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Corretora de câmbio para empresas, Zebra aposta em tecnologia para não ser 'azarão' do mercado

Forte regulação do setor, alta competitividade e cenário macroeconômico incerto são alguns desafios que a Zebra encontrará pela frente

24 set 2021 13h04
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Após quatro anos de espera, a fintech Zebra recebeu autorização do Banco Central para operar como corretora de câmbio. Burocracia inicial superada, a meta da empresa é inovar no engessado segmento B2B (empresa para empresa), com prioridade em pequenos e médios exportadores. Mas a forte regulação do setor, alta competitividade e cenário macroeconômico incerto são alguns desafios que a Zebra encontrará pela frente.

A competição com os bancões e corretoras está no topo dessa lista e o próprio nome da empresa ilustra isso. "Quando dá zebra num jogo, algum time que não era favorito venceu. Vamos navegar em um segmento de grandes competidores", diz o fundador e CEO da empresa, Thiago Oliveira. "Queremos ser a zebra do mercado de câmbio."

O spread (diferença entre o preço de compra e de venda do câmbio) fixo é uma das apostas da Zebra para não ser um "azarão" neste mercado e facilitar a vida das empresas de menor porte na hora da exportação. Oliveira diz que a startup consegue cobrar o menos possível por conta da automatização de todas as etapas da transação. "É comum grandes bancos e corretoras colocarem spread alto para afastar pequenas e médias empresas, porque elas oferecem riscos maiores, principalmente de compliance (por conta da origem dos recursos), enquanto movimentam menos dinheiro", diz.

O advogado da Associação Brasileiro de Câmbio (Abracam), Fernando Borges, afirma que as estruturas mais simples das fintechs e a inovação ajudam a oferecer preços mais competitivos. "As instituições que conseguem reduzir o spread cobrado e enxergar novas oportunidades nesse sentido, se saem melhor", diz. "Essas empresas têm condições de serem mais enxutas que os grandes bancos e corretoras, o que é um diferencial importante."

Em agosto, primeiro mês de atuação da Zebra após a autorização do Banco Central, a empresa movimentou R$ 20 milhões. O montante a colocou na lista de 30 maiores corretoras de câmbio do País em volume transacionado. No segmento de pequenos e médios exportadores, os principais clientes da fintech são do setores hortifrutigranjeiro, indústrias de menor porte e linha de serviços, como cursos.

De ponta a ponta

A fintech aplica a mesma lógica de compras de e-commerce para as transações, de acordo com Arthur Garutti, diretor executivo da ACE, holding sócia da Zebra. Na plataforma, a abertura de conta é feita em 24 horas, enquanto a média do mercado é de seis dias. A discrepância acontece porque, por meio da automatização, o cliente pode enviar apenas dois documentos e em seguida, autorizar o acesso a bases de dados já existentes, acelerando o processo que costuma ser manual e mais trabalhoso em instituições tradicionais. Além disso, há rastreamento em tempo real de cada etapa da transação.

A tecnologia é aliada também para lidar com um dos pontos mais sensíveis do setor de envio e recebimento de remessas do exterior: a prevenção à lavagem de dinheiro e à corrupção, segundo o advogado da Abracam. "Esse é um pilar muito importante no mercado de câmbio, que acaba elevando muito os custos", diz Borges. "As estruturas tecnológicas trazem mais transparência e eficiência nesse processo."

A Zebra utiliza ferramentas de inteligência artificial que tentam mapear possíveis riscos, incluindo fichas da direção da empresa, por exemplo. "Quem tem mais acesso a informações e cruzamento de dados, previne melhor lavagem de dinheiro e outros crimes dessa natureza", diz Fausto Arruda, CEO da Xsfera, consultoria de negócios especializada no mercado financeiro e de pagamentos.

Prós e contras

Do ponto de vista regulatório, o momento é favorável para a entrada da Zebra no segmento de câmbio B2B, segundo Arruda. Recentemente, o Banco Central autorizou que transações feitas por instituições não bancárias sejam liquidadas diretamente em contas no exterior, sem passar por bancos. Para ele, porém, a autorização do BC para que empresas de pagamento atuem como corretoras de câmbio a partir do ano que vem vai acirrar a concorrência. "A Zebra tem uma janela de um ano para ganhar mercado e se consolidar para quando entrar essa avalanche", diz.

De olho nisso, a meta da corretora é oferecer outros serviços, incluindo crédito. "A tendência é que, em um ano, o mercado fique muito competitivo", diz Oliveira. "O câmbio vai ser commodity e quem não trouxer inovações vai mergulhar em um rio sangrento."

O novo marco legal do mercado de câmbio (5387/19), aprovado pela Câmara, aguarda pelo aval do Senado. "A regulamentação vigente inclui determinações de 100 anos atrás", afirma Borges. "O PL busca consolidar o que já foi publicado até agora e deve trazer mais estabilidade jurídica para os participantes do mercado."

Estadão
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