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Investidores exigem que Microsoft fortaleça política antiassédio após caso de Gates com funcionária

Depois de investigações internas sobre comportamento de Bill Gates, a Arjuna Capital, uma das empresas acionistas da Microsoft, quer relatórios que provem eficácia das medidas

16 jun 2021 17h57
| atualizado às 18h14
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O processo de divórcio de Bill Gates — e os escândalos que sucederam o anúncio — parece estar incomodando a relação entre acionistas e a Microsoft. Segundo a agência de notícias Bloomberg, a empresa acionista Arjuna Capital exigiu um relatório da empresa fundada por Gates sobre seu comprometimento com a política de assédio na Microsoft, alegando possíveis complicações para os acionistas.

O pedido surgiu depois que a Microsoft afirmou que, em 2019, conduziu uma investigação sobre o envolvimento de Gates e uma funcionária nos anos 2000. Desde então, diversos veículos publicaram relatos de tentativas de relacionamento de Gates com mulheres no trabalho e até "táticas" que o bilionário utilizava para se encontrar com amantes — o ex-presidente da Microsoft costumava ter uma Porsche à disposição quando fazia seus encontros no horário de trabalho.

Na exigência feita à Microsoft, a Arjuna Capital pediu um relatório sobre a "eficácia das políticas de assédio sexual no local de trabalho da empresa", afirmou a investidora.

"A Microsoft está sob intenso escrutínio público devido a inúmeras denúncias de assédio sexual e uma alegada falha em abordá-los de forma adequada e transparente. Relatos de alegados relacionamentos inadequados de Bill Gates e avanços sexuais em relação aos funcionários da Microsoft apenas exacerbaram as preocupações, colocando em questão a cultura estabelecida pela alta liderança e o papel do conselho de responsabilizar os culpados. Os investidores estão preocupados com a possibilidade de a Microsoft estar enfrentando uma cultura de assédio sexual sistêmico, colocando em risco a capacidade da empresa de atrair e reter talentos", explicou Natasha Lamb, cofundadora da Arjuna Capital.

A investidora ainda afirmou que quer levar o assunto para a reunião anual de acionistas, que vai acontecer em dezembro de 2021, e que a empresa precisa se responsabilizar e alterar o cenário, que já foi alvo de outras investigações internas.

"Em 2012, uma ação coletiva foi movida por 238 funcionários da Microsoft, alegando discriminação de gênero e assédio sexual, observando que a equipe de recursos humanos da Microsoft continuamente ignorou e negou essas alegações, apenas considerando uma como fundada. As reclamações reapareceram em abril de 2019 depois que várias mulheres ativaram uma rede de e-mail em toda a empresa, alegando que a Microsoft desconsiderou tais reclamações", afirmou a investidora em um relatório nesta quarta-feira.

Bill Gates anunciou o divórcio com Melinda em 3 de maio e as acusações de seu comportamento com funcionárias começaram a surgir logo que a separação foi a público. Na investigação de 2019, conduzida pela Microsoft, o conselho pediu para que Gates se afastasse da diretoria, mas um porta-voz do bilionário negou que esse tenha sido o motivo pelo qual Gates deixou o conselho. O fundador da Microsoft deixou a empresa em março de 2020, e já não atuava como presidente desde 2008.

O presidente da Microsoft, Brad Smith, disse, porém, em entrevista ao canal americano Bloomberg nesta semana, que Gates continua sendo um consultor da empresa e que se reúne com alguns funcionários nessa posição.

Estadão
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