grande parte dos lucros do setor está concentrado nas mãos da Apple, com o iPhone sendo o seu principal produto.

No mais, iniciativas de outras empresas tentando se tornar a terceira via, como a Microsoft (que se sabotou sozinha, mais de uma vez), Firefox e outras, não deram em nada; já a RIM foi derrubada do topo, mudou de nome para BlackBerry, tentou se reestruturar, mas não teve jeito.

iPhone hoje

A Apple não mais divulga o número exato das vendas de seus produtos; em janeiro de 2021, o CEO Tim Cook se limitou a dizer que existiam 1 bilhão de iPhones ativos em todo o mundo, enquanto que o Google afirmou, em agosto do mesmo ano, que o Android alcançou a marca 2,5 bilhões de aparelhos funcionais.

Tirando o Brasil, que não é parâmetro para nada, o iPhone começa com preços relativamente acessíveis, sendo de US$ 399 para o modelo SE; a geração do ano corrente, com recursos mais recentes, é normalmente mais cara, chegando a valores que ultrapassam a casa dos US$ 1 mil, o que sendo justo, não é muito diferente com aparelhos Android premium; em alguns casos, estes são bem mais caros.

iPhone 13 Pro Max, 13 Pro, 13 e 13 mini
iPhone 13 Pro Max, 13 Pro, 13 e 13 mini
Foto: Divulgação/Apple / Meio Bit

De qualquer forma, a introdução do iPhone no mercado 15 anos atrás mudou para sempre a telefonia celular, que evoluiu de aparelhos estritamente para falar para computadores completos, a nossa relação com consumo de conteúdo e como nos comunicamos com as pessoas.

Além disso, o iPhone e os celulares Android permitiram que muitos desenvolvedores pudessem lucrar com seus softwares, ainda que Apple e Google não abram mão de suas fatias do bolo, que vêm sendo questionadas por serem grandes demais.

iPhone 15 anos: como a Apple mudou o mundo para sempre

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