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TransferWise faz nova rodada e é avaliada em US$ 3,5 bilhões

Responsável por transferências internacionais, fintech da Estônia realizou operação em mercado secundário

22 mai 2019
01h10
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A startup estoniana TransferWise, uma das principais fintechs da Europa, anuncia nesta quarta-feira, 22, uma nova rodada de investimentos. Avaliada em US$ 292 milhões, a operação foi feita no mercado secundário - isto é, os novos investidores compraram participação de acionistas que estavam presentes na empresa. "Não levantamos um centavo e a rodada não muda nossos planos, mas alivia a pressão interna para que fizéssemos abertura de capital", explica Kristo Käärmann, presidente executivo da startup, ao Estado. "É um movimento atípico, até porque, ao contrário de nós, muitas startups não estão acostumadas a serem lucrativas."

Com a rodada, a TransferWise passa a ser avaliada em US$ 3,5 bilhões no mercado. Além disso, passa a ter como investidores os fundos Lead Edge Capital, Lone Pine Capital e Vitruvian Partners - outros acionistas, como o fundo do Vale do Silício Andressen Horowitz, decidiram aumentar sua participação na empresa. "Foi também uma oportunidade para trazer investidores de porte, acostumados a transformar startups grandes em gigantes", comentou Käärmann.

Segundo o executivo, os planos da startup para este ano seguem os mesmos: expandir o serviço Bordeless, espécie de carteira digital que funciona em diferentes países, bem como o TransferWise for Business, modalidade para pessoas jurídicas (em especial, profissionais liberais e pequenas empresas) que operam em várias nações ao mesmo tempo. Os dois serviços, por exemplo, não estão disponíveis no Brasil, que, ainda assim, é um dos cinco maiores mercados da startup estoniana.

De acordo com a TransferWise, mais de R$ 6 bilhões já foram movimentados no País. "O Brasil é um país chave para nós, até por conta de como os bancos operam por aí e da vantagem que sentimos que podemos oferecer. A questão não é se vamos oferecer novos produtos, mas sim quando", disse ele. "É difícil trabalhar no Brasil; é mais fácil operar em lugares em que há economia estável", afirmou o executivo. Além disso, a empresa tem planos de contratar 750 pessoas nos próximos doze meses, em suas diversas sedes pelo mundo.

Futuro das fintechs

Apesar do discurso crítico a alguns bancos, a TransferWise também tem começado a trabalhar junto com instituições financeiras em alguns países. Na França, por exemplo, o BPCE e os bancos digitais Monzo e bunq já oferecem, desde 2018, o serviço da TransferWise aos seus 15 milhões de clientes, por meio de integração de plataformas.

"Bancos tentam fazer tudo sozinhos, mas nem sempre são bons nisso. O que as startups oferecem é uma forma de tornar algumas tarefas mais eficientes", diz Käärmann. Para ele, o futuro oferece dois cenários possíveis, mas com um mesmo resultado - a integração entre fintechs e bancos. Uma será por meio de parcerias, com bancos fechando acordos com fintechs para executar funções. Outra será por meio do chamado open-banking, integração de dados aberta e regulada que começa a ser estudada aqui no Brasil. "Nesse cenário, as pessoas não vão se importar em usar diversos serviços, porque haverá integração no sistema. É muito diferente do que acontece hoje, quando os bancos fazem nosso dinheiro de refém."

Estadão
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