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Com prejuízo, SoftBank reduz planos para fundo de US$ 108 bilhões

Após tropeços com Uber e WeWork e prejuízo de US$ 2 bilhões em primeira edição do Vision Fund, grupo japonês decide diminuir tamanho de segunda edição

12 fev 2020
11h28
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O grupo japonês SoftBank anunciou nesta quarta-feira, 12, que está reduzindo os planos para a segunda edição do Vision Fund. Inicialmente lançado em 2017, o fundo reuniu mais de US$ 100 bilhões de investidores como a própria empresa asiática, a Apple e fundos estatais de Abu Dhabi e da Arábia Saudita. Agora, porém, com os tropeços de investimentos como Uber e WeWork, a companhia de Masayoshi Son decidiu reduzir os planos para o Vision Fund 2, que esperava captar US$ 108 bilhões de investidores.

Em uma conferência de imprensa, Masayoshi Son disse que ele foi forçado a reduzir os planos para o Vision Fund 2, tendo de investir apenas com o capital de sua própria empresa. "Preocupamos muita gente e precisamos dar a todos paz de espírito" para conseguir novos aportes, disse ele. É um passo atrás sete meses depois de uma declaração feita pela próprio Son, em que ele dizia ter assegurado US$ 108 bilhões em cheques. Na mesma conferência, realizada após a demonstração de resultados da japonesa, Son disse que o Vision Fund teve prejuízo operacional de US$ 2 bilhões ao longo do quarto trimestre de 2019.

O resultado praticamente varreu os lucros de todo o grupo SoftBank ao longo do período: ao todo, a companhia ganhou apenas US$ 24 milhões. Ao final de dezembro, disse ainda a companhia, o Vision Fund havia escrito cheques de US$ 74,6 bilhões em 88 companhias diferentes; hoje, esses aportes são avaliados em US$ 79,8 bilhões. Para analistas, porém, é difícil avaliar o desempenho do fundo pela falta de abertura de dados sobre as avaliações internas. "O Vision Fund 2 ainda está vivo… mas só vivo. Não parece que existe uma fila de parceiros esperando para entrar agora", comentou o analista Joel Kulina, da Wedbush Securities, em nota a investidores na manhã desta quarta-feira.

É importante lembrar, porém, que no trimestre anterior, o Vision Fund havia tido um prejuízo de US$ 8,9 bilhões - puxado pelo resgate de US$ 10 bilhões que a empresa teve de fazer no WeWork e pela desvalorização nas ações do Uber. Na época, Masayoshi Son chegou a pedir desculpas. Logo depois, diversas empresas que receberam aportes do SoftBank anunciaram demissões ao redor do mundo, incluindo a indiana Oyo e a colombiana Rappi, que tem forte atuação no Brasil.

Muitas companhias também tem tido dificuldade para demonstrar a viabilidade de seus modelos de negócios - na semana passada, uma das startups do grupo, a Brandless, chegou a fechar suas portas. "O Vision Fund ainda vai ter muitos problemas. Eles precisam focar em lucro, mais do que em crescimento", disse Amir Anvarzadeh, estrategista de mercado da Asymetric Advisors, de Singapura, à agência de notícias Bloomberg.

Apesar dos tropeços, Masayoshi Son não perdeu a pose. Em conferência com investidores, ele disse que "depois do inverno, vem a primavera" e afirmou acreditar que "a maré está mudando" a seu favor. Na chamada, ele disse ainda que não tem pressa de vender sua participação no Alibaba para recomprar ações do SoftBank no mercado, uma medida que ajudaria a empresa a conquistar a confiança dos investidores.

O executivo disse estar mais focado em uma única métrica: o valor para os acionistas, em vez de prestar atenção em lucro e prejuízo. Fazer a recompra de ações, porém, custa dinheiro - e que Masa, como é conhecido o japonês, prefere investir em startups. "O SoftBank vai ter problemas se tentar fazer as duas coisas ao mesmo tempo", afirmou Chris Lane, analista da Sandford C. Bernstein. / COM REUTERS

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Estadão
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