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Startup Remessa Online, que faz transações internacionais, levanta R$ 110 mi

Startup quer atrair pequenas e médias empresas para a plataforma; rodada foi liderada pelo fundo Kaszek Ventures e por Kevin Efrusy, ex-investidor do Facebook

16 jun 2020
06h09
atualizado às 11h48
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A startup de transferências internacionais Remessa Online anuncia nesta terça-feira, 16, que recebeu um aporte de R$ 110 milhões em rodada liderada pelo fundo argentino Kaszek Ventures, que já fez investimentos em algumas das principais startups do País como o Nubank, Loggi e QuintoAndar. Participaram também da rodada o fundo Bewater Ventures e Kevin Efrusy, sócio do fundo americano Accel Partners, que já investiu em empresas como Facebook e Dropbox.

Fundada em 2016 pelos veteranos do mercado financeiro Alexandre Liuzzi (ex-Santander e JP Morgan) e Fernando Pavani (ex-Itaú e Franklin Templeton), a startup permite que brasileiros recebam pagamentos do exterior e que enviem dinheiro para fora do Brasil. Com o novo investimento, o objetivo é expandir o serviço para pequenas e médias empresas, diz Liuzzi ao Estadão. A companhia começou a trabalhar no projeto em 2018, quando recebeu um aporte de R$ 20 milhões.

Outra mudança na empresa é a chegada de Hernan Kazah (cofundador do Mercado Livre e da Kaszek Ventures) ao conselho de administração - hoje, o grupo também conta com a participação de André Penha (co-fundador do Quinto Andar) e Fabio Armaganijan (ex-diretor de operações da Kraft Heinz nos EUA).

Remessa Online, de Alexandre Liuzzi, recebe aporte de R$ 110 milhões e busca pequenas empresas
Remessa Online, de Alexandre Liuzzi, recebe aporte de R$ 110 milhões e busca pequenas empresas
Foto: Remessa Online/Divulgação / Estadão

Segundo Liuzzi, a nova rodada de aportes estava sendo negociada desde fevereiro, antes que a pandemia do novo coronavírus virasse o mundo de cabeça para baixo. Na visão do executivo, porém, o período de isolamento social acelerou as oportunidades da empresa para atender pequenos empresários, que passaram a vender mais pela internet em momentos de crise.

"Grandes corporações têm uma assistência razoável de bancos tradicionais para realizar transações no exterior. O mesmo não acontece para os pequenos", afirma Liuzzi. "Para eles receberem e fazerem pagamentos internacionais é extremamente doloroso e sem previsibilidade." A Remessa Online promete cobranças de taxas até dez vezes mais baratas em alguns casos - a plataforma cobra 1,3% de custo sobre a operação, IOF e taxa bancária, que são obrigatórios.

Com processos digitais mais acessíveis e o barateamento da mão de obra brasileira causado pelo atual patamar do dólar, a Remessa Online consegue imaginar um cenário no qual pequenos empreendedores, como produtores de conteúdo e prestadores de serviço, realizarão mais trabalhos para contratantes internacionais. "A pandemia afetou o volume de operações feitos pelos clientes pessoa física, mas o segmento de pessoa jurídica impulsionou nossos negócios e vamos apresentar crescimento de 80% em receita em comparação com o segundo trimestre de 2019", diz o executivo.

A expectativa da empresa antes da pandemia era de quadruplicar o crescimento - ainda assim, em um cenário no qual até grandes startups estão sofrendo na crise, muitas fizeram demissões, a Remessa Online conseguiu apresentar um número expressivo. Com mais de 200 funcionários, a companhia não estuda aumentar a equipe, mas também não projeta cortes.

A diferença de perfil entre os segmentos de clientes ajuda a entender a diferença nos resultados. O cliente pessoa física, segundo a empresa, tem uma vida internacional, como um filho estudando fora. Há também aqueles que desejam fazer investimentos internacionais, como compras de ações ou imóveis. São hábitos bastante impactados pela pandemia e pela alta do dólar. Já o segmento de pessoas jurídicas é composto de pequenas empresas que recebem pagamentos, exportando serviços - e startups estão inclusas neste pacote. Parte do dinheiro será usado em ações de marketing para atrair esses clientes.

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Estadão
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