Rappi prevê empréstimo de R$ 100 milhões a restaurantes em 2021

Startup de delivery anuncia pacote de ajuda a estabelecimentos parceiros diante do agravamento da pandemia

15 mar 2021
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Em meio ao agravamento da pandemia no Brasil, a startup colombiana de delivery Rappi anuncia nesta segunda-feira, 15, um pacote de ajuda a estabelecimentos parceiros do aplicativo no País. A empresa afirma que vai emprestar R$ 100 milhões a restaurantes em 2021, além de diminuir o tempo de repasse das vendas para até sete dias pelos próximos quatro meses. Até então, o tempo de repasse era de 14 dias — antes da pandemia, eram 30 dias.

As medidas são uma forma de ajudar os restaurantes diante do endurecimento das restrições da pandemia, garantindo, assim, que o ecossistema do delivery continue funcionando.

Parte do plano da Rappi também é incentivar a entrada de novos estabelecimentos na plataforma, ao passo que as portas dos restaurantes estão fechadas para clientes em muitas cidades. A startup vai oferecer a isenção de taxas por 90 dias para novos estabelecimentos que quiserem se cadastrar no app.

"Quem não estava no delivery, agora depende da entrega", afirma Guto Quirós, diretor de marketing da Rappi, ao Estadão. "Quanto aos restaurantes que já estão com a gente, nossos esforços são para ajudá-los a vender mais".

Nesse sentido, dentro do pacote, a empresa está lançando um fundo de marketing focado em impulsionar as vendas de pequenos e médios restaurantes por meio de cupons de descontos. A taxa que a Rappi cobra dos estabelecimentos já cadastrados no app, porém, não será diminuída.

Do lado do consumidor, a startup vai oferecer gratuitamente o Rappi Prime, seu serviço premium por assinatura, durante 30 dias. O serviço disponibiliza frete grátis ao usuário e também acesso a descontos na plataforma.

A Rappi afirma que já investiu nos últimos três meses R$ 86 milhões na indústria de restaurantes do Brasil por meio de empréstimos. A empresa não revela seu número de estabelecimentos parceiros no País.

Em setembro do ano passado, a Rappi levantou um investimento de US$ 300 milhões, sem fazer muito barulho. À época do aporte, fontes do mercado apontaram que a cautela em torno da divulgação do investimento poderia ter relação com a possível finalidade do novo cheque: dar fôlego à operação da empresa em um momento de desequilíbrio financeiro.

Agora, com esses novos gastos em meio à pandemia, a Rappi afirma que encara os custos como investimentos. "Quanto mais eu invisto no negócio, mais eu espero que ele cresça — e, consequentemente, mais sucesso eu tenho também. Nos últimos meses, nossa fatia de percentual de delivery subiu, então crescemos junto com os estabelecimentos", comenta Quirós.

Movimentos no setor

Iniciativas de ajuda a restaurantes têm sido uma prática comum dos serviços de delivery no mercado durante a pandemia. No início deste mês, o iFood anunciou a redução das taxas de comissão cobradas de restaurantes de 23% para 18% (para quem opera via entrega iFood) e de 12% para 11% para aqueles que têm entrega própria. Além disso, a empresa disse que vai diminuir o tempo de repasse das vendas dos restaurantes, em um total de R$ 4 bilhões em pagamentos, nos próximos três meses.

Em fevereiro, o Uber Eats anunciou a criação de um programa de apoio temporário aos restaurantes de pequeno e médio porte cadastrados na operação brasileira. Com o pacote, os valores dos pedidos são agora repassados diariamente, sem a cobrança de taxas. Outra medida do app zera a comissão de serviço dos restaurantes quando os usuários fazem um pedido pelo aplicativo na modalidade "Para Retirar" (retirada no estabelecimento). Em São Paulo, porém, as retiradas estão proibidas durante a fase emergencial do plano de combate à pandemia, prevista para durar até o fim de março.

Estadão
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