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Startup Olist, de e-commerce, recebe 'chorinho' de R$ 144 mi em rodada de aporte

Total da rodada chega agora a R$ 454 milhões; empresa resolveu engordar cheque frente ao crescimento nos primeiros meses de 2021

15 abr 2021
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Depois de levantar R$ 310 milhões em novembro, a startup curitibana Olist, especializada em e-commerce, resolveu engordar a rodada de investimento: a empresa anuncia nesta quinta-feira, 15, que recebeu um aporte adicional de R$ 144 milhões, fazendo a rodada chegar ao total de R$ 454 milhões.

No ano passado, a primeira parte do investimento foi liderada pelo grupo japonês SoftBank, que já havia participado de uma rodada de R$ 190 milhões na Olist em 2019. Quem esteve à frente do "chorinho", porém, foi a divisão de gestão de ativos do banco Goldman Sachs — a firma brasileira de capital de risco Redpoint eventures também participou do novo aporte.

Segundo Tiago Dalvi, fundador e presidente executivo da startup, o crescimento da Olist nos primeiros meses deste ano exigiu mais gasolina no tanque. "Em 2020, crescemos duas vezes em receita na comparação com o ano anterior, e, no primeiro trimestre deste ano, fomos positivamente surpreendidos por um crescimento ainda mais acelerado, puxado principalmente pela nossa parte de logística. Isso nos fez repensar o tamanho da rodada e antecipar planos", disse Dalvi em entrevista ao Estadão. Ele confirma que, agora, a rodada (de série D) da Olist está fechada.

Os novos recursos têm destino claro: o dinheiro será usado para turbinar os serviços da Olist, realizar fusões e aquisições, contratar funcionários e ajudar no processo de internacionalização da empresa.

Fundada em 2015, a Olist ganhou mercado inicialmente ajudando lojas físicas a venderem em marketplaces como Mercado Livre e Amazon, mas hoje reúne também outros serviços relacionados a e-commerce. Um pouco antes do início da pandemia, a startup lançou um novo produto, o Olist Shops, que permite a qualquer lojista criar sua própria loja online e gerenciá-la. Uma terceira vertical da empresa, o Olist Pax, é focada na logística por trás das vendas — além de atender os usuários da startup, esse serviço atende cerca de 100 clientes externos, como C&A, GPA e Carrefour. Ao todo, as três frentes têm hoje 325 mil clientes.

Apontada como candidata a unicórnio em 2021, segundo relatório da empresa de inovação Distrito divulgado em fevereiro, a Olist não revelou o seu valor de mercado com o fechamento da rodada. Questionado sobre a proximidade da avaliação de US$ 1 bilhão, Dalvi afirmou que a startup está "sem dúvida" mais perto do que longe.

Vários focos

Com o cheque, a startup pretende investir em melhorias para todos os seus serviços. O Olist Shops, porém, deve ganhar atenção especial. "É um serviço que nasceu há pouco mais de um ano e há muitas possibilidades de novas ferramentas", diz o fundador da Olist.

Parte desses aperfeiçoamentos virá de fora, por meio de fusões e aquisições. Segundo Dalvi, a startup tem hoje 20 empresas no radar e deve fechar de três a cinco aquisições ainda neste ano. Em novembro do ano passado, a Olist comprou a startup Clickspace, especializada em soluções de marketplaces e comércio via canais sociais. Em dezembro, adquiriu a startup de logística Pax.

Agora, a Olist está olhando para empresas de áreas como serviços financeiros — que atuam em crédito, antecipação de recebíveis e processamento de pagamento, por exemplo — e também para plataformas que prestam serviço para e-commerce em geral, desde inteligência de preços até logística. "Pautamos o serviço da Olist com base na dor do lojista, na dificuldade de ele operar e de crescer o negócio. E também há dor ao tomar um crédito e ao comprar o produto de um fornecedor", comenta Dalvi.

Quanto a contratações, a startup espera chegar a 1 mil funcionários até o final do ano. Hoje, a equipe da Olist é de 675 pessoas — à época da primeira parte da rodada, em novembro, eram 480.

Está também entre os planos da startup internacionalizar seus serviços. Atualmente, o Olist Shops já atende usuários em mais de 180 países, mas a ideia é fincar a bandeira em algumas regiões. "Queremos ter uma operação mais próxima e regionalizada, não só para fortalecer o Olist Shops mas para levar outros elementos do nosso ecossistema", diz Dalvi. A previsão é que a empresa anuncie por volta de junho qual será o primeiro país em que irá aterrissar.

E-commerce em alta

O setor de comércio eletrônico está aquecido com o impulso da pandemia. No mundo das startups, além da Olist, um nome de destaque é a startup Vtex, que levantou um cheque no ano passado e se tornou um unicórnio, com valor de mercado de US$ 1,7 bilhão — a empresa é dona de uma solução que ajuda grandes marcas a criarem e manterem suas lojas online.

O setor de logística também pegou carona com o crescimento do e-commerce: em fevereiro, a startup Loggi recebeu um aporte de US$ 212 milhões, o maior de sua história. A empresa de entregas cresceu 360% em 2020.

Estadão
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