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Em expansão, startup mineira Hotmart recebe aporte de R$ 735 milhões

Empresa confirmou que já estava entre o seleto grupo de unicórnios brasileiros desde o ano passado

30 mar 2021
18h58
atualizado às 19h33
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Dona de uma plataforma que permite a criação e venda de cursos online, a startup mineira Hotmart anuncia nesta terça-feira, 30, que recebeu um aporte de R$ 735 milhões liderado pelo fundo americano TCV, que já investiu em nomes como Netflix, Spotify e Airbnb e também na fintech brasileira Nubank. A empresa não revelou seu valor de mercado após o investimento, mas confirmou pela primeira vez que já havia atingido no ano passado o status de "unicórnio" (avaliação de US$ 1 bilhão).

A gestora Alkeon Capital também participou da rodada — a Hotmart já tinha entre seus investidores os fundos General Atlantic e GIC. Com os novos recursos, o plano é investir em melhoria da plataforma e também em expansão internacional.

Fundada por João Pedro Resende e Mateus Bicalho em 2011, a Hotmart ajuda criadores de conteúdo a monetizarem seus produtos na internet, criando e vendendo conteúdos digitais como cursos online, e-book e clube de assinaturas. A startup tem escritórios em seis países além do Brasil (Holanda, Estados Unidos, Espanha, México, Colômbia e França) e, por meio de sua plataforma, atende criadores de conteúdo de mais de 100 países. Ao todo, a empresa tem hoje cerca de 1,3 mil funcionários.

"Nascemos há dez anos quando a premissa era que todo conteúdo seria gratuito na internet. As pessoas davam risada da ideia de uma plataforma para inicialmente vender arquivos digitais como pdf", conta João Pedro Resende, presidente executivo e cofundador da Hotmart. "Mas acreditávamos que era questão de tempo para as pessoas passarem a produzir um conteúdo melhor e mais organizado, e que isso teria valor. Insistimos nisso".

Atualmente, diferentes conteúdos circulam pela Hotmart, desde cursos de inglês e finanças a até treinamentos de meditação e espiritualidade. A plataforma da startup permite que criadores publiquem seus conteúdos, processem os pagamentos e monitorem o comportamento de seus consumidores — a empresa fica com uma fatia sobre o que é comercializado.

Pouco barulho

A Hotmart afirma que atingiu o título de unicórnio em fevereiro de 2020, depois de captar investimento para comprar a startup americana de educação online Teachable — o valor desse aporte, e de outros dois anteriores, não foi revelado.

Questionado pelo Estadão sobre o mistério em torno do título de unicórnio, Resende afirma que é o "jeito mineiro" de fazer negócios. "É da nossa personalidade, não gostamos de fazer muito alarde desnecessário. Nunca foi um objetivo ser unicórnio, isso gera incentivos ruins e você acaba captando mais dinheiro do que precisa só para bater a meta", diz o executivo. "Agora vemos utilidade em divulgar o título porque estamos focados em expansão e visibilidade global, e precisamos falar com mais pessoas, até para contratação".

O status de unicórnio da Hotmart não surpreendeu o mercado. Para Felipe Matos, presidente da Associação Brasileira de Startups (ABStartups) e colunista do Estadão, era esperado que a empresa mineira chegasse à avaliação de US$ 1 bilhão. "A Hotmart era uma das minhas apostas de futuro unicórnio. A startup tem sustentado um grande crescimento, particularmente na pandemia, já que muita gente foi buscar cursos online e eles oferecem a possibilidade de monetização de produtos digitais", afirma.

Expansão

De fato, a pandemia abriu oportunidades de crescimento para a startup mineira. Em 2020, o volume de transações na plataforma mais do que dobrou em relação ao ano anterior. "Nunca vimos um volume tão grande de pessoas chegando na plataforma. Foi uma alternativa importante para muitas pessoas, servindo de apoio nesse momento, tanto para criar cursos quanto para consumir", diz Resende.

Olhando para frente, a startup pretende usar o novo cheque para turbinar a plataforma, ampliando sua atuação o máximo possível ao longo de toda a jornada do criador de conteúdo. Quanto à expansão internacional, a empresa diz que olha para novas regiões que têm consumido conteúdos organicamente em sua plataforma, como o Japão.

Dentro disso, a startup continuará apostando em fusões e aquisições para sustentar sua expansão. A Teachable, por exemplo, comprada em 2020, foi usada como porta de entrada da empresa no mercado americano — um raro movimento de uma startup brasileira comprando uma empresa estrangeira, o que é uma prova do tamanho e do crescimento agressivo da Hotmart, segundo especialistas ouvidos pela reportagem. A ideia da startup é seguir apostando nesse tipo de aquisição para avançar em outros países.

Porém, o caminho além das fronteiras brasileiras terá desafios. "Existem outras plataformas atuando nesse segmento ao redor do mundo. A Hotmart conseguiu criar uma presença cultural muito forte aqui no Brasil, agora é hora de descobrir como se tornar uma referência também no exterior", diz Rafael Ribeiro, diretor de operações da Bossa Nova Investimentos.

Para Resende, um dos trunfos da Hotmart nessa briga é a experiência. "Estamos há dez anos no mercado, acompanhando a evolução da internet do lado do nosso cliente", diz.

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Estadão
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