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Startup Caju recebe aporte de R$ 45 mi para ajudar empresas irem além do vale-refeição

Especializada em soluções para departamentos de Recursos Humanos, empresa quer expandir linha de produtos

4 ago 2021 18h01
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Mirando a expansão do mercado de benefícios corporativos, a startup brasileira Caju anuncia nesta quarta-feira, 4, que recebeu um aporte de R$ 45 milhões. A aposta da empresa, que atende os principais unicórnios brasileiros, é oferecer mais serviços no segmento, afirmou Eduardo del Giglio, cofundador e CEO da empresa, em entrevista ao Estadão/Broadcast. Segundo ele, o Brasil é o maior mercado para auxílios desse tipo no mundo e movimenta R$ 200 bilhões por ano.

"Queremos ir além de ser apenas uma empresa de benefícios. Buscamos criar soluções e serviços pensadas no colaborador, o ativo mais importante de qualquer empresa", afirma. "Nosso objetivo é integrar os serviços em uma única plataforma, permitindo que o RH atue de forma mais

estratégica", diz del Giglio.

A rodada, do tipo série A, foi liderada pelo Valor Capital Group, pela Caravela Capital e pela Volpe Capital. Houve participação de outros nomes relevantes internacionais, como Picus Capital, FJ Labs e Clocktower Technology Ventures.

Em agosto do ano passado, a Caju fechou sua rodada semente (seed, em estágio inicial) com um aporte de R$ 13 milhões co-liderado pelo Valor Capital Group e Canary. Desde então, conquistou como clientes startups como Loft, PicPay, Gympass e Rappi, além de Dafiti, SKF, Armac e Bemol. A empresa atua em 400 cidades brasileiras, em todos os Estados do País. Para 2022, a meta é atingir mais de 1 milhão de usuários na América Latina.

A capitalização ajudará a companhia a ampliar o portfólio de serviços e produtos, além de ampliar o time de tecnologia.

Inovação

A startup aposta na ampliação de serviços num segmento considerado próspero, mas com baixa inovação. Na Caju, o empregador seleciona as categorias que deseja oferecer aos funcionários, estipula limites e flexibilidade de gastos entre as categorias. Os colaboradores ajustam os valores de acordo com as suas necessidades por meio da transferência instantânea do saldo.

Além das escolhas mais tradicionais, como alimentação e transporte, a plataforma possibilita direcionar os gastos para educação e cultura. A destinação está prevista no artigo que trata de benefícios nas regras trabalhistas, segundo o advogado e professor de Direito Trabalhista Domingos Sávio Zainaghi.

"A lei tem um rol taxativo de usos para esses auxílios. Tudo que está incluído nos termos não entram como salário, mas sim como benefício. Por isso, não há perigo algum para a empresa", explica.

A Caju também oferece seguros de vida e de proteção contra roubo. A intenção é tornar o conjunto de benefícios mais atrativo para ajudar as áreas de recursos humanos das empresas na retenção e atração de talentos.

Um dos exemplos de inovação foi a recém-lançada opção para o home office, em que o funcionário pode direcionar parte do benefício para gastos relacionados ao trabalho remoto.

"Quando as restrições eram mais rígidas, o gasto com mobilidade foi para o chão, enquanto com cultura e educação subiram. À medida que foram liberando, a alimentação por delivery reduziu e a presencial, voltou a ganhar forçar", afirma o CEO da Caju.

O executivo acredita que não se trata de algo passageiro. "As barreiras geográficas foram implodidas. A flexibilização dos benefícios vai se tornando cada vez mais importante", avalia. Como exemplo, cita a dificuldade de trabalhadores de usarem seus cartões em regiões mais próximas de onde vivem, locais muitas vezes distantes do escritório.

Caminho do IPO

O CEO da Caju classifica o momento como favorável para o setor, destacando que, desde o início da pandemia, os aplicativos de entrega mais relevantes passaram a aceitar vale-refeição e alimentação. Além disso, aponta os ventos favoráveis para o setor de tecnologia.

Diante do momento de alta liquidez entre as 'techs', a abertura de capital (IPO, na sigla em inglês) está nos planos da companhia, seguindo exemplos recentes como da Vtex. "Em algum momento temos que devolver o retorno para nossos investidores, então nosso objetivo é fazer um IPO", comenta, sem revelar um prazo para esse passo.

Um dos motivos para o otimismo sobre o potencial do setor tem como pano de fundo uma fundamentação legal: benefícios concedidos por empresas, em geral, não podem ser reduzidos.

Zainaghi explica que vale a aplicação do conceito de "condição mais benéfica". "Apesar de não estar escrito, esse princípio é superior à lei", afirma. "Ainda que não seja um salário, a partir do momento em que um benefício é dado e tornou-se habitual, não pode ser mais retirado", explica.

Estadão
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