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Logtech Cobli pisa no acelerador e adianta aporte de US$ 35 milhões

Startup de frotas inteligentes vai usar cheque para lançar monitoramento por câmeras, seguros e gestão de combustível

21 jul 2021 13h01
| atualizado às 17h43
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Com pressa, a startup de logística (logtech) Cobli, especializada em sensores para frotas e processamento de dados de mobilidade, adiantou uma rodada de investimento planejada para o início de 2022 e anuncia nesta quarta-feira, 21, um aporte de US$ 35 milhões liderado pelo fundo japonês Softbank. O objetivo é investir em novos produtos para a startup e acelerar a expansão pelo País.

Além do Softbank, a rodada de investimento, do tipo série B, contou com a participação da Qualcomm Ventures, fundo da fabricante americana de semicondutores e líder no desenvolvimento do 5G, tecnologia que promete alavancar a internet das coisas (IoT) — área em que a Cobli, no futuro, pretende investir para digitalizar ainda mais as frotas das empresas parceiras. Também entraram no cheque NXTP Ventures, Fifth Wall e Valor Capital.

"Com a pandemia, logística foi um dos setores que mais mudaram com a expansão do e-commerce. O mercado aprendeu o que é uma logística de qualidade e as empresas viram o valor maior de uma entrega bem feita", explica ao Estadão o fundador e presidente executivo da Cobli, Rodrigo Mourad.

Rodrigo Mourad é o CEO da Cobli, fundada em 2017
Rodrigo Mourad é o CEO da Cobli, fundada em 2017
Foto: Divulgação/Cobli / Estadão

A expectativa é que a Cobli expanda a equipe de 200 funcionários para até 500 no final de 2022 e desenvolva novos produtos para o mercado, a partir dos dados coletados pelos diversos sensores intalados pela startup.

Entrando na onda das "insurtechs" (startups de seguro), a logtech pretende lançar um serviço de seguros cujo prêmio irá variar a partir da utilização dos veículos — ou seja, não será um valor fixo, e sim dependerá das condições de utilização da frota, que será monitorada pela startup pelos sensores instalados.

"Os seguros hoje são baseados em dados socioeconômicos, mas nós queremos transformar isso em dados de condução, como a que horas o motorista dirige, como e em qual local", explica Mourad. Segundo ele, isso trará economia no preço do produto e maior diversidade para os clientes. O produto deve ser lançado no segundo semestre deste ano e é desenvolvido junto com seguradoras.

Ao longo de 2022, a Cobli pretende instalar câmeras de vídeo nos veículos que rodam pelo País — talvez esse seja o movimento mais ousado e polêmico da startup, fundada em 2017, até então.

Em mercados mais maduros, como Estados Unidos e Europa, motoristas criticam a instalação de câmeras nos veículos por desrespeito à privacidade dos trabalhadores. As empresas argumentam que o monitoramento em vídeo pode ajudar em assaltos e infrações cometidas pelos trabalhadores. A Amazon, por exemplo, pretende instalar câmeras nos carros da empresa, mas garante que a vigilância não será feita em tempo real.

"O motorista é parte do sistema. Não queremos que seja uma pessoa controlada", justifica Mourad. Entre os usos possíveis, o executivo destaca que a ferramenta pode acusar se o motorista estiver cansado e ébrio a partir de traços do rosto. Outro ponto é que a startup planeja desenhar a solução já com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) em mente, cuja vigência total começa a partir de agosto deste ano. "Queremos que o motorista saiba que a ferramenta é para ajudá-lo no trabalho."

Para o professor de logística Orlando Cattini, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a questão das câmeras pode trazer mais benefícios do que malefícios. Além de trazer mais segurança para quem está em frente ao volante, a ferramenta pode aumentar a produtividade se unida a outros sensores, que podem fazer monitoramento das condições das estradas — e não só do motorista.

Cattini reconhece, porém, que o recurso representa uma perda de privacidade do motorista, levando a uma discussão que, para ele, também afeta outras áreas: "Esse é um controle que está em todas as atividades, que é resultado do home office e da aula remota pós-pandemia. Todas as atividades vão passar essas discussões, sem dúvida alguma", explica. "Até quando devemos confiar no funcionário ou no aluno? E até onde devemos monitorá-lo com tecnologia e inteligência artificial?"

Estadão
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