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Facebook está obcecado por 'capturar' menores de idade para sua plataforma, mostra jornal

Documentos analisados pelo The Wall Street Journal revelaram que Facebook sabe da perda de público jovem mas que, sem Instagram Kids, aposta em 'educar' usuários para quando forem mais velhos

28 set 2021 18h46
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Mesmo com a pausa no desenvolvimento do Instagram Kids, o Facebook ainda tem estratégias para continuar mirando no público adolescente e trazê-los para as plataformas da empresa. Uma nova reportagem do jornal americano The Wall Street Journal revelou que a empresa de Mark Zuckerberg também se utilizou de uma pesquisa para descobrir o comportamento de jovens de 10 a 13 anos e como colocá-los dentro de suas redes sociais de qualquer maneira - mesmo que utilizem os serviço apenas quando adultos.

Segundo os documentos, o Facebook entrevistou adolescentes de diferentes faixas etárias para entender qual era a relação com os apps e o que eles pensavam das redes sociais da empresa. As preocupações do Facebook são a perda de um público mais jovem, que está migrando para outros apps, como o TikTok, a queda de audiência em seus serviços e o imbróglio de regulamentação de conteúdo para menores de idade na internet — o que resulta em números menores para a empresa.

O estudo mostrou que a queda no uso do Facebook diminuiu 19% no último ano e que a queda esperada até 2023 é de 45%. "O Facebook é uma rede para pessoas velhas, de mais de 40 anos", afirmou um garoto de 11 anos, um dos entrevistados na pesquisa.

Uma outra pesquisa de 2020, feita pelo Centro Pew Research Center, descobriu que entre adolescentes de 9 a 11 anos de idade, as redes favoritas são o TikTok, com 30% das respostas, seguido por Snapchat, 22%, Instagram, 11%, e Facebook, com apenas 6%.

Ainda assim, o Facebook não se dá por satisfeito em apenas observar a perda de seus usuários mais novos. A aposta no Instagram (que só aceita usuários com mais de 13 anos) visa uma espécie de "acompanhamento", com a intenção de alcançar alguns jovens momentaneamente e tê-los interessados na plataforma quando forem mais velhos.

Essa era, a princípio, a ideia do Instagram Kids, mesmo depois de pesquisas terem mostrado que um outro serviço semelhante, o Messenger kids, não resultou em um grande sucesso entre adolescentes e pré-adolescentes. O Facebook também observa a influência de outros usuários sobre adolescentes, em uma tentativa de burlar o que eles identificam como uma experiência possivelmente negativa na rede.

"Precisamos entender se essa influência sobre o compartilhamento de pré-adolescentes se mantém em grande escala", escreveu um pesquisador em um quadro de mensagens interno do Facebook, no início deste ano. "Se é comum que os adolescentes desestimulem os pré-adolescentes a compartilhar, há implicações óbvias para a criação e o ecossistema tanto no curto quanto no longo prazo, pois os pré-adolescentes são a próxima geração que está entrando na plataforma".

Para adolescentes desinteressados no Instagram, uma das justificativas é a falta de identificação com os conteúdos da plataforma. "Eu não sei como tirar uma foto perfeita como minha irmã disse que precisa ser para postar", disse uma adolescente ao estudo.

Em uma entrevista para o The Atlantic, o chefe de políticas da empresa, Nick Clegg, afirmou que o Facebook vai divulgar, "nos próximos dias", alguns slides com dados do que a companhia concluiu ao fazer a pesquisa com adolescentes sobre bem-estar na plataforma — o Facebook desmentiu as matérias do The Wall Street Journal em comunicado.

Nesta quinta-feira, 30, a chefe de segurança da empresa Antigone Davis é esperada no senado americano para explicar essa mesma pesquisa e falar sobre a acusação de que o Facebook negligencia, deliberadamente, a saúde mental de jovens nas suas plataformas.

Estadão
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