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Fintech Olivia lança app no Brasil e recebe aporte de R$ 25 mi liderado pelo BV

Fundada por brasileiros no Vale do Silício, Olivia usa inteligência artificial para dar dicas de comportamento financeiro; com 500 mil usuários no mundo, empresa lança app para iOS e Android

15 jan 2020
15h06
atualizado em 16/1/2020 às 10h58
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A fintech brasileira Olivia anunciou nesta quarta-feira, 15, que recebeu uma rodada de aportes avaliada em R$ 25 milhões. Dona de um app que ajuda seus usuários a economizarem dinheiro, com dicas sobre fluxo de caixa e hábitos de comportamento, a empresa agora tem entre seus acionistas o BV (antigo Banco Votorantim), que liderou a rodada. O fundo BR Startups, que já havia investido R$ 1,5 milhão na empresa em 2019, também está na rodada.

Com o aporte, a empresa também anuncia a chegada de seu aplicativo às lojas de Google e Apple. Gratuito, o sistema faz a integração das diversas contas e cartões utilizados pelo consumidor e, a partir do momento que conhece o usuário, começa a sugerir dicas para melhorar seus hábitos financeiros.

Globalmente, o serviço já tem 500 mil usuários, entre pessoas que usam o app diretamente ou sua inteligência artificial dentro de outros apps de parceiros - caso do BV, que usa a plataforma da empresa desde fevereiro do ano passado. Segundo Moraes, hoje o app já tem integração com Itaú, BB, Nubank e Caixa Econômica Federal, além dos cartões Itaucard, Amex e até o vale-refeição Alelo. "Estamos trabalhando para ter Bradesco e Santander até o final do 1º semestre", diz.

Com os recursos, a startup fundada no Vale do Silício por Cristiano Oliveira e Lucas Moraes deve iniciar sua expansão pelo País. "Nós começamos a trajetória nos EUA e percebemos uma boa oportunidade aqui no mercado brasileiro", explica Moraes, que é da quarta geração da família controladora do grupo Votorantim. Segundo ele, o parentesco não teve influência no aporte. "O BV tem uma estrutura meritocrática, que olha o valor gerado antes de tudo", afirma o executivo.

Nos últimos meses, o banco tem expandido sua conexão com o mundo das startups: fez parte de um aporte multimilionário na fintech Neon, um dos principais bancos digitais do País, e comprou a Just, startup de crédito do grupo GuiaBolso, de quem já era parceiro. Questionado sobre potenciais parcerias com as outras empresas do ecossistema do BV, Moraes disse que "há sinergias evidentes, mas nenhuma conversa por enquanto." Para Guilherme Horn, diretor de estratégia digital e inovação do BV, "o investimento está totalmente alinhado com o objetivo de oferecer a melhor experiência para os nossos clientes e a Olivia oferece algo que o mercado não tem hoje."

Os recursos do aporte também serão utilizados para expandir o time de tecnologia da empresa - hoje, ao todo, a startup tem 55 funcionários divididos entre escritórios em São Paulo e na Califórnia. Nos EUA, a empresa tem um time dedicado de inteligência artificial, liderado por Steven Choi, que passou pelos projetos de carro autônomo do Uber e Google. "Não temos meta definida, mas esperamos crescer a equipe em até 25%", afirma.

Como funciona

A Olivia é um app que pretende se tornar parte do planejamento financeiro das pessoas. Para isso, pede "licença" para ter acesso aos dados de conta bancária e cartão de crédito do usuário. Assim, consegue entender um padrão de ganhos e gastos.

Na sequência, por meio de um chat (que pode até incluir GIFs e piadinhas), a ferramenta faz perguntas e dá sugestões, informando o usuário sobre sua situação financeira e incentivando-o a economizar pelo menos uma pequena fatia de sua renda - dando dicas sobre as compras do mês, as refeições fora de casa e até em tarifas bancárias.

Nos EUA, a ferramenta já é capaz de fazer pesquisas de preços em supermercados nas regiões próximas ao usuário e propor a ele um novo padrão. "Com base na lista de compras, ela consegue dizer se a pessoa deve ir a outro estabelecimento ou mudar o dia de ir ao mercado para aproveitar melhor as ofertas", explicou ao Estado Cristiano Oliveira, sócio-fundador da Olivia, em reportagem publicada em 2019.

Com o tempo, a ideia da empresa é que o usuário consiga economizar cada vez mais dinheiro. Nos EUA, um usuário médio poupa 0,8% da renda familiar por mês, quando começa a usar o serviço. Segundo a empresa, em 60 dias após o início do uso do app, esse percentual salta para 5,7%.

Para faturar, a empresa aposta em parcerias: à medida que a Olivia fechar acordos - que podem ser feitas com redes de varejo de diversos tipos, restaurantes e até mesmo bancos, que poderão ofertar empréstimos e investimentos pelo app -, a ferramenta começa a se dirigir rumo à "monetização". Ou seja: deixará de ser uma solução curiosa para se tornar um negócio rentável. Segundo Moraes, as primeiras parcerias no Brasil devem aparecer apenas no segundo semestre. "Não vamos faturar só com produtos e serviços financeiros, mas também com e-commerce, refinando os hábitos de consumo do usuário", afirma.

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Estadão
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