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Integração entre Facebook, WhatsApp e Instagram preocupa reguladores europeus

Possível erosão dos mecanismos de privacidade dos apps, obstáculos para realizar auditorias externas e processamento de metadados geram apreensão

4 fev 2019
13h01
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A ideia de Mark Zuckerberg de integrar seus três principais serviços, Facebook, WhatsApp e Instagram, está causando preocupações relacionadas à privacidade em reguladores europeus. No dia 25 de janeiro, uma reportagem do New York Times revelou que a companhia está trabalhando para unificar a infraestrutura dos três serviços - a mudança poderia permitir, por exemplo, que um usuário do WhatsApp enviasse mensagens a um contato do Instagram. A Comissão Irlandesa de Proteção de Dados (IDPC, na sigla em inglês), agência que regula diretamente o Facebook no continente, postou um comunicado em seu site no qual exige um relatório urgente sobre os planos da companhia.

"Propostas anteriores de compartilhamento de dados entre as companhias do Facebook fizeram surgir preocupações significantes em relação à proteção de dados e o IDPC está buscando garantias de que essas preocupações serão consideradas pelo Facebook ao desenvolver essa proposta", diz o texto.

Entre os motivos de apreensão estão a possível erosão dos mecanismos de privacidade dos apps, principalmente do WhatsApp, o aumento de obstáculos para realizar auditorias externas sobre o tratamento de dados e o processamento de metadados gerados pelos serviços. Metadados são informações geradas em atividades online que não identificam diretamente os usuários. Porém, dependendo de como são processados, podem revelar a identidade de seus donos. Nesse caso, a lei europeia de proteção de dados considera que essas informações são privadas, e que merecem proteção.

Em 2018, os fundadores do Instagram, Kevin Systrom and Mike Krieger, deixaram a empresa por considerar que o Facebook estava reduzindo a independência do serviço. Brian Acton e Jan Koum, fundadores do WhatsApp, também saíram do Facebook por considerar que a rede social pressionava para reduzir a privacidade do app com objetivos comerciais. Em uma entrevista à Forbes, Acton disse que o Facebook o instruiu a dizer para reguladores europeus em 2014, na época da aquisição da empresa, que unificar os dados dos usuários das duas plataformas seria muito difícil de realizar.

Na Europa, o Facebook já foi ameaçado de sanções ou foi punido na Alemanha, no Reuno Unido e na França em casos relacionados a transferências de dados entre seus diferentes serviços. Isso inclui uma multa de US$ 122 milhões por ter fornecido informações falsas ou enganosas durante o processo de aquisição do WhatsApp.

O Facebook não comentou o comunicado da IDCP. Ao New York Times, a empresa se manifestou sobre a integração. Disse que pretende "construir as melhores experiências de mensagens possíveis, com comunicação rápida, simples, confiável e privada." "Estamos trabalhando em fazer todos nossos serviços criptografados e considerando jeitos para que seja mais fácil encontrar amigos e familiares pela rede", completou.

Marcando posição. Ao unir a infraestrutura dos seus aplicativos, Zuckerberg planeja aumentar a utilidade de sua rede social, mantendo bilhões de pessoas em seu ecossistema. A ideia é de que quanto maior integração entre os aplicativos da empresa, menos pessoas usarão os rivais da companhia para se comunicarem - como os serviços de Apple e Google. Além disso, com maior interação pelos aplicativos do Facebook, a empresa também pode aumentar sua receita com publicidade, bem como adicionar novas fontes de faturamento aos apps.

Outra utilidade da integração seria a de reforçar o papel do Facebook como uma ferramenta de comunicação global - hoje, o WhatsApp é popular na América do Sul e na Índia, mas se vê preterido pelo WeChat, na China, e até mesmo por mensagens SMS nos Estados Unidos. Além disso, as mudanças fornecem à Zuckerberg uma chance maior de fazer dinheiro com o Instagram e o WhatsApp. Hoje, os aplicativos geram pouca receita, apesar de terem, respectivamente, 1 bilhão e 1,5 bilhão de usuários mensalmente ativos.

Estadão

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