Está no DNA do brasileiro fazer pesquisa, comprar o produto mais barato, o que cabe no bolso ou na parcela. Ao perceberem mudanças no comportamento de compra do consumidor brasileiro, os fabricantes de impressoras agiram. Eles investiram forte para desenvolver tecnologias para oferecer produtos de acordo com as diferentes necessidades. Agora há oferta segmentada, cartuchos para todos os tipos de clientes: para os que imprimem pouco, cerca de 100 páginas por mês, até o home office com alta demanda, mais de mil páginas em preto e colorido. Em todos os segmentos, os preços caíram deixando os originais competitivos.
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Os fabricantes identificaram a média de impressão dos clientes brasileiros e adequaram os preços a essas necessidades. Com base nessas informações, a japonesa Epson criou a impressora SmartPrint com cartuchos a partir de R$ 15,99 e rendimento de 130 páginas. Já a norte-americana Hewlett Packard (HP) desenvolveu o Ink Advantage System, que é vendido a partir de R$ 19,90 e tem rendimento de 120 páginas.
Esses produtos estão disponíveis para impressoras e multifuncionais jato de tinta, que além de impressoras são copiadoras e digitalizadoras. Todos fazem parte das linhas de entrada, ou seja, das máquinas com menores preços.
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No passado, as impressoras utilizavam somente um tipo de cartucho original. Os fabricantes reviram esse conceito e segmentaram a oferta. Além dos cartuchos originais econômicos de entrada no mercado, com preços inferiores a R$ 20, os fabricantes têm linhas para quem pode pagar um pouco mais. O objetivo é atender o cliente que quer a conveniência de imprimir o dobro sem se preocupar em comprar tinta.
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A queda nos preços é real e as empresas garantem que não estão fazendo ações promocionais, os preços baixos dos cartuchos vieram para ficar.
Especialista em Produtos (Suprimentos) da japonesa Epson, Daniela Alonso, reconhece que no início dos anos 2000 o preço do cartucho era em torno de R$ 100. “As pessoas não compravam cartuchos originais por causa do preço, e isso acaba levando até mesmo a perda da garantia (em alguns casos). Por isso, a Epson foi pioneira em reduzir os preços há sete anos e agora estamos oferecendo cartuchos a R$ 15,99”, revela.
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A popularização dos computadores e notebooks que começou na década passada levou para as residências as impressoras. Muitas vezes na compra de um computador o cliente ganhava uma impressora. Na hora de comprar os cartuchos, no entanto, o preço não tinha nada que lembrasse a gratuidade.
Essa realidade de cartuchos originais caros empurrou o consumidor para as opções não originais (os recarregados, os compatíveis e os do tipo bulk ink – que utilizam tinta a granel).
A existência de uma indústria em torno dos compatíveis deixa clara a demanda reprimida por uma impressora de entrada no mercado com o menor custo por página impressa possível. Diante dessa constatação, as multinacionais do setor baixaram os preços e querem mostrar as vantagens do uso do produto original com garantia e qualidade de impressão.
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A presença de computadores com acesso à internet no Brasil atinge pouco acima da metade da população, ou seja, ainda há cerca de 50% dos brasileiros que nos próximos anos poderão comprar computadores e impressoras.
O aumento das vendas do setor nos últimos anos associado às possibilidades de crescimento levaram os fabricantes de impressoras a focar no país. Há empresas, inclusive, que estão estudando o consumidor brasileiro pela primeira vez. Uma delas identificou que a decisão de compra de uma impressora está relacionada a fatores como o custo da reposição dos cartuchos e o número de páginas impressas. A análise ainda apontou que os usuários buscam em uma impressora: qualidade, design e facilidade de uso, aliado a um custo de impressão mais acessível.
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Para atender a demanda de clientes domésticos e home office que precisam imprimir grandes quantidades, a Epson lançou a linha tanque de tinta.
Essa tecnologia exclusiva da empresa japonesa usa garrafas de tinta que equivalem a 35 cartuchos de uma só vez. Cada impressora imprime 4 mil cópias em preto e 6,5 mil coloridas e sai de fábrica com um kit inicial incluso que deve ser abastecido com 4 cores: preto, ciano, magenta e amarelo. Além do alto volume de impressão, as garrafas são individuais e custam cada R$ 29,99. Quando acaba, não é preciso trocar todos juntos, só o tanque vazio. Apesar de fazer parte de um equipamento um pouco mais caro, o custo-benefício da impressão nessa linha é excelente, cerca de R$ 0,02 por página. Essa linha atende ao consumidor que precisa imprimir muito, mas busca economia sem perder a garantia de fábrica.
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Analista da IDC Brasil, consultoria para as indústrias de Tecnologia da Informação e Telecomunicações, Diego Silva diz que a estratégia das empresas de colocarem no mercado cartuchos originais abaixo dos R$ 20 pode se tornar uma tendência no setor.
