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Suécia não vai apelar de sentença a favor de Assange

14 dez 2010
15h11
atualizado às 15h42

Os advogados que representam o ministério público da Suécia não vão apelar da sentença de liberdade provisória com pagamento de fiança concedida nesta terça-feira por um tribunal de Londres ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, afirmou seu advogado Mark Stephens. Para sair da prisão, Assange terá de pagar 240 mil libras (R$ 649 mil), entregar seu passaporte, viver sob toque de recolher e usar um dispositivo eletrônico que indique sua localização até a próxima audiência do caso, marcada para o dia 11 de janeiro.

Foto tirada na manhã desta terça mostra Assange chegando à corte; líder do WikiLeaks será libertado sob fiança
Foto tirada na manhã desta terça mostra Assange chegando à corte; líder do WikiLeaks será libertado sob fiança
Foto: AFP

A decisão foi anunciada pelo juiz Howard Riddle, da corte de Westminster. Na semana passada, o mesmo juiz negou a liberdade condicional a Assange, ao aceitar os argumentos da acusação de que havia riscos de descumprimento. Assange é requisitado pelas autoridades da Suécia, onde é acusado por estupro e agressão sexual contra duas mulheres, crimes que teria cometido em agosto passado. Após ter a liberdade negada, os advogados de Assange voltaram a pedir nesta terça-feira a liberdade do ativista, sob pagamento de fiança, indicando que havia pelo menos dez personalidades do Reino Unido que haviam oferecido bancá-la.

O cineasta inglês Ken Loach, a milionária Jemima Khan e o jornalista investigativo australiano John Pilger - que nesta terça-feira também se apresentaram na corte de Westminster - tinham oferecido pagar a fiança de Assange. Além de dezenas de jornalistas, uma multidão de simpatizantes do ativista australiano se concentrou em frente ao tribunal londrino para expressar apoio a ele, e receberam com júbilo a notícia de que o réu seria posto em liberdade. Desde a primeira audiência de extradição, no último dia 7, Assange permaneceu em prisão preventiva.

Segundo Mark Stephens, da equipe de advogados de defesa, Assange ficou detido em uma cela de isolamento na prisão de segurança máxima de Wandsworth, onde teve a correspondência censurada. A mãe do ativista, Christine Assange, falou por telefone durante dez minutos com seu filho e tomou nota por escrito de uma mensagem que depois transmitiu ao canal de televisão australiano Seven Network. "Faço um apelo a todo o mundo para que meu trabalho e meus seguidores sejam protegidos desses ataques ilegais e imorais", indicou Assange. "Tenho firmes convicções".

O vazamento WikiLeaks
No dia 28 de novembro, a organização WikiLeaks divulgou mais de 250 mil documentos secretos enviados de embaixadas americanas ao redor do mundo a Washington. A maior parte dos dados trata de assuntos diplomáticos - o que provocou a reação de diversos países e causou constrangimento ao governo dos Estados Unidos. Alguns documentos externam a posição dos EUA sobre líderes mundiais.

Em outros relatórios, a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, pede que os representantes atuem como espiões. Durante o ano, o WikiLeaks já havia divulgado outros documentos polêmicos sobre as guerras do Afeganistão e do Iraque, mas os dados sobre a diplomacia americana provocaram um escândalo maior. O fundador da organização, o australiano Julian Assange, foi preso no dia 7 de dezembro, em Londres, sob acusação emitida pela Suécia de crimes sexuais.



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