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Com novo dono, gráfica online Printi põe consumidor final na mira

Fundada por Mate Pencz e Florian Hagenbuch, da Loft, startup que funciona como gráfica online foi adquirida pela irlandesa Cimpress; meta é atrair pessoas físicas

19 jun 2020
07h11
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"Sob nova direção". É assim que a Printi, startup que funciona como uma gráfica online, quer começar a atender um novo público - as pessoas físicas. Fundada em 2012 pela dupla Mate Pencz e Florian Hagenbuch (que também está à frente do unicórnio Loft), a empresa cresceu nos últimos anos atendendo especialmente a pequenas e médias empresas, com produtos personalizados que vão de camisetas e canetas até embalagens. Agora, porém, o jogo mudou: no final de maio, o controle da empresa foi assumido pela irlandesa Cimpress, gigante do mercado de impressão, em operação que não teve seus valores revelados pela empresa.

O comando da Printi, por sua vez, agora está nas mãos de Hugo Rodrigues, ex-diretor comercial da startup. Responsável também por ajudar a cervejaria mineira artesanal Wäls a consolidar sua parceria com a gigante Ambev, Rodrigues tem uma meta pela frente: conquistar a preferência do consumidor final. "Queremos descomplicar a vida de todo mundo, e não só do mercado corporativo. Quero que a minha mãe possa comprar uma caneca personalizada, não só quem manje de design", diz.

Potencial produtivo para isso a empresa possui, com uma gráfica própria em Barueri, na região da Grande São Paulo. "Nós pensamos desde sempre em atender baixas tiragens, mas de maneira recorrente, até porque isso ajuda as empresas, por exemplo, a gastarem menos com estoque. É possível adaptar para o consumidor final", diz. Hoje, a Printi é capaz de produzir mais de mil produtos diferentes (stock keeping unit, no jargão específico do setor, ou SKUs), transformando 900 toneladas de papel e atendendo 2,5 mil pedidos por dia.

O principal entrave, porém, será como tornar a plataforma da empresa, que hoje demanda que o usuário tenha algum conhecimento técnico e gráfico para personalizar um produto, mais acessível. Rodrigues, no entanto, espera que o respaldo dos novos controladores ajude nesse caso - presente em 20 países, a Cimpress tem 13,5 mil funcionários no mundo e faturou US$ 2,75 bilhões no último ano fiscal. A irlandesa, que já era dona de uma parte da Printi desde 2014, "está com quase 100% das ações", afirmou Rodrigues ao Estadão.

Segundo Mate Pencz, a saída dele e de Florian da Printi não está relacionada com o crescimento da Loft, startup do setor imobiliário que os dois criaram em agosto de 2018. "Nós já tínhamos um plano de sucessão combinado, foi algo mais relacionado ao momento da Printi em si, olhando para um próximo capítulo", explica o cofundador da startup.

Reestruturação

A empresa também aposta na rapidez para conseguir satisfazer o consumidor. Antes de ser comprada pela Cimpress, a Printi investiu bastante em uma reestruturação, que trouxe benefícios na área de logística - hoje, a startup diz ser capaz de fazer entregas no País todo e, no caso da região da Grande São Paulo, pode entregar um pedido em até 12 horas.

Realizada no ano passado, a reestruturação teve como foco a rentabilidade da empresa, o que fez a Printi desistir de algumas ideias, como as lojas físicas da marca - no início de 2019, eram quatro, todas na região metropolitana paulista. Por outro lado, diz Rodrigues, as mudanças ajudaram a empresa a atravessar, até agora, a pandemia do novo coronavírus sem precisar fazer demissões. "Estamos com 350 pessoas e temos planos de continuar contratando em breve", diz o executivo. "Na área de tecnologia, inclusive, nós não congelamos as contratações, porque sabemos como o setor está competitivo."

Outra novidade implementada pela empresa nos últimos meses visa atingir um público especialmente caro à Printi: donos de franquias. Chamada de Printi For Business, a solução permite que redes de franquias criem um site para comprar embalagens padronizadas, feitas pela startup - assim, franqueados podem fazer seus pedidos sem que a encomenda tenha de passar pelo intermediário, ganhando em eficiência.

Para Rodrigues, a experiência que o ajudou na Wals terá novo peso agora. "Lá, eu tive que aprender a implementar métodos e técnicas de uma gigante, mas sem perder o coração e a liberdade da Wals", diz. "Em uma aquisição ou parceria, é um erro tentar replicar todos os processos da matriz em uma nova companhia. É preciso ver o que faz sentido."

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Estadão
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