“Esse posicionamento está alinhado à realidade do mercado brasileiro. É importante o fabricante tornar seus preços competitivos diante dos não originais, porque o consumidor do Brasil, culturalmente, é muito sensível ao fator preço”, avalia.
Segundo ele, a presença dos computadores dentro das residências no país ainda tem muito a crescer, principalmente com o aumento do poder de compra da classe C.
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Os novos lançamentos de impressoras jato de tinta, inclusive as multifuncionais, (impressora, copiadora e scanner) com cartuchos originais a preços populares atendem ao perfil de cliente que não precisa imprimir muito.
Pesquisas encomendadas pelas grandes empresas identificaram que o cliente doméstico imprime de 40 a 100 páginas por mês. É para atender esse nicho que as companhias desenvolveram os cartuchos de baixo custo.
“Por isso que a Epson desenvolveu diversas soluções para atender diversos perfis de consumidores, por exemplo, o SmartPrint e a linha Tanque de Tinta”, afirma Koji Nawata, especialista em hardware da Epson.
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O consumidor está comprando mais cartuchos originais para suas impressoras no Brasil. O mercado de suprimentos cresce a taxas próximas a 10% ao ano, revelou o IDC Brasil. O bom desempenho é resultado do aumento do número de computadores, netbooks, tablets nas residências, que elevou o número de dispositivos capazes de mandar imprimir, o que é possível com as multifuncionais wireless, que recebem comandos de impressão de qualquer um desses equipamentos.
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Diferente do cliente corporativo que costuma ser mais fiel às marcas, o usuário doméstico pensa normalmente no preço a pagar, muitos nem fazem questão de saber se o produto é de boa qualidade, se é original ou não.
Na percepção do analista Diego Silva da IDC Brasil, consultoria para as indústrias de Tecnologia da Informação, o preço baixo atrai o usuário doméstico, o que deflagra a disputa dos fabricantes contra a indústria do refil, do remanufaturado, das importações de compatíveis da China. A briga é grande porque a principal vantagem competitiva desse mercado paralelo, o chamado mercado cinza, é o preço, sempre abaixo dos originais.
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A IDC Brasil, consultoria para as indústrias de Tecnologia da Informação, acredita que atualmente a maior fatia do mercado de suprimento para impressoras está na mão dos não originais: dos compatíveis, dos recarregáveis e dos bulk ink, o chamado mercado cinza.
Números mais recentes de vendas de cartuchos originais totalizam 49 milhões de unidades para jato de tinta, mas quanto essa quantidade representa dentro do mercado real ninguém sabe. “Não temos mapeamento desse mercado invisível”, reconhece Diego Silva, analista da IDC Brasil.
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Ainda é uma incógnita se a combinação de novas tecnologias vai diminuir de fato o ritmo de impressão dos brasileiros. Mais conectados, com álbuns virtuais à disposição e documentos armazenados em nuvem, em tese, os usuários poderiam não precisar mais de impressão, ou pelo menos não tanto.
Mas não é bem isso que está acontecendo, afirmam os fabricantes. A impressão per capita caiu, mas o volume total aumentou.
“Não acredito em diminuição, porque as novas tecnologias agregadas às impressoras facilitam a impressão. É mais fácil imprimir hoje do que no passado. A impressora não precisa estar ligada fisicamente a um computador e é possível mandar imprimir à distância, através do tablet, do smartphone”, justifica Gerlinde Lesk, gerente de Produtos Consumíveis – Impressoras e Multifuncionais da Samsung.
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Os cartuchos originais têm maior durabilidade na comparação com os compatíveis. Mas é possível ampliar a economia de tinta alterando algumas configurações, principalmente com relação à utilização do cartucho colorido, mais caro do que o preto.
Uma dica é mudar a qualidade da impressão, usando o modo “rascunho”. Essa opção consome menos quantidade de tinta, mas o resultado ainda é satisfatório. Dá para economizar ainda modificando a resolução das imagens. Algumas impressoras possuem essa opção, que regula a quantidade de pontos por polegada. Quanto maior o valor, maior a quantidade de tinta gasta.
Para quem quer radicalizar, basta impedir a impressão de qualquer elemento colorido, selecionando o modo de cor como “Preto e Branco” ou em “Escala de cinza”. Resultado: tudo é impresso utilizando a tinta preta.
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Levantamento do IDC Brasil identifica que o modelo jato de tinta mantém a liderança no mercado de impressão brasileiro, seguido pela tecnologia laser. No ano de 2009, quando a consultoria para as indústrias de Tecnologia da Informação começou a apurar os dados do setor, cerca de 80% dos equipamentos vendidos eram de jato de tinta, 17% laser e 1,5% de matriciais.
Já no primeiro semestre deste ano, a jato de tinta é dona de 76% do mercado, 22% está na mão da laser e 1% fica com a matricial. A percepção dos especialistas do IDC é de que a tecnologia laser está ganhando espaço no segmento doméstico e de pequenas empresas, com a redução dos custos dos equipamentos de entrada nos últimos anos.