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Fintech colombiana Addi escolhe Brasil para estreia internacional

Apesar dos percalços econômicos do País, startup vê oportunidades para se lançar no setor de crédito para consumidor no varejo

26 mai 2021 13h02
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A fintech colombiana Addi anuncia nesta quarta-feira, 26, que está aterrissando no Brasil após um aporte de US$ 65 milhões, liderado pelo Union Square Ventures e acompanhado por uma fila de novos investidores, incluindo 8VC, Citius Capital, Endeavor Catalyst, The Marathon Fund, GGV partner Hans Tung e o ex-COO Huey Lin da Affirm. Os fundos anteriores Andreessen Horowitz, Foundation Capital, Monashees e Quona Capital também participaram dessa rodada série B.

O cheque vai ser usado na expansão dos serviços da startup, que oferece crédito ao consumidor no ato da compra em sites de e-commerce, junto com as opções de boleto, Pix ou pagamento em cartão. Ao analisar o score de crédito do consumidor em cerca de dois minutos, a Addi permite que a compra seja feita à vista junto ao lojista, mas parcelada em sua plataforma. Por exemplo: imagine uma camiseta que custa R$ 100 no boleto e R$ 120 no cartão de crédito em uma loja online. Ao optar pela Addi, o consumidor poderia optar por pagar duas parcelas de R$ 50 para a fintech, evitando os R$ 20 de juros na modalidade de crédito no site do lojista. A Addi, então, faria o pagamento à vista de R$ 100 para o vendedor.

"Nós oferecemos aos lojistas uma solução 'compre agora, pague depois', aumentando as vendas com clientes, que é o nosso maior objetivo", afirma ao Estadão Daniel Vallejo, presidente executivo da Addi, fundada em 2018 com os sócios Santiago Suarez e Elmer Ortega. Ele acrescenta que a fintech tem uma preocupação para que a experiência seja a mais intuitiva e rápida possível, sem que o consumidor perca tempo preenchendo o cadastro -- são exigidos apenas o CPF, telefone e e-mail para que o score de crédito seja analisado pelos algoritmos da startup, com dados retirados de birôs como Serasa.

A expectativa da Addi é fidelizar o cliente, mesmo aquele com pouca confiança de crédito, para que use a plataforma mensalmente, seja para comprar um novo celular, seja para comprar um novo calçado. Para o negócio dar certo, a fintech faz parceria com lojistas. A startup tem 250 parceiros na Colômbia, mas o número no Brasil ainda é tímido, se levar em conta o tamanho do País: são 50 varejistas (a Addi não quis revelar as marcas) e a plataforma já está integrada à Vtex, Nuvemshop e WooCommerce.

Da esq. para a dir., Santiago Suarez, Danial Vallejo e Elmer Ortega são os fundadores da fintech colombiana Addi
Da esq. para a dir., Santiago Suarez, Danial Vallejo e Elmer Ortega são os fundadores da fintech colombiana Addi
Foto: Divulgação/Addi / Estadão

Para Guilherme Fowler, professor de inovação do Insper, as parcerias com os varejistas podem definir o futuro da startup. Se a Addi decidir se juntar a grandes nomes do setor, pode sofrer pressão para que tenha de dar descontos e, assim, achatar a margem de lucro. Se resolver investir nos pequenos e médios varejistas regionais, pode ter de lidar com um cenário econômico adverso em que os peixes pequenos são os que mais sofrem os reveses de recessões. "Isso pode ser uma potencial fragilidade", comenta.

Mas essas parcerias, em bastante quantidade, podem se tornar um trunfo para mitigar eventuais calotes dos clientes, defende o diretor executivo da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), Renan Scharfer. "Se tenho uma carteira muito pulverizada e um número grande de clientes com tíquete baixo, o default é mitigado por inércia. Vale o risco", afirma. "Além disso, ao receber esse cheque dos investidores em dólar, facilita muito a entrada no Brasil e, com a alta no câmbio, dá para fazer muita coisa por aqui."

Expansão em tempos de crise

Os maus bocados por que passa a economia brasileira não assustam a Addi, que escolheu o País para ser seu primeiro mercado internacional. Para Vallejo, são nesses momentos de crise que novos entrantes acham brechas para atuar.

"No mercado de crédito, momentos de desaceleração econômica afugentam grandes credores porque eles não têm apetite por risco, deixando parte da população desassistida, para dizer o mínimo. Então, mesmo nesse cenário, sim, estamos cientes dos riscos, do alto desemprego, das dificuldades digitais. Mas, ao mesmo tempo, apresenta uma oportunidade única para atender a essas pessoas desassistidas", afirma.

O professor Fowler, no entanto, ressalta que é preciso ter cautela ao olhar o retrovisor para checar o histórico de crédito dos clientes. Para ele, como estamos à beira da recessão, quem tem um bom score hoje pode ter outro perfil amanhã, já que a instabilidade econômica pode continuar por mais meses devido à lenta vacinação contra a covid-19.

"A conjuntura pode pegar a Addi de jeito porque podem embarcar no País num período bem turbulento. Mas, se eles conseguirem se alavancar junto ao consumidor, ganham uma super vantagem porque vão lucrar em período de recessão", afirma o especialista.

Apesar dos percalços, Scharfer acredita que é possível ganhar espaço no País, que é grande e onde os grandes bancos ainda dominam o mercado, apesar da inserção das fintechs. "Por mais complexo que seja operar no Brasil, ainda tem muita oportunidade e existem similaridades nos mercados da América Latina, onde os países têm nível de maturidade econômica similar."

Não por coincidência, depois do Brasil, a Addi já mira a entrada no México em 2022. O objetivo? Abocanhar os dois maiores mercados latinoamericanos, diz Vallejo.

Estadão
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