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Marco Civil da Internet vai obrigar empresas a manter dados no Brasil

5 nov 2013
15h26
atualizado às 17h09
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O relatório final do Marco Civil da Internet prevê que o Poder Executivo poderá, por meio de decreto, obrigar os provedores de conexão e demais companhias de internet a armazenar dados em território nacional. O item foi incluído no texto a pedido da presidente Dilma Rousseff, após denúncias de espionagem por parte dos Estados Unidos a brasileiros. 

O texto final do Marco Civil, apresentado pelo deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator da matéria, prevê que a obrigação de manter data centers no País será definida de acordo com o "porte dos provedores, seu faturamento no Brasil e a amplitude da oferta do serviço ao público brasileiro". A ideia da proposta é facilitar que se cumpra a legislação brasileira na proteção de dados de internautas. 

"Haverá um corte de porte financeiro. O texto deixa claro que os pequenos e eventualmente os médios empresários não serão afetados. É só deixar uma regra clara para permitir que, na proteção de dados brasileiros, vai se aplicar a legislação brasileira", disse Molon.

Segundo o deputado, a obrigação do armazenamento de dados no Brasil não impediria o espelhamento dessas informações em servidores do exterior. As empresas, no entanto, não poderiam resistir a respeitar a legislação brasileira em caso de quebra de sigilo.

"Não impede que o espelhamento desses dados e que esses dados sejam armazenados em outro país. No entanto se esse armazenamento desses dados der causa para quebra de sigilo dos brasileiros, não se poderá utilizar o argumento de que a privacidade de dados de brasileiros foi quebrada no exterior. Eles foram espelhados de dados determinados que estão armazenados no Brasil", disse.

O artigo que prevê os data-centers no Brasil não é unanimidade no Congresso e entre defensores do Marco Civil. Alguns ativistas acreditam que a exigência poderia aumentar os custos de usuários. 

Neutralidade da rede
Outro ponto do Marco Civil que sofre resistência é o que trata da chamada "neutralidade da rede". O item obriga as companhias de internet a tratar de forma isonômica os pacotes de dados comercializados. No artigo, que sofria resistência de companhias telefônicas, foi incluído que a discriminação ou degradação do tráfego será regulamentada por decreto presidencial.

O texto foi modificado para inserir que a degradação do tráfego somente poderá decorrer em casos de "priorização a serviços de emergência" ou "requisitos técnicos indispensáveis à prestação adequada dos serviços e aplicações".

Para o deputado, a "neutralidade" é o ponto principal do projeto. "A meu ver o coração do projeto e que eu espero que a Casa proteja sem abrir exceções é a neutralidade da rede. Vamos lutar com todas as forças para que no plenário não seja retirado por nenhuma emenda", disse Molon.

Guarda de registros
O Marco Civil da internet prevê a proibição da guarda dos registros de acesso dos usuários a aplicações de internet, sem prévio consentimento. O artigo do projeto de lei poderia afetar a publicidade dirigida, quando dados da navegação do usuário são utilizados para sugerir produtos específicos.

"Acaba-se com a possibilidade de quebrar a privacidade do usuário, que hoje em dia tem toda sua navegação gravada e vendida para marketing dirigido, sem sequer que o usuário sabe que isso está sendo feito", disse Molon.

Fonte: Terra
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