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Ebanx recebe aporte de US$ 430 milhões e mira aquisições na América Latina

O investimento foi feito pelo fundo de private equity norte-americano Advent, um dos mais ativos no mercado brasileiro

15 jun 2021 10h08
| atualizado às 15h03
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Grandes aportes não param de cair nas contas das fintechs brasileiras. Uma semana após o Nubank anunciar uma rodada de investimento de US$ 750 milhões, a fintech curitibana Ebanx, que tem em sua base de clientes gigantes como Spotify, AliExpress, Shopee e Uber, anuncia nesta terça, 15, que recebeu um cheque de US$ 430 milhões (R$ 2 bilhões) do fundo de private equity norte-americano Advent, um dos mais ativos no mercado brasileiro.

O investimento, em uma fatia minoritária, será de US$ 400 milhões agora e um comprometimento de investimento de outros US$ 30 milhões na oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês) da companhia, estimada para acontecer em aproximadamente um ano.

Segundo presidente executivo do Ebanx, João Del Valle, os novos recursos suportarão a trajetória de crescimento da companhia e sua rota de expansão - entre os planos, está na mira da startup atrair talentos e fazer aquisições na América Latina. Apesar de não haver até aqui uma data fechada para o IPO, que ocorrerá nos Estados Unidos, a empresa já está debruçada nos preparativos. "Em termos de indicadores financeiros já preenchemos todos os requisitos", disse ele em entrevista ao Estadão. O executivo lembra que a empresa, desde sua fundação, se preocupou primeiro em buscar os clientes - antes de investidores - decisão que garantiu, de largada, ser lucrativa. "Somos uma empresa com saúde financeira e rentável", diz.

Segundo a Advent, esse foi o maior investimento que a gestora já realizou em uma empresa latino-americana de tecnologia - o cheque foi feito por quatro fundos do private equity. "O Ebanx é uma das empresas mais impressionantes que conheci nos últimos 20 anos", disse Mario Malta, sócio da Advent responsável por investimentos em serviços financeiros na América Latina, em nota.

As empresas não divulgaram a participação adquirida pelo Advent e, consequentemente, qual a avaliação do Ebanx após o novo aporte. O Ebanx atingiu status de "unicórnio" (ou seja, foi avaliada em mais de US$ 1 bilhão) em outubro de 2019 após um aporte de valor não divulgado do fundo FTV Capital. Desde então, a empresa não divulgou mais o seu tamanho.

O FTV segue como sócio após a chegada do Advent. Segundo Del Valle, a empresa sempre foi muito seletiva para atrair investidores - com a chegada do Advent, a ideia é alcançar um novo patamar de crescimento. A tomada de decisão para a atual rodada de investimento ocorreu há seis meses, segundo Del Valle, e apesar da empresa ter conversado com cerca de cinco candidatos, a conversa com o Advent já acontecia há cerca de três anos e o fechamento da transação acabou sendo natural. "Já tínhamos essa relacionamento com o Advent, que tem acompanhado a gente. Eles têm acompanhado esse track record (histórico de resultados)", disse o cofundador da fintech.

Fundado em 2012, o Ebanx ficou conhecido por uma solução que ajuda plataformas estrangeiras a venderem no Brasil com pagamentos em moeda local. A fintech diz que mais de 70 milhões de pessoas na América Latina já fizeram pagamentos por meio de seus serviços, e 145 milhões de transações foram processadas em suas plataformas no ano passado.

Desde 2015 a empresa investe em um projeto de internacionalização robusto, que começou com atuação em México, Colômbia, Argentina, Chile, Peru, Uruguai, Bolívia e Equador. Em outubro do ano passado, a empresa anunciou a expansão da sua operação de processamento de pagamentos para cinco novos mercados: Panamá, Costa Rica, República Dominicana, Guatemala e Paraguai.

Para Renan Schaefer, diretor executivo da Associação Brasileira de Fintechs (ABFintechs), o aporte do Ebanx é um voto de confiança na expansão internacional das startups brasileiras. "A aceleração do Ebanx só consolida a capacidade que as empresas brasileiras têm de desenvolver soluções tecnológicas competitivas em mercados globais", afirma.

Segundo o Ebanx, o novo cheque também será usado para atrair executivos de empresas de tecnologia para seus quadros. A companhia já contratou Alexandre Dinkelmann, ex-Totvs, para o cargo de CFO, e pretende ir além.

Rumo à bolsa

A exemplo de outras companhias brasileiras do setor de pagamentos, o Ebanx planeja abrir capital nos EUA, possivelmente na bolsa de tecnologia Nasdaq - mesmo movimento feito pelas empresas PagSeguro e Stone, que são avaliadas em US$ 17,5 bilhões e US$ 19,8 bilhões, respectivamente. A carteira digital PicPay, da J&F, protocolou em abril o prospecto inicial da oferta de ações na Nasdaq.

A bandeira de cartões Elo deve seguir o mesmo caminho, segundo apurou o Estadão/Broadcast. Até mesmo a Didi Chuxing, empresa de mobilidade chinesa dona do aplicativo brasileiro 99, destacou sua atuação em pagamentos digitais no Brasil ao apresentar sua oferta de ações nos Estados Unidos.

Segundo dados da Distrito, as fintechs brasileiras receberam mais de US$ 1,8 bilhão em aportes ao longo de 2020 - em 2019, o total foi de aproximadamente US$ 1 bilhão. É o setor mais forte do ecossistema de inovação brasileiro: as fintechs receberam mais de 50% do volume investido em startups brasileiras no ano passado.

"É um momento propício para essas grandes captações - há muito dinheiro nesse mercado e iniciativas de abertura de regulação. O potencial é muito grande para as fintechs que estiverem bem posicionadas e preparadas para resolver dores desse setor", afirma Schaefer, da ABFintechs.

Além disso, com o fortalecimento do mercado de fintechs também se acirra a competição no setor financeiro brasileiro, diz Newton Campos, pesquisador do Centro de Estudos em Private Equity da FGV: "Essas startups apoiadas por fundos cada vez mais gordos tendem a comer o mercado dos grandes bancos pela beirada", afirma.

Cheques gigantes

O novo aporte do Ebanx é o quinto maior já realizado em startups da América Latina, segundo dados da empresa de inovação Distrito. O Nubank lidera o ranking com sua rodada de investimento de US$ 1,15 bilhão fechada na semana passada, seguido da startup colombiana de entregas Rappi e da brasileira Loft que levantaram, respectivamente, US$ 1 bilhão e US$ 525 milhões. A empresa mexicana de carros usados Kavak ocupa o quarto lugar da lista, com um aporte de US$ 485 milhões. De todos esses aportes, apenas o da Rappi não foi realizado em 2021.

O ano também tem sido de grandes cheques para os unicórnios brasileiros. Além dos aportes do Nubank e da Loft, a startup de entregas Loggi levantou um investimento de US$ 212 milhões em fevereiro, mirando expandir seus serviços para atender toda a população brasileira. No mês passado, outro unicórnio brasileiro, o QuintoAndar, recebeu US$ 300 milhões de olho na disputa pelo mercado imobiliário e com o plano de levar sua operação para o México.

Estadão
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