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Startup pernambucana InLoco recebe aporte de US$ 20 milhões

Empresa tem serviço de geolocalização que traça perfis de consumo para clientes; responsável por levar Gympass aos EUA, fundo Valor, que lidera a rodada, quer replicar experiência com startup

13 jun 2019
05h10
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A startup pernambucana InLoco, anuncia nesta quinta-feira, 12, que recebeu um aporte de US$ 20 milhões, liderado pelo fundo norte-americano Valor Capital e pelo fundo brasileiro Unbox Capital. Dona de um serviço de geolocalização que traça perfis de consumo de usuários de smartphones para empresas, a InLoco tem cerca de 400 clientes no Brasil. Com os novos recursos, a startup pretende expandir sua atuação no País e iniciar operações nos Estados Unidos. Além disso, quer abrir pelo menos 100 vagas este ano, ampliando a equipe atual de 180 funcionários.

Para a InLoco, o valor do investimento é considerável: em sua primeira e única rodada de investimento até o momento, a pernambucana recebeu cerca de US$ 600 mil. "Nosso produto atingiu uma certa maturidade nos últimos anos e identificamos que era hora de acelerar o crescimento", afirma André Ferraz, presidente executivo da empresa.

Fundada em 2014, depois de nascer como trabalho de graduação na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a InLoco usa hoje sua tecnologia para auxiliar empresas a direcionarem anúncios pela internet. Para isso, clientes como Grupo Boticário, Hyundai e OLX acoplam o software feito pela empresa em seus próprios aplicativos. Com os dados de geolocalização dos usuários disponibilizados pelo serviço, uma marca de cosméticos pode direcionar propagandas para quem esteve recentemente em um salão de beleza, por exemplo. A tecnologia permite também que a localização atual do usuário seja utilizada no lugar de comprovantes de residência para cadastros.

Rumo aos EUA

O primeiro passo da expansão para os EUA é a abertura de um escritório em Nova York, para sondar o mercado. "Precisamos entender como vamos adaptar nossos produtos ao mercado americano", diz André Ferraz. Para isso, a empresa tem um aliado: líder desta rodada de aportes, o Valor trabalha há tempos com empresas brasileiras. O fundo já ajudou a Stone a abrir capital em Nova York e a Gympass, dona de um serviço corporativo de academias, a fazer sua expansão internacional para 14 países.

Segundo Michael Nicklas, sócio do fundo americano, a tecnologia da pernambucana tem enorme potencial a longo prazo, especialmente considerando a Internet das Coisas - nome dado à revolução que vai conectar todos os objetos à nossa volta. "A tecnologia da InLoco tem um grande diferencial: a precisão da geolocalização", diz o sócio do Valor. "Será algo importante no cenário de internet das coisas. Possibilita, por exemplo, que um aparelho de ar-condicionado seja ligado automaticamente quando identificar que um smartphone 'entrou' numa sala."

Para David Kallás, coordenador do Centro de Estudos em Negócios do Insper, esse caminho de expansão internacional é natural, mas será um desafio. "Negócios que dependem da coleta de dados precisam que muitas pessoas estejam usando", afirma o pesquisador. "Por outro lado, é algo que precisa de escala e volume para funcionar, então não haverá muitos competidores."

Privacidade

Por usar dados de usuários, o modelo proposto pela InLoco lembra, inevitavelmente, o de grandes empresas de tecnologia. A startup afirma, entretanto, que seu funcionamento é diferente: "Não coletamos nenhuma identificação do usuário como nome, email e CPF. Nosso serviço prova que é possível ter resultados garantindo a privacidade e a anonimidade do usuário", afirma Ferraz. Para ele, se preocupar com a integridade dos dados de usuários é uma preocupação crescente - especialmente considerando que, em breve, sensores povoarão as cidades captando volume enorme de informações. "Queremos ser um exemplo de armazenamento anônimo", diz o presidente executivo.

Na visão de Kallás, ter uma abordagem responsável quanto à privacidade será uma característica competitiva no mercado. "Se o mundo não enxerga hoje essa vantagem, terá de enxergar, por conta da Lei Geral de Proteção de Dados", diz. "Será um requisito legal para todas as empresas."

Estadão

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