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Startup Magic Fitness aposta em personal trainer por videoconferência

Lançada há menos de um ano, startup já viu a demanda por aulas no aplicativo triplicar desde o início da quarentena; após fechar parceria com Gympass, empresa busca nova rodada de aporte

17 jun 2020
07h09
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"Uber dos personal trainers": é assim que a startup Magic Fitness quer ser conhecida por seus serviços, que oferecem sessões individuais de treino com um profissional especializado, via videochamada. Com menos de um ano de funcionamento, a startup atua em 17 países e já registra três vezes mais aulas dadas do que no início da pandemia de coronavírus.

Projetada para ser uma alternativa às academias, a Magic Fitness tem se tornado uma opção para quem quer continuar os treinos em casa sem abrir mão do acompanhamento próximo de um profissional da área. Lançada no final de 2019, a Magic Fitness estava longe de ser projetada para uma pandemia, mas aproveitou a demanda da quarentena para crescer e ganhar visibilidade no setor de serviços fitness, conta Ruy Drever, sócio da startup e ex Microsoft e Souza Cruz, em entrevista ao Estadão.

A ideia da Magic Fitness surgiu quando o fundador da empresa, Julian Herbstein, encontrou um personal trainer durante uma viagem para Hong Kong e propôs que ele o treinasse à distância — um nos Estados Unidos e o outro na Ásia. "Um ano depois, ele treinando três vezes por semana com esse personal e perdeu mais de 30 quilos. Aí a luz acendeu e ele pensou que se isso deu tão certo pra ele, poderia tem muita gente que se beneficiaria com esse tipo de serviço", conta Drever.

Por meio do aplicativo, o usuário pode se cadastrar e ter aulas de diversas modalidades, como HIIT (High Intensity Interval Training, em inglês), yoga, treinos funcionais e alongamento. O pagamento também varia entre planos, que pode incluir um pacote de oito aulas, por R$199, ou 16 aulas por mês, por R$299. Mas o aluno também pode adquirir aulas individuais — daí a proposta de ser como o Uber — por R$ 35 cada.

Além disso, a startup tem, hoje, parcerias com empresas para ser parte de pacotes de benefícios para funcionários. A Magic Fitness integra, por exemplo, o portfólio de serviços da Gympass, que atende empresas neste segmento. A empresa também atende diretamente empresas como Facebook América Latina e Samsung EUA.

"Temos tido muito interesse de empresas, como benefício para funcionários que hoje estão em casa. O movimento de atender empresas diretamente tem aumentado muito durante, era algo que a gente não estava vislumbrando tanto antes da pandemia".

Drever conta que o app também está sendo moldado para atender a todas as demandas etárias, principalmente durante a quarentena. Em funcionamento, além das aulas tradicionais, a plataforma conta com aulas específicas para a terceira idade e para crianças, com atividades lúdicas integradas aos exercícios.

Base de dados é o trunfo da empresa

Um dos métodos que permite o bom funcionamento da plataforma é a como os dados de cada usuários são entendidos pela startup. Drever conta que o sistema guarda as informações dos alunos e não o personal, assim, o usuário consegue treinar com profissionais diferentes sem perder o progresso já adquirido nas atividades anteriores.

"A ideia da Magic é que, como a inteligência não está no personal, mas está na plataforma, você não precisa treinar sempre com o mesmo personal. Então, de repente, se sobrou 30 minutos no dia, o usuário pode entrar na Magic e terá um personal disponível com todas as informações para poder dar um treino".

Com a quarentena, o cenário de academias fechadas é um grande incentivo para o aumento de visibilidade da plataforma. Desde o começo da pandemia, as aulas ministradas no app aumentaram em três vezes, assim como a demanda de profissionais para trabalharem na startup. Atualmente, a Magic Fitness diz possuir 2 mil vagas abertas para profissionais de Educação Física, que podem ser acessadas pelo site da startup.

Apesar da grande demanda e de vagas abertas, Drever afirma que precisa ir com calma nas adições ao time do app. Segundo ele, o aumento nas aulas vêm com o desafio de manter a qualidade do serviço oferecido. "Embora a gente não tenha feito ele pensando na pandemia, ela beneficiou muito a gente, a procura aumentou muito. Nós estávamos em um processo de conquista de novos clientes ativos e gastando dinheiro nisso e agora nós temos que segurar por causa da demanda que tá vindo. Estamos tomando cuidado para garantir que a prestação de serviços continue no nível que a gente quer".

Para o futuro, Drever afirma que a startup planeja uma rodada de captação em torno de US$ 2 milhões, para realizar sua expansão. Com aulas em inglês e espanhol, o mercado se divide em América Latina, Estados Unidos, África do Sul, Austrália, Inglaterra e Espanha, e quer absorver os clientes que enxergam a rotina fitness em casa como uma alternativa também depois da pandemia.

"Na hora que veio a pandemia, o cenário mudou rapidamente, porque ninguém podia ir pra academia. Todo mundo começou a ver soluções online e todos os personais começaram a oferecer para os seus clientes um serviço de dar aula por Zoom, por exemplo. Acho que essa barreira que a gente teve inicialmente foi superada hoje também graças à quarentena", explica Drever.

*É estagiária, sob supervisão do editor Bruno Capelas

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Estadão
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