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Startup de construção Âmbar lança software para tornar obra mais eficiente

Depois de criar sistema de construção modular, com peças e paredes que se 'encaixam como Lego', empresa aposta em plataforma de gestão do canteiro de obra

30 out 2019
05h11
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Fundada em 2013, a startup de construção Âmbar já conquistou clientes como MRV, Cyrela e Tenda ao propor um modelo de construção modular - a empresa, de São Carlos, fabrica peças pré-moldadas que se adequam às obras das construtoras e assim torna o canteiro de obras mais eficiente e o processo mais rápido. Agora, a empresa quer também melhorar o sistema de gestão por trás das obras: nesta quarta-feira, 30, a construtech fundada por Bruno Balbinot lança a EVA, um software capaz de mostrar, para engenheiros, empreiteiros e até o dono da obra, todo o andamento da construção.

"Há muito espaço para transformar e digitalizar o jeito que se constrói. Nós começamos transformando a construção em um hardware, como um computador no qual se escolhe componentes", conta ao Estado o presidente executivo da Âmbar, Bruno Balbinot. "Agora, estamos fazendo o equivalente ao sistema operacional, que concentra tudo num só lugar."

Segundo Balbinot, a nova solução começa já desde o projeto: em vez de uma planta baixa em duas dimensões, a EVA traz consigo um projeto em 3D, que não mostrará apenas os cômodos e possíveis instalações da obra, mas também um passo-a-passo de como a obra será feita, com previsão do que deve ser feito a cada semana e quais materiais precisam ser comprados. "Queremos trazer previsibilidade para as obras, evitando desperdício de material e de mão de obra", explica o executivo. De acordo com testes prévios feitos pela empresa, o uso de uma solução como a EVA pode reduzir o custo da obra em até 15%.

Além da redução de custos para o dono da obra ou a construtora, a solução da Âmbar também permite que os empreiteiros também saibam exatamente quanto e quando vão receber pelas tarefas realizadas. "A cada tarefa cumprida, o empreiteiro avisa pelo aplicativo e pode receber um OK na vistoria. Isso tudo é somado e ele fica sabendo, diariamente, quanto vai receber e poder pagar à equipe no final da semana ou mês", explica Balbinot.

Em entrevista ao Estado, Balbinot explica que o foco da empresa, num primeiro momento, está em construtoras médias e grandes, que poderão encontrar melhor escala com o uso da solução. A meta da empresa, porém, é levar a EVA até o mercado de construção individual, para pequenas obras, como casas e sobrados. Pelo software, as empresas vão pagar uma mensalidade, como se usa no mercado de SaaS (software-as-a-service). "Ainda não fechamos valores, mas será mais barato que a mão de obra que vamos retirar da obra por conta das vistorias", afirma.

Para realizar o novo software, a startup investiu pesado: captou no ano passado uma rodada de R$ 100 milhões com investidores como o fundo americano TPG, que já fez aportes em empresas como Spotify e Uber.

Metade dos recursos foram utilizados em três aquisições para conectar as pontas - entre as compras, estava uma startup especializada em projetos de construção. Além disso, a Âmbar reforçou seu time: começou o ano com 200 pessoas e, entre as aquisições e novas vagas, já tem cerca de 300 funcionários. Um terço do time está voltado à área de tecnologia, dividido entre São Carlos e Florianópolis, enquanto há uma equipe comercial em São Paulo e dois centros de construção dos módulos em São Carlos e Joinville.

Estadão
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