8 eventos ao vivo

Startup mineira Take levanta aporte de US$ 100 milhões

Rodada liderada pela americana Warburg Pincus vai impulsionar negócio da empresa, que permite que marcas como Coca-Cola e Itaú conversem com clientes pelo WhatsApp de forma eficiente

7 out 2020
09h10
  • separator
  • 0
  • comentários
  • separator

A startup mineira Take anuncia nesta quarta-feira, 7, que levantou uma rodada de aporte de US$ 100 milhões. Dona de um sistema que permite a marcas conversarem com seus clientes pela internet, misturando atendentes e funções automatizadas, a mineira pretende usar os recursos para expandir suas atividades no País e no exterior. O investimento foi liderado pela gestora americana de private equity Warburg Pincus, que já aportou em empresas brasileiras como a rede de pet shops Petz e a startup Superlógica.

Fundada em 1999, a Take tem hoje cerca de 750 clientes, incluindo nomes como Coca-Cola, Itaú e Claro. "Apostamos muito no engajamento, na ideia de que plataformas de conversa, como o WhatsApp, pode ser um canal principal para as marcas para marketing, atendimento ou vendas", explica o presidente executivo da Take, Roberto Oliveira, ao Estadão. "Hoje, por exemplo, os milhares de estabelecimentos que revendem Coca-Cola em todo o Brasil podem fazer seus pedidos via WhatsApp."

Para isso, a startup mineira utiliza o que chama de "contatos inteligentes", em uma plataforma que usa inteligência artificial para direcionar as conversas entre automação ou atendentes contratados pelo próprio cliente. Para faturar, a empresa cobra de acordo com a quantidade de usuários ativos mensalmente - isto é, que entram em contato com a marca. Mensalmente, a plataforma da Take trafega cerca de 1,5 bilhão de mensagens.

Em 2020, a empresa fechará o ano com receita de R$ 200 milhões, o dobro do que teve em 2019. Para 2021, a expectativa é também dobrar a receita, mas multiplicar o número de clientes, chegando a 10 mil. Segundo Oliveira, esse salto será feito com foco nas pequenas e médias empresas, bastante necessitadas de ajuda no contato. "Muitas já usam o WhatsApp para atender aos clientes, mas tem dificuldades para lidar com o fluxo e a comunicação assíncrona. A automação ajudará nisso", diz o executivo.

"Esse é um mercado gigantesco. Muito em breve, todas as empresas terão de estar presentes na internet conversacional da mesma forma que tiveram de colocar seus websites no ar no passado recente - e estamos confiantes de que o time Take Blip é o melhor para ajudar seus clientes nessa jornada", diz Piero Minardi, diretor para a América Latina do Warburg Pincus, em nota.

Nova fase

O aporte liderado pela Warburg Pincus é o primeiro da história da Take - o tamanho do cheque faz ele ser a maior rodada Série A já feita por uma startup brasileira. Antes de se dedicar aos aplicativos de mensagem, a empresa lidou com atendimento via SMS e também venda de ringtones. Em meados dos anos 2000, a Take chegou a ser vendida para um grupo japonês especializado em ringtones por US$ 35 milhões, mas acabou sendo recomprada pelos sócios originais depois que o mercado dos tons musicais começou a entrar em declínio.

Hoje, a empresa tem cerca de 500 funcionários - antes da pandemia, eles ficavam concentrados em escritórios em Belo Horizonte e São Paulo. Com o aporte, a intenção é dobrar o time até o final de 2021. O time de tecnologia é o que deve receber mais contratações, saltando das atuais 100 pessoas para pelo menos 300 funcionários até o final de 2021.

As contratações também vão acontecer na América Latina e nos EUA. "Acreditamos que a internet vai se tornar cada vez mais conversacional. Vamos conversar com a internet em vez de navegar", aposta Oliveira, que vê na expansão global um caminho importante para a empresa. "Temos uma solução que pode se adequar a qualquer empresa no mundo", afirma.

Segundo o executivo, a escolha do Warburg Pincus como parceiro estratégico se deve justamente a essa ambição planetária - a gestora americana tem investimentos em dezenas de países. Para Oliveira, a experiência do fundo com aberturas de capital (IPO, na sigla em inglês) bem sucedidas, como a da Petz, também pode ajudar, mas este é um plano apenas de longo prazo. "O mercado privado tem apostado em empresas de tecnologia de crescimento acelerado e, com um parceiro como esses, não temos pressão nenhuma para fazer um IPO."

Veja também:

Apple Event: 3 detalhes que merecem destaque
Estadão
  • separator
  • 0
  • comentários
publicidade