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Olhar o passado para inovar no futuro

Buscar no passado as referências que vão ditar a inovação do futuro não é algo novo, mas é inegável que tocar o lado emocional dos clientes pode dar muito certo

4 mar 2020
05h10
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O início de 2020 nos brindou com a chegada de alguns modelos de aparelhos celulares bem especiais: os smartphones de tela dobrável. De maneira híbrida, eles remontam tanto ao padrão atual quanto aos antigos celulares dobráveis. Chamou muito a atenção o Razr, da Motorola, que trouxe de volta o conceito do modelo V3, sucesso nos anos 2000. Embora tenha uma tecnologia completamente nova, a marca fez da volta ao passado o grande argumento do lançamento e buscou tocar o lado sentimental do consumidor.

Buscar no passado as referências que vão ditar a inovação do futuro não é algo novo, mas é inegável que tocar o lado emocional dos clientes pode dar muito certo. Segundo Gerard Zaltman, professor emérito da Harvard Business School e especialista em comportamento do consumidor, 95% das nossas decisões de compra ocorrem de forma intuitiva e emocional. Essa teoria é corroborada por um levantamento feito pela consultoria Forrester. Realizado em 2016, o estudo afirma que a ligação emocional entre uma marca e seu consumidor é capaz de garantir um aumento de 85% nas vendas. Ao possibilitar que antigas conexões sejam restabelecidas, as marcas que usam essa estratégia estimulam a compra.

É algo que a indústria automobilística faz com muita frequência, lançando veículos novos com nomes que tiveram uma história de sucesso. Mesmo que seja outro carro, em outra época, aquela lembrança dos bons tempos vividos naquele modelo de veículo, mesmo que décadas atrás, voltam à mente do consumidor.

E como explicar, na era de serviços fantásticos de streaming de música como o Spotify ou o Deezer - em que se pode encontrar qualquer música ou álbum que se queira ouvir com apenas alguns toques na tela do celular - que muitas pessoas ainda busquem os bons e velhos discos de vinil?

Ou que em uma época que os jogos são comprados ou baixados online, e em que se fabricam games complexos, com imagens de altíssima definição, que a Nintendo esgotaria rapidamente os estoques do seu primeiro console - o NES, lançado em plena década de 80 - quando fez um breve relançamento, em 2016?

Talvez Freud explique! Mas voltando aos telefones celulares, talvez a indústria tenha encontrado nas referências do passado - aquelas que instigam a lembrança dos consumidores - um caminho para a inovação do futuro. Inovação esta que ficou estagnada nos últimos anos, quando poucas novidades importantes surgiram no mercado e as marcas perderam um pouco a capacidade de encantar e surpreender. Afinal, quem é que se sente motivado em pagar caro por um celular novo apenas para ter uma câmera um pouco melhor, ou uma bateria que dura uma hora a mais?

É INVESTIDORA ANJO E PRESIDENTE DA BOUTIQUE DE INVESTIMENTOS G2 CAPITAL

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Estadão
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