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Uso de inteligência artificial pode aumentar desemprego no Brasil, diz FGV

Feita em parceria com a Microsoft, pesquisa aponta que ocupação pode cair até 4 pontos porcentuais em 15 anos; empregos pouco qualificados seriam prejudicados, mas tecnologia aumentaria renda média do brasileiro

17 mai 2019
17h34
atualizado em 18/5/2019 às 00h28
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Responsável por reduzir burocracias, automatizar processos e aumentar a eficiência, o uso de inteligência artificial (IA) pode aumentar o desemprego no País em quase 4 pontos porcentuais nos próximos 15 anos. Os dados são de um estudo desenvolvido pelo professor Felipe Serigatti, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em parceria com a Microsoft, e foram apresentados nesta sexta-feira, 17.

Para simular o impacto da adoção de IA na economia brasileira, a pesquisa estipulou três cenários: um conservador, no qual a taxa de crescimento da adoção de IA pelo mercado brasileiro é de 5%, durante 15 anos. Nesse panorama, a economia também cresce menos do que o estimado para os próximos anos. No cenário intermediário, o número é de 10%, com crescimento estável. Já no mais agressivo, em um mundo em que a economia tem projeção otimista de crescimento, a adoção de IA subiria 26% no período - é nesse último que o desemprego pode aumentar em 3,87 pontos porcentuais, no saldo geral da população.

No mais severo dos cenários, os mais afetados serão os trabalhadores menos qualificados, que poderão ver o desemprego aumentar em 5,14 pontos porcentuais; já o número de vagas qualificadas pode subir com a adoção massiva de inteligência artificial, em até 1,56 ponto percentual. "A inteligência artificial aumentará a desigualdade", alertou Serigatti, que é professor de Economia da FGV.

A pesquisa analisou seis segmentos diferentes da economia: agricultura, pecuária, óleo e gás, mineração e extração, transporte e comércio e setor público (educação, saúde, defesa e administração pública). Os trabalhadores mais afetados no cenário mais agressivo são os mais qualificados dos setores de óleo e gás e de agricultura, dois dos principais pilares da economia brasileira. O primeiro tem redução nos empregos de 23,57%, e o segundo, de 21,55%. "Esse impacto é diferente entre jovens e adultos, mas ainda precisamos de mais dados", disse Serigatti.

Na pesquisa, foram considerados apenas cenários em que varia o uso de inteligência artificial - foram desconsideradas possíveis influências de reformas como a previdenciária ou a tributária, bem como mudanças no padrão de crescimento da economia.O pesquisador também falou que os resultados são heterogêneos entre os setores - na agricultura, por exemplo, há segmentos muito diferentes entre si.

Aumento de renda

Por outro lado, a implementação da tecnologia promete aumentar a renda tanto dos trabalhadores menos quanto dos mais qualificados, em todos os cenários. No cenário mais agressivo, os menos qualificados terão aumento de 7% na renda, enquanto os mais qualificados verão esse número em 14,72%. No mercado geral, o aumento de renda será de 9,26%

A pesquisa também detectou nos três cenários o aumento do bem estar da população, o que segundo Serigatti é definido como acesso de bens de consumo e serviços: 0,9% no cenário mais brando e 9,6% no mais agressivo.

O aumento do PIB também é registrado nos três cenários: 0,64% (brando), 1,32% (intermediário) e 6,43% (agressivo). "Com o crescimento do PIB, isso faz a sociedade gerar um volume maior de renda e a aumentar a produtividade, o que fará até com que os indivíduos afetados negativamente tenham maior acesso a bens e serviços", diz Serigatti.

Educação

O anúncio da pesquisa foi realizado dentro de uma palestra sobre educação da Microsoft - empresa que tem longa relação com o governo brasileiro e trabalha no setor de educação. Em fevereiro, ao visitar o País, o presidente executivo da empresa Satya Nadella lançou uma série de cursos gratuitos de capacitação em IA , em parceria com o Serviço Social da Indústria (Sesi) e o Serviço Nacional da Indústria (Senai).

"A educação é mais importante do que nunca para o futuro do Brasil e pagará dividendos em 20, 30, 40 anos. Eu disse isso a ministros da educação anteriores", disse Anthony Salcito, vice-presidente da divisão de educação da Microsoft, durante a apresentação. Questionado pelo Estado sobre o momento do Ministério da Educação, ele repassou a palavra para Vera Cabral, diretora de educação da empresa no País. "É difícil falar sobre governos, mas a gente gostaria de ter um ministro da educação que realmente desse prioridade para a educação", declarou a executiva.

Estadão
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