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Por que o WhatsApp bloqueou filho de Bolsonaro e mais 'centenas de milhares' de usuários às vésperas das eleições

Os bloqueios teriam sido operados por algoritmos do WhatsApp, capazes de perceber 'comportamento suspeito' de usuários.

19 out 2018
15h04
atualizado às 15h23
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A conta do senador eleito Flavio Bolsonaro (PSL) - filho do candidato presidencial Jair Bolsonaro, do mesmo partido - no WhatsApp foi banida por "comportamento de spam", segundo um porta-voz do escritório da empresa em São Paulo ouvido pela BBC News Brasil nesta sexta-feira.

Na quinta-feira, um executivo da sede do WhatsApp na Califórnia informou à BBC News Brasil que "centenas de milhares de perfis foram banidos" durante o período eleitoral brasileiro.

Aplicativo de mensagens está no centro do debate na campanha eleitoral deste ano no Brasil
Aplicativo de mensagens está no centro do debate na campanha eleitoral deste ano no Brasil
Foto: LeoPatrizi / Getty Images / BBC News Brasil

Os bloqueios seriam fruto de um investimento da empresa de tecnologia em ferramentas de detecção de comportamento suspeito de usuários, como o volume de mensagens enviadas, a repetição de conteúdos, discursos de ódio ou ofensas, além de quantas vezes este usuário foi excluído ou bloqueado por interlocutores.

"São algoritmos inteligentes que vão percebendo padrões e melhoram com o tempo", diz o porta-voz.

Ainda segundo o WhatsApp, a exclusão do telefone do filho de Bolsonaro da plataforma não tem a ver com as denúncias que vieram à tona nesta quinta-feira.

Segundo o jornal Folha de S.Paulo, empresários teriam pago até R$ 12 milhões por disparos em massa no aplicativo de mensagens atacando o rival de Bolsonaro, Fernando Haddad (PT).

Flavio Bolsonaro e Dilma Rousseff

Pelo Twitter, na manhã desta sexta, Flavio insinuou que estaria sendo perseguido pela plataforma.

"A perseguição não tem limites! Meu WhatsApp, com milhares de grupos, foi banido DO NADA, sem nenhuma explicação!"

O senador eleito pelo Rio e filho de Bolsonaro é um dos principais responsáveis pela estratégia do pai nas redes sociais
O senador eleito pelo Rio e filho de Bolsonaro é um dos principais responsáveis pela estratégia do pai nas redes sociais
Foto: Twitter / reprodução / BBC News Brasil

Duas horas depois, o filho do presidenciável voltou à rede social para informar que sua conta havia sido reestabelecida.

"Meu telefone, cujo WhatsApp foi bloqueado, é pessoal e nada tem a ver com uso por empresas. O próprio WhatsApp informou que o bloqueio foi há dias, antes da Fake News da Foice de SP. (SIC) Agora já foi desbloqueado, mas ainda sem explicação clara sobre o porquê da censura."

Porta-vozes do WhatsApp confirmaram que a exclusão da conta de Flavio aconteceu antes da divulgação do suposto envolvimento ilegal de empresas com a campanha presidencial.

Além da conta de Flavio, segundo a BBC News Brasil apurou, um perfil criado pela campanha da ex-presidente Dilma Rousseff ao Senado por Minas Gerais também foi banida por comportamento de spam.

Após a divulgação, o PT acionou a Justiça Eleitoral para investigar suposto financiamento ilegal para Bolsonaro.

Na terça-feira, representantes do TSE e integrantes do conselho consultivo sobre internet e eleições do tribunal participaram de uma videoconferência com representantes do WhatsApp, nos Estados Unidos.

Nesta reunião, segundo a BBC News Brasil apurou, os representantes informaram que, dentre as contas de spam e automatização bloqueadas durante o primeiro turno, estava a de Flavio Bolsonaro.

Também disseram, mais de uma vez, que o número de contas bloqueadas era de 700 mil. Ao final, pediram que constasse na ata que "centenas de milhares" de contas, e não "700 mil", haviam sido bloqueadas.

O que é comportamento de spam?

A empresa explicou à BBC News Brasil quais são os critérios para a exclusão de perfis.

As respostas dos usuários sobre spam são usadas para aprimorar os algoritmos do aplicativo, diz representante do WhatsApp
As respostas dos usuários sobre spam são usadas para aprimorar os algoritmos do aplicativo, diz representante do WhatsApp
Foto: PeopleImages / Getty / BBC News Brasil

"Quando você recebe uma mensagem de um número que não está na sua agenda de contatos, você já tem as opções de bloquear ou denunciar como spam. Essas denúncias são levadas em conta pelo app."

Além dos milhares de usuários com comportamento considerado inapropriado, o WhatsApp informou à imprensa nesta sexta que acionou a Justiça para impedir que empresas como as identificadas pelo jornal Folha de S.Paulo façam envios em massa de conteúdos que possam influenciar as eleições presidenciais.

"Estamos tomando medidas legais para impedir que empresas façam envio maciço de mensagens no WhatsApp e já banimos as contas associadas a estas empresas", informou o WhatsApp, segundo o jornal.

A empresa americana também enviou notificação extrajudicial para as agências envolvidas na denúncia pedindo que deixem de enviar mensagens em massa para números de celulares obtidos pela internet, sem autorização dos proprietários.

A ministra Rosa Weber, presidente do Tribunal Superior Eleitoral, (PSL) e a procuradora-geral da República, Raquel Dodge convocaram a imprensa para entrevista coletiva sobre o caso na tarde desta sexta, mas o encontro foi adiado para o domingo.

*Colaborou Juliana Gragnani, da BBC News Brasil em Londres

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