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SoftBank lidera aporte de US$ 140 mi na Vtex, de software para e-commerce

Rodada também tem a participação dos fundos Gávea Investimentos, de Arminio Fraga, e Constellation; investimento será usado para impulsionar inteligência artificial e expansão global da empresa

22 nov 2019
14h41
atualizado às 14h44
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Desde o início do ano, quando montou um fundo de investimentos para startups da América Latina, o grupo japonês SoftBank tem despejado dinheiro no mercado brasileiro. Nesta sexta-feira, 22, a empresa de Masayoshi Son chega ao seu décimo aporte no País, liderando uma rodada de aportes de US$ 140 milhões na startup de software para sites de comércio eletrônico Vtex. Fundada em 2000, no Rio de Janeiro, a empresa tem 2,5 mil clientes em 28 países diferentes, cuidando das operações de e-commerce de marcas como Samsung, Whirlpool, C&A, Saraiva e O Boticário.

"Nós somos uma plataforma de comércio unificado para grandes marcas: cuidamos tanto das transações no comércio eletrônico, como também apoiamos a gestão de vendas físicas e de casos em que o cliente compra online, mas retira o produto na loja", explica o cofundador e copresidente executivo da startup, Mariano Gomide de Faria. Ao contrário do modelo usual do mercado, que cobra por projetos, a Vtex fica com uma comissão das vendas realizadas por meio de sua plataforma. "As empresas já não querem mais gastar com o desenvolvimento de um site próprio, então temos uma solução bastante integrada", diz Faria.

Além do SoftBank, participaram da rodada também os fundos Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga, e Constellation. "É muito bom trazer para o conselho da empresa investidores que são, ao mesmo tempo, também grandes empreendedores", afirma o executivo.

Esta é apenas a segunda rodada de investimentos da história da Vtex, que também tem o fundo americano Riverwood Capital (99, Resultados Digitais) entre seus acionistas. "Sempre baseamos nosso crescimento na nossa própria capacidade de gerar caixa", diz Faria, que fundou a empresa ao lado de Geraldo Thomaz. Após a rodada, os fundadores seguem com o controle da companhia. Já a avaliação de mercado da Vtex não foi revelada. Uma abertura de capital, por sua vez, é algo que está nos planos da empresa a longo prazo - "três ou quatro anos", projeta o presidente executivo.

Na visão de Amure Pinho, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups), o horizonte já visível de chegada ao mercado aberto é um dos fatores que motivou o investimento do SoftBank. "Lá fora, a estratégia deles vai nesse sentido e a Vtex é uma empresa com potencial para seguir esse caminho", afirma. O investimento, diz Pinho, também é uma forma da empresa se proteger de concorrentes globais, como Adobe e Shopify.

Metas incluem contratações e desenvolvimento de IA

Com os aportes, a Vtex pretende intensificar seu ritmo de expansão internacional, olhando diretamente para os mercados americano e europeu. A concorrência com grandes varejistas, como a gigante americana Amazon, não assusta a startup. "Marcas como a Nike estão saindo de grandes marketplaces, querem ter uma relação mais próxima com o consumidor. É uma relação importante", afirma Faria.

Hoje, 70% das receitas da empresa vêm do mercado brasileiro, mas a sede já se encontra em Londres. O time de tecnologia, por sua vez, permanece na capital fluminense. Nos últimos sete anos, a empresa afirma ter crescido em torno de 40% ao ano em faturamento.

Além disso, a empresa também deve abrir 150 novas vagas ao longo dos próximos doze meses, sendo cerca de 100 delas no País - hoje, tem cerca de 615 funcionários. "Vamos aumentar bastante o time de desenvolvimento de tecnologia, em especial na área de inteligência artificial", projeta Faria.

De acordo com o cofundador da Vtex, o uso de inteligência artificial em serviços de comércio eletrônico ainda está muito ligado à parte de recomendação de produtos, mas isso não é suficiente. "Queremos investir pelo menos R$ 35 milhões para tornar áreas como logística mais preditivas, resolvendo problemas como determinar a hora exata de que o produto vai chegar para não atrapalhar a vida do cliente", diz Faria. "A pior coisa que tem numa compra online é ter de ficar em casa esperando o produto chegar. O incômodo logístico é muito alto."

Outras áreas em que algoritmos podem auxiliar as empresas, diz o executivo, estão na aprovação de dados de cartão de crédito e de atendimento ao cliente. Para Pinho, da ABStartups, é uma forma de se destacar entre os competidores. "A maioria das plataformas já são grandes, mas trazer tecnologia que o comércio ainda não possui é um diferencial importante, indo bem além do nome bonito que é inteligência artificial", afirma o especialista.

Os recursos do aporte também devem ser utilizados pela Vtex para fazer aquisições estratégicas nas áreas de inteligência artificial e softwares de gerenciamento de estoque (WMS, na sigla em inglês). "A ideia é oferecer uma solução única para os clientes, sem que eles tenham de lidar com múltiplos fornecedores de tecnologia", afirma Faria. Na semana que vem, a empresa se prepara ainda para uma prova de fogo: a Black Friday, uma das principais ocasiões do comércio eletrônico global. A expectativa é que mais de 1 milhão de pedidos sejam realizados em sites que usam a plataforma da Vtex - no ano passado, foram mais de 730 mil.

Estadão
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