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Homem leva segredos do Google para Uber e é preso

Anthony Levandowski, antigo engenheiro de carros autônomos do Vale do Silício, havia se declarado culpado de roubar segredos comerciais

7 ago 2020
05h10
atualizado às 08h37
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Anthony Levandowski, pioneiro da tecnologia dos carros autônomos no Vale do Silício, já foi disputado por empresas como Google e Uber por sua experiência em engenharia.

12/12/2019
REUTERS/Luisa Gonzalez
12/12/2019 REUTERS/Luisa Gonzalez
Foto: Reuters

Mas, na terça feira, 4, a desgraça de Levandowski foi selada com uma sentença de 18 meses de prisão por roubar segredos dos carros autônomos do Google. Um juiz federal ordenou que o cumprimento da sentença só será exigido após o fim da pandemia do coronavírus.

Levandowski, 40 anos, também concordou em pagar US$ 756,5 mil à Waymo, empresa de carros autônomos nascida do Google, como compensação. Ele pediu recuperação judicial em março, dizendo ter entre US$ 50 milhões e US$ 100 milhões em bens pessoais. Também será obrigado a pagar multa de US$ 9 mil.

"Hoje marca o fim de longos três anos e meio, e o início de outra longa estrada pela frente", disse Levandowski em comunicado. "Sou grato a meus parentes e amigos por seu amor e apoio durante esse momento difícil."

Nos anos mais recentes, Levandowski se tornou um conto admonitório do Vale do Silício. Inicialmente, ganhou milhões de dólares com seu trabalho no Google e tinha um relacionamento de proximidade com Larry Page, um dos fundadores do Google, mas isso mudou quando Levandowski deixou a gigante das buscas. Como parte de sua saída, ele levou consigo alguns dos talentos envolvidos na divisão de carros autônomos do Google para fundar a Otto, uma startup voltada para caminhões autônomos.

Levandowski vendeu a Otto para a Uber por mais de US$ 600 milhões em 2016. No Uber, Levandowski era muito valorizado pelo diretor executivo da gigante das corridas particulares, Travis Kalanick, que também queria desenvolver uma frota de carros autônomos.

Mas, em 2017, a Waymo — recém-nascida do Google — processou o Uber pelo roubo de segredos empresariais e identificou Levandowski como responsável por levar anos de pesquisas em carros autônomos para reforçar o programa de veículos autônomos do Uber. Waymo e Uber acabaram chegando a um acordo, com o Uber entregando à Waymo cerca de US$ 245 milhões em ações do Uber. O Uber também concordou em não violar a propriedade intelectual da Waymo.

O acordo entre as empresas não significou o fim dos problemas de Levandowski.

Em agosto do ano passado, promotores federais o acusaram em 33 casos de roubo e tentativa de roubo de segredos empresariais do Google. Antes de deixar o cargo na gigante das buscas, Levandowski teria baixado milhares de arquivos ligados ao desenvolvimento de carros autônomos da empresa, de acordo com o departamento de justiça.

Em março, Levandowski se declarou culpado de um caso de roubo de segredos empresariais em um acordo com a promotoria federal, que arquivou as demais acusações, de acordo com documentos do tribunal da época. Com isso, ele ficou sujeito a uma pena máxima de 10 anos e multa máxima de US$ 25 mil.

Em documentação jurídica apresentada na semana passada, os advogados de Levandowski disseram que ele estaria disposto a prestar serviços comunitários e conscientizar funcionários de empresas de tecnologia, incentivando-os a preservarem os segredos de seus locais de trabalho.

"Ele se propõe a ser um exemplo prático daquilo que não deve ser feito, compartilhando informalmente a história do seu mau comportamento", escreveram os advogados de Levandowski na documentação. "A mensagem dele é clara: levar consigo um segredo empresarial para o emprego seguinte é 'uma escolha terrível que muda sua vida para sempre', e nunca vale a pena."

Mas a Waymo argumentou que Levandowski ainda não tinha assumido responsabilidade por suas ações e não tinha devolvido os arquivos roubados. Em declaração enquanto vítima, a empresa pediu que Levandowski fosse submetido a "um período substancial de detenção".

"O mau comportamento dele foi muito prejudicial à Waymo, representando uma traição, e os efeitos financeiros teriam sido ainda mais graves se o episódio não fosse descoberto", escreveu o advogado Leo Cunningham, representante da Waymo.

Ismail Ramsey e Miles Ehrlich, advogados de Levandowski, agradeceram ao juiz do caso por permitir que Levandowski fique fora da prisão durante a pandemia.

"Anthony lamenta muito suas decisões anteriores e, mesmo frustrado com a necessidade de passar algum tempo na prisão, segue comprometido com sua missão de vida, que é criar tecnologias inovadoras para melhorar a vida das pessoas", disseram eles em comunicado. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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Estadão
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