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Google ganha US$ 4,7 bi por ano com notícias, aponta estudo

Para associação americana, empresas que produzem o conteúdo deveriam receber uma parte desses ganhos

11 jun 2019
12h34
atualizado às 15h34
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O valor de US$ 4,7 bilhões é maior do que as bilheterias combinadas dos dois últimos filmes dos Vingadores da Marvel, o maior sucesso do cinema atual. E é mais do que custa contratar qualquer equipe esportiva profissional. Este foi o montante auferido pelo Google com o trabalho das empresas de notícias só nos Estados Unidos em 2018, por meio das buscas e do Google News, segundo estudo divulgado na segunda-feira, 10, pela News Media Alliance.

Os jornalistas que criaram o conteúdo merecem parte desses US$ 4,7 bilhões, disse David Chavern, presidente e diretor executivo da aliança que representa mais de dois mil jornais em todo o país, incluindo o The New York Times. "Eles ganham com o que fazemos e é preciso que os jornais sejam melhor remunerados", disse Chavern.

O valor de US$ 4,7 bilhões é quase o equivalente aos US$ 5,1 bilhões que o setor de notícias como um todo auferiu com propaganda digital no ano passado. Ao divulgar o estudo, a News Media Alliance alertou que seu cálculo da receita obtida pelo Google foi conservador. A entidade, por exemplo, não computou o valor dos dados pessoais que a companhia armazena dos consumidores cada vez que eles clicam em um artigo noticioso.

"O estudo ilustra de maneira clamorosa o que todos sabemos, clara e penosamente", disse Terrance C.Z. Egger, diretor executivo da Philadelphia Media Network, que publica o The Philadelphia Inquirer, o Philadelphia Daily News e philly.com. "A dinâmica atual nas relações entre as plataformas e nosso setor é devastadora".

Lei sobre o assunto está sendo discutida no Congresso dos EUA

A News Media Alliance está realizando um estudo público em antecipação à audiência da subcomissão da Câmara dos Deputados americana, nesta terça-feira, 11, sobre as relações entre as grandes companhias de tecnologia e a mídia.

Chavern disse esperar que, um resultado do estudo seja a aprovação do Journalism Competition and Preservation Act. Agora na mão dos legisladores, o projeto de lei daria aos editores de notícias uma isenção antitruste de quatro anos, permitindo que eles coletivamente negociem com os proprietários das plataformas online sobre a repartição das receitas.

O projeto tem apoio dos dois partidos no Senado e na Câmara, incluindo o presidente e o membro que é o segundo em importância da subcomissão antitruste do Judiciário da Câmara.

"A notícia é uma forma importante de conteúdo que sustenta a sociedade civil. Acho que todos, dos leitores aos redatores e políticos, compreendem que, se o jornalismo desaparecer, será algo terrível quanto a se conseguiremos manter a república", disse Chavern.

Inicialmente, o Google não quis comentar o assunto. Após a publicação desta notícia, porém, a empresa veio ao assunto. "Esses cálculos são imprecisos, como vários especialistas apontam", disse um porta-voz do Google. "O estudo ignora o valor que o Google proporciona. Todos os meses, o Google News e Google Search redirecionam mais de 10 bilhões de cliques para os sites dos editores e geram assinaturas e receitas significativas de publicidade", acrescentou.

A News Media Alliance baseou seu novo relatório em outro estudo realizado pela empresa de consultoria Keystone Strategy. Esta companhia utilizou uma estatística que foi publicada em 2008, quando um executivo do Google declarou que o Google News respondera por US$ 100 milhões do seu faturamento. O estudo observou como as receitas da companhia aumentaram desde então.

As notícias constituem uma parte significativa das operações do Google, segundo o estudo. Cerca de 40% dos cliques no Google Trends, site que aponta os termos mais buscados no momento, são para notícias. E este é um conteúdo que o Google não paga, diz o estudo, embora mostre literalmente as manchetes dos jornais.

Egger, da Philadelphia Media Network, afirmou que as grandes empresas de tecnologia devem mostrar algum reconhecimento pelo conteúdo fornecido pelas empresas jornalísticas.

"Existe potencial para uma ótima codependência. Se você examina a razão pela qual eles têm tanta procura nas suas plataformas, cada vez mais a notícia é o fator número um. Diante disto eles não querem que ela desapareça. Mas conseqüência inesperada é que temos de compartilhar a receita ou sermos pagos pelo conteúdo que produzimos", disse ele.

Duas empresas gigantescas - a Alphabet, a holding que controla o Google, e o Facebook, são as maiores distribuidoras de notícias. Ambas respondem por mais de 80% do tráfego externo para vários websites. O que muito diferente da época do analógico, quando os magnatas da mídia controlavam como suas publicações chegavam ao público e ficavam com toda a receita gerada pelos anúncios.

Mas Google e Facebook não conduzem os consumidores de notícias para os sites de notícias por altruísmo. Pelo contrário, o seu papel de intermediário lhes permite abocanhar uma imensa parte da receita dos anúncios online. Como resultado, os jornais tradicionais perderam uma fonte crucial de renda nas últimas décadas, levando muitos a reduzirem o seu espaço ou desaparecerem. As grandes companhias de tecnologia "gostam deste negócio", segundo Chavern. "É um bom negócio, caso em que você escreve para eles", disse ele. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Estadão
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