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Microsoft abandona tecnologia de leitura de emoções e limita reconhecimento facial

Gigante da tecnologia implementa restrições em serviços de inteligência artificial que são alvo de críticas por especialistas

22 jun 2022 11h56
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Evitando controvérsias sobre segurança digital, a Microsoft decidiu abandonar a comercialização do serviço de leitura de emoções da empresa, que permite identificar se uma pessoa está surpresa, triste ou feliz a partir do rosto. Além disso, a dona do Windows pretende limitar o acesso público ao Azure Face, programa de reconhecimento facial desenvolvido pela companhia. A decisão foi anunciada na última terça-feira, 21, e faz parte de uma revisão da políticas de ética no uso da inteligência artificial da companhia.

Clientes existentes terão seu acesso revogado em 30 de junho de 2023 e os usuários que ainda quiserem utilizar o serviço de reconhecimento de emoções terão que informar à Microsoft exatamente como e onde eles implantarão seus sistemas. Restrições semelhantes serão impostas no uso do recurso Custom Neural Voice, que permite a criação de vozes de IA com base em gravações de pessoas reais.

Outras funções do Azure, como, por exemplo, o desfoque automático de rostos em imagens e vídeos, permanecem com acesso aberto. Já a capacidade de identificar atributos como sexo, idade, sorriso, barba, cabelo e maquiagem será aposentada. As decisões foram anunciadas por Natasha Crampton, diretora Responsável de IA, em um post para o blog da Microsoft.

O reconhecimento emocional, contudo, segue sendo utilizado em outro produto: o Seeing AI, um aplicativo que descreve o mundo para pessoas com deficiência visual. Sarah Bird, gerente de produtos do grupo da Microsoft para o Azure IA, justifica dizendo que o reconhecimento de emoções pode ser uma ferramenta valiosa quando usada em um "conjunto de cenários de acessibilidade controlados".

A crítica à função de reconhecimento de emoções se deve ao fato de que as expressões faciais externas não possuem uma única emoção correspondente e, portanto, não podem ser avaliadas de forma objetiva. "Eles podem detectar uma carranca, mas isso não é a mesma coisa que detectar raiva", aponta Lisa Feldman Barrett, professora de psicologia da Northeastern University que realizou uma matéria sobre o reconhecimento de emoções com inteligência artificial, ao site The Verge em 2019.

Em 2021, a Google Cloud adotou uma abordagem similar e bloqueou 13 situações de sua ferramenta de leitura de emoções e colocou outras quatro sob revisão. A empresa está avaliando um novo sistema para descrever movimentos como testas franzidas e sorrisos, sem procurar vinculá-los a emoções. / COM REUTERS

Estadão
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