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Nos EUA, startupeiros realizam 'chá de bebê' para celebrar novas empresas

Com base na ideia de que montar um negócio é tão exaustivo e caro quanto ter um bebê, empreendedores estão buscando o mesmo tipo de apoio comunitário

26 set 2021 05h10
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Enquanto todos os seus amigos pareciam estar tendo filhos em sequência, Sid Singh, 36, estava trazendo ao mundo algo completamente diferente. Ele tinha acabado de deixar seu emprego de consultor para montar uma empresa de coaching financeiro. Então teve a ideia de fazer um chá de bebê para seu novo empreendimento.

Em todos os Estados Unidos, principalmente na cidade de Nova York, empreendedores estão se apropriando do chá de bebê, evento antes reservado para aqueles prestes a ter um filho. A ideia é que, se montar um negócio é tão exaustivo (e caro!) quanto ter um bebê, por que não estabelecer o mesmo tipo de apoio comunitário?

"É uma grande mudança para alguém na casa dos 30 anos pedir demissão e recomeçar a vida", disse Singh, que vive no Brooklyn. "Isso é provavelmente uma das coisas mais memoráveis que você pode fazer."

Em novembro, bem antes de ele ter investidores, um orçamento para relações públicas ou um fluxo de clientes para a empresa que ele batizou de Ready.Steady.Money, Singh reuniu cerca de 30 amigos em um restaurante italiano ao ar livre na área de Williamsburg, no Brooklyn. Com pizza e cerveja, ele explicou sua ideia e pediu apoio. O evento teve um resultado tão positivo que ele organizou outro em abril, em um telhado de Williamsburg, com balões dourados no formato de símbolos de dólar e muitos brindes e garrafas de vinho rosé.

"Alguns dos meus amigos estavam, tipo, 'envie sua apresentação para mim', ou 'conheço gente que seria ótima para isso'", disse ele. "Aproximadamente 15 dos meus amigos se inscreveram no programa."

Alguns desses "chá de negócios" incluem jogos e decoração. Alguns fundadores até pedem presentes, enviando links de sites de registro de empresas que também se tornaram populares. Os chás de negócios normalmente são diferentes das festas de lançamento porque ocorrem nos estágios iniciais de uma startup, às vezes quando o negócio ainda está sendo gestado como uma ideia.

"Eu diria que a beleza de um chá de negócios é que é um conceito novo e não tem um formato definido", disse Dulma Altan, fundadora da Makelane, que oferece uma master class para empreendedoras. A plataforma disponibiliza um kit virtual gratuito chamado "Startup Stork" (cegonha de startup) para ajudar as pessoas a planejarem seus chás de negócios. Mais de 1.300 foram baixados desde o início deste ano.

Alguns convidados não gostam muito da ideia desses "chás de negócios". Mas parece que os investidores, sim. Ter meios para se dar uma festa é um sinal promissor.

"Os investidores valorizam alguém que se esforçou para ser obstinado e fez o que foi necessário para abrir sua empresa", disse Dulma. "Isso mostra que você é engenhoso. Mostra que você pode reunir as pessoas em torno de sua marca. "

"Com sorte", disse Singh, "isso mostra que tenho senso de humor e posso pensar de um modo um pouco mais criativo a respeito das ideias tradicionais de empreendedorismo".

As empreendedoras, em particular, são atraídas pela ideia de um chá de negócios porque as ajuda a celebrar formalmente algo que não faz parte do ciclo de vida.

"Não vivemos mais em um mundo onde os maiores marcos, principalmente para uma mulher, são casar e ter um filho", disse Dulma. "Já está mais do que na hora de termos uma conversa a respeito de como celebramos as mulheres."

Na verdade, Caitlin Kelly, 36 anos, que mora na cidade de Nova York, estava montando seu novo negócio, a Vivid + Co, uma empresa que está usando tecnologia para ajudar as empresas a ganharem de forma mais eficaz a atenção da mídia, quando descobriu que estava grávida.

"Lembro de que quando comecei a dizer às pessoas que estava grávida, nunca fui parabenizada dessa forma por nada na minha vida", disse ela. "Eu sei que as pessoas fazem isso com carinho e entusiasmo, mas, para mim, lançar meu negócio foi um marco e tanto."

Não querendo que ela abandonasse a comemoração de um projeto em desenvolvimento por outro, seu mentor sugeriu que ela combinasse um chá de bebê com um chá de negócios. Nos convites de Kelly para o evento lia-se: "São apenas negócios, bebê."

"Não quero que ninguém na minha empresa sinta que meu bebê é uma parte separada da minha vida que não quero compartilhar com eles", disse Kelly. "As pessoas entendem que a vida é complexa. Todo mundo está lidando com um monte de coisas. "

Lista de presentes

Para alguns empreendedores, um chá de negócios é uma oportunidade muito necessária para pedir presentes. Thkisha Sanogo, 41 anos, lembra como foi útil receber presentes antes do nascimento de seus três filhos, agora com 9, 11 e 13 anos. "Você tem tantas decisões para tomar e coisas que precisa comprar; é avassalador", disse ela. "Mas se você sabe que sua família e amigos estão lá para apoiar você, isso torna tudo mais fácil."

Então, em 2019, quando ela lançou a MyTAASK, uma empresa de software de gerenciamento de escritório, ela teve um verdadeiro chá de bebê em um espaço de coworking. Havia comida caseira, brincadeiras, inclusive a "adivinhe o slogan da minha empresa" e um "especialista de honra" que ajudou a decorar a sala com as cores da empresa.

Também havia uma lista de presentes.

Usando o Business Gift Registry, um site criado em 2019, Thkisha, que mora na cidade de Nova York, registrou os itens que precisava para sua startup. Ela recebeu assinaturas do Calendly, software de agendamento de eventos e vale-presentes da Staples. Outros pagaram taxas de inscrição para conferências que ela espera participar, como a Atlanta Black Tech Week, ou contribuíram para o custo de passagens aéreas para reuniões. "Recebi cerca de US$ 10 mil em presentes", disse ela.

Ela também recebeu US$ 5 mil em presentes em dinheiro. "Eu arrecadei outros US$ 5 mil indo até os investidores e dizendo: 'Eu já consegui levantar essa quantia de dinheiro. Vocês gostariam de nos apoiar?'"

O Business Gift Registry teve um crescimento de 25% no segundo trimestre deste ano, disse Zuley Clarke, sua fundadora, que também mora na cidade de Nova York. "É difícil para os fundadores pedirem ajuda às pessoas, mas estou vendo mais pessoas dispostas a fazer isso", disse ela.

Os empreendedores que aproveitam essa oportunidade enfrentam certa resistência."Algumas pessoas não entenderam por que eu tinha uma lista de presentes para minha empresa", disse Thkisha. "Algumas pessoas viram isso como uma esmola. Elas acreditavam que eu deveria ser durona e assumir o fardo sozinha."

"Para essas pessoas, eu disse: 'Eu gostaria que vocês tivessem a mente aberta'", disse ela. "Mas devo dizer que tive uma recepção muito mais positiva do que negativa."/ TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Estadão
